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Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI

Brazilian Journal of Allergy and Immunology (BJAI)

Março 2018 - Volume 2  - Número 1

Editoriais

1 - O atendimento médico de pacientes com doenças imunoalérgicas no Brasil: reflexões e propostas para a melhoria

Medical care of patients with immunoallergic diseases in Brazil: considerations and proposals for improvement

Faradiba Sarquis Serpa; Marta de Fátima Guidacci; Norma de Paula Rubini

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):1-2

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2 - Diagnóstico preciso das alergias

Precise diagnosis of allergies

Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):3-4

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3 - Crise aguda de asma em crianças na emergência: estamos seguindo as diretrizes?

Acute asthma in children in the emergency room: are we following the guidelines?

Herberto José Chong Neto

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):5-6

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ARTIGOS ESPECIAIS

4 - Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2018 - Parte 1 - Etiopatogenia, clínica e diagnóstico. Documento conjunto elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Brasileira de Alergia e Imunologia

Brazilian Consensus on Food Allergy: 2018 - Part 1 - Etiopathogenesis, clinical features, and diagnosis. Joint position paper of the Brazilian Society of Pediatrics and the Brazilian Association of Allergy and Immunology

Dirceu Solé; Luciana Rodrigues Silva; Renata Rodrigues Cocco; Cristina Targa Ferreira; Roseli Oselka Sarni; Lucila Camargo Oliveira; Antonio Carlos Pastorino; Virgínia Weffort; Mauro Batista Morais; Bruno Paes Barreto; José Carlison Oliveira; Ana Paula Moschione Castro; Jackeline Motta Franco; Herberto José Chong Neto; Nelson Augusto Rosário; Maria Luisa Oliva Alonso; Emanuel Cavalcanti Sarinho; Ariana Yang; Hélcio Maranhão; Mauro Sérgio Toporovski; Matias Epifanio; Neusa Falbo Wandalsen; Norma Motta Rubini

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):7-38

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A alergia alimentar é definida como uma doença consequente a uma resposta imunológica anômala, que ocorre após a ingestão e/ou contato com determinado(s) alimento(s). Atualmente é considerada um problema de saúde pública, pois a sua prevalência tem aumentado no mundo todo. É um capítulo à parte entre as reações adversas a alimentos, e de acordo com os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, essas reações podem ser imunológicas ou não-imunológicas. Em geral, a alergia alimentar inicia precocemente na vida com manifestações clínicas variadas na dependência do mecanismo imunológico envolvido. A anafilaxia é a forma mais grave de alergia alimentar mediada por IgE. Conhecimentos recentes permitiram a melhor caracterização da Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES), assim como da esofagite eosinofílica. Vários fatores de risco, assim como novos alérgenos alimentares, têm sido identificados nos últimos anos.Tomando-se como ponto de partida o "Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2007" foi realizada revisão e atualização dos conceitos apresentados por grupo de alergologistas, gastroenterologistas, nutrólogos e pediatras especializados no tratamento de pacientes com alergia alimentar. Novos conceitos foram apresentados sobretudo pela melhor caracterização. O objetivo desta revisão foi elaborar um documento prático capaz de auxiliar na compreensão dos mecanismos envolvidos na alergia alimentar, assim como dos possíveis fatores de risco associados à sua apresentação, bem como sobre a sua apresentação clínica.

Palavras-chave: Hipersensibilidade alimentar, fatores de risco, anafilaxia, sistema respiratório.

5 - Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2018 - Parte 2 - Diagnóstico, tratamento e prevenção. Documento conjunto elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Brasileira de Alergia e Imunologia

Brazilian Consensus on Food Allergy: 2018 - Part 2 - Diagnosis, treatment and prevention. Joint position paper of the Brazilian Society of Pediatrics and the Brazilian Association of Allergy and Immunology

Dirceu Solé; Luciana Rodrigues Silva; Renata Rodrigues Cocco; Cristina Targa Ferreira; Roseli Oselka Sarni; Lucila Camargo Oliveira; Antonio Carlos Pastorino; Virgínia Weffort; Mauro Batista Morais; Bruno Paes Barreto; José Carlison Oliveira; Ana Paula Moschione Castro; Jackeline Motta Franco; Herberto José Chong Neto; Nelson Augusto Rosário; Maria Luisa Oliva Alonso; Emanuel Cavalcanti Sarinho; Ariana Yang; Hélcio Maranhão; Mauro Sérgio Toporovski; Matias Epifanio; Neusa Falbo Wandalsen; Norma Motta Rubini

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):39-82

Resumo PDF Português

Na última década o conhecimento sobre a etiopatogenia da alergia alimentar (AA) avançou muito. A identificação de novas formas clínicas de apresentação, aliada à aquisição de novos métodos laboratoriais, possibilitaram a realização do diagnóstico etiológico de modo mais preciso, sobretudo quanto à reatividade cruzada entre alimentos e mesmo na identificação de marcadores indicativos de formas clínicas transitórias, persistentes e quadros mais graves. A padronização dos testes de provocação oral permitiu a sua realização de forma mais segura e possibilitou a sua inclusão entre as ferramentas disponíveis para uso na confirmação etiológica da AA. Apesar disso, a exclusão do alimento responsável pelas manifestações clínicas continua sendo a principal conduta terapêutica a ser empregada. Entre os pacientes alérgicos às proteínas do leite de vaca, a disponibilidade de fórmulas especiais, por exemplo parcialmente hidrolisadas, extensamente hidrolisadas à base da proteína do leite de vaca e fórmulas de aminoácidos, tem facilitado o tratamento substitutivo do leite de vaca para esses pacientes. A abordagem atual da anafilaxia é revisada, uma vez que os alimentos são os principais agentes etiológicos em crianças. Avanços na conduta de algumas manifestações gastrintestinais também são abordados. Na atualidade, a imunoterapia oral tem sido cada vez mais utilizada. A aquisição de novos agentes, os imunobiológicos, também são apresentados à luz das evidências científicas e clínicas atuais. Considerações sobre história natural da AA, assim como sobre formas de prevenção da AA também são abordadas. Em conclusão, o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar de 2018 objetivou rever os métodos diagnósticos e esquemas de tratamento disponíveis e empregados no acompanhamento de pacientes com AA, visando a melhor abordagem terapêutica desses pacientes.

Palavras-chave: Hipersensibilidade alimentar, testes cutâneos, imunoglobulinas, imunoterapia sublingual, diagnóstico.

Artigos de Revisão

6 - Aplicações práticas de uma plataforma multiplex para detecção de IgE específica por componentes alergênicos em doenças alérgicas

Practical applications of a multiplex platform for specific IgE detection based on allergenic components in allergic diseases

Renata Rodrigues Cocco; Herbert José Chong Neto; Marcelo Vivolo Aun; Antonio Carlos Pastorino; Gustavo Falbo Wandalsen; Lillian Sanches Lacerda Moraes; Bárbara Gonçalves Silva; Bruno Acatauassu Paes Barreto; José Carlison Santos Oliveira; Jackeline Motta Franco; Ekaterini Simões Goudouris

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):83-94

Resumo PDF Português

As doenças alérgicas destacam-se entre as principais doenças crônicas não transmissíveis das últimas décadas. O avanço da biologia molecular, por sua vez, permite melhor compreensão sobre os mecanismos envolvidos na fisiopatologia das doenças, e consequente aprimoramento no diagnóstico. A identificação de componentes alergênicos específicos, recombinantes ou purificados, possibilita um conhecimento mais específico do perfil de sensibilização do paciente alérgico, inferindo informações relevantes na investigação de alergias mediadas por IgE. Paralelamente, a utilização de plataformas multiplex viabiliza a detecção simultânea de dezenas de componentes alergênicos, otimizando a investigação de pacientes polissensibilizados. A compreensão de instrumentos laboratoriais que permitam detectar a presença de IgE, suas vantagens, desvantagens e aplicabilidade clínica são fundamentais para melhor controle do paciente alérgico e manejo terapêutico. Esta revisão tem como objetivo descrever os principais dados publicados sobre o papel das plataformas multiplex (ImmunoCAP ISAC®) em diferentes situações clínicas relacionadas a doenças alérgicas.

Palavras-chave: Imunoglobulina E, diagnóstico, alérgenos, hipersensibilidade, biologia molecular.

7 - Impacto psicossocial e comportamental da alergia alimentar em crianças, adolescentes e seus familiares: uma revisão

Psychosocial and behavioral impact of food allergies on children, adolescents and their families: a review

Renata N. Gomes; Daniela R. da Silva; Glauce H.Yonamine

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):95-100

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OBJETIVO: Analisar as evidências da literatura sobre a relação entre alergia alimentar infantil e o impacto psicossocial e comportamental em crianças, adolescentes e seus familiares.
MÉTODO: Realizou-se uma busca bibliográfica nas seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), National Center for Biotechnology Information (PubMed) e na biblioteca eletrônica Scientific Electronic Library On-line (SciELO), com foco em artigos publicados no período de 1995 a 2017, em português e/ou inglês. Os descritores utilizados foram: food allergy, children, anxiety, feeding disorderse quality of life.
RESULTADOS: A prevalência das doenças alérgicas tem aumentado nas últimas décadas, sobretudo entre as crianças, com impacto significativo sobre os aspectos da vida diária e qualidade de vida tanto da criança quanto da família. Ansiedade, faltas escolares e bullying têm maior incidência em crianças com alergia alimentar. Quanto aos cuidadores, há maior prevalência de estresse, depressão e isolamento por medo de exposição a alérgenos.
CONCLUSÃO: É possível verificar uma relação entre alergias alimentares em crianças e uma piora da qualidade de vida. Ademais, as dificuldades alimentares advindas de alergias (motoras, neofobias e preferências alimentares) podem prejudicar o desenvolvimento e crescimento das crianças. É necessário o acompanhamento por equipe multiprofissional especializada e treinada, além de mais estudos que abordem novas estratégias e técnicas específicas para o tratamento desta população.

Palavras-chave: Hipersensibilidade alimentar, comportamento alimentar, transtornos de alimentação na infância, qualidade de vida.

Artigos Originais

8 - Determinação da potência relativa de extratos alergênicos de Phleum pratense por testes cutâneos

Establishing the relative potency of Phleum pratense allergenic extracts using skin prick tests

Nelson A. Rosario Filho; Elizabeth M. Mercer Mourão; Alessandra dos Santos Bitencourt; Cristine S. Rosario; Désirée E.S. Larenas Linnemann

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):101-107

Resumo PDF Português

OBJETIVOS: Comparar a potência de extratos europeus de Phleum pratensepara imunoterapia sublingual (ITSL), em relação ao extrato referência norte-americano.
MÉTODOS: Foram selecionados 15 sujeitos, com idade entre 18 e 55 anos, histórico clínico sazonal compatível e teste cutâneo com alta reatividade a gramíneas. O delineamento de estudo foi transversal, triplo cego e randômico, e comparadas as potências dos seguintes extratos alergênicos para ITSL: (A) Soluprick®(30 HEP/mL) e (B) Grazax®75.000 SQ-T, ambos os extratos da ALK-Abelló; (C) Oralair®e (D) Staloral®, com 300 IR/mL, Stallergènes, França. O extrato de origem norteamericana (E) foi o padrão, contendo 10.000 BAU/mL. Todos os extratos foram usados em forma de concentrados e nas diluições 1:3, 1:10, e 1:30. Os testes foram aplicados em quadruplicata em dois dias não consecutivos. Os diâmetros de pápula e eritema foram registrados após 15 minutos.
RESULTADOS: Não houve diferença significativa entre os testes realizados no primeiro e segundo dias (p = 0,37) com extratos concentrados, na diluição 1:3 e também 1:10 (p = 0,20 e p = 0,33, respectivamente). No segundo dia de testes, a média obtida das pápulas do extrato A foi de 16,7 mm na diluição 1:3; de 14,3 mm na diluição 1:10; e de 9,8 mm na diluição 1:30. Houve diferenças significativas entre os extratos A, B, C, D e E na comparação entre as médias das pápulas obtidas em todas as diluições, mostrando diferença de potência entre os extratos. O diâmetro das pápulas obtidas com o material concentrado, em ordem decrescente de potência, foram C > A > E > D > B. As reações observadas com extratos concentrados mostrou que o mais potente foi Staloral, e o menos potente Grazax.
CONCLUSÕES: Houve variabilidade significativa de potência nos diversos extratos comparados. Isto reforça a necessidade de padronização de extratos alergênicos para ITSL.

Palavras-chave: Imunoterapia com alérgenos, alérgenos, alergia a pólen.

9 - Conhecimento sobre asma de pediatras de hospitais públicos do Rio de Janeiro

Asthma knowledge among pediatricians at public hospitals in Rio de Janeiro, Brazil

Nelson Guilherme Bastos Cordeiro; Antônio José Ledo Alves da Cunha; Fabio Chigres Kuschnir

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):108-115

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OBJETIVO: Avaliar o conhecimento, atitudes e práticas sobre asma de pediatras que atuavam em serviços públicos hospitalares.
MÉTODOS: Estudo descritivo transversal envolvendo 76 pediatras de quatro hospitais públicos de emergência do município do Rio de Janeiro (RJ). Foram avaliados o conhecimento global (CGA) e específico sobre asma, além de atitudes e práticas, como frequência de prescrição de ß2-agonistas através de aerossol dosimetrado (AD), encaminhamento ao especialista, uso de espaçadores e do medidor do pico de fluxo expiratório (PFE).
RESULTADOS: Em relação ao CGA, 73,7% (55/76) da amostra total obteve conceito final insuficiente. Classificação e tratamento da asma alcançaram os percentuais mais baixos de acertos, 23,7% e 14,5% respectivamente. Somente 13,2% dos participantes utilizaram o PFE frequentemente, e a prescrição de ß2-agonistas através de AD foi indicada por apenas 21,9% da amostra, porém esta prática associou-se de modo significativo com o uso frequente de espaçadores (RP = 8,75; IC 95%: 1,07-71,06; p = 0,028) e do PFE (RP = 10,80; IC 95%: 2,31-50,45; p = 0,003). Houve forte associação entre ser alergista/pneumologista pediátrico e CGA suficiente (RP = 8,28; IC 95%: 1,46-46,8; p = 0,015) e uso frequente do PFE (RP = 6,64; IC 95%: 1,22-35,95; p = 0,044).
CONCLUSÕES: O nível de conhecimento sobre asma dos pediatras que atuavam nos hospitais de emergência avaliados foi insatisfatório. Houve baixa utilização do PFE e subutilização de ß2-agonistas através de AD. A especialização melhorou a compreensão global da doença. Estes resultados reforçam a necessidade de estratégias na educação médica continuada, voltada para asma infantil, nos hospitais públicos do Município do RJ.

Palavras-chave: Conhecimentos, atitudes e prática em saúde, asma, pediatria, questionários.

10 - Dispositivos únicos ou múltiplos para testes cutâneos alérgicos em crianças?

Single or multiple devices for allergic skin test in children?

Laís Keiko Lopes; Cristine Secco Rosário; Carlos Antônio Riedi; Herberto José Chong Neto; Nelson Augusto Rosário

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):116-122

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OBJETIVOS: Comparar os resultados obtidos com agulha e Multi-Test II® em testes cutâneos por puntura com diferentes concentrações de histamina e de extrato de Dermatophagoides pteronyssinus e a dor relatada em cada teste.
MÉTODOS: Estudo experimental, realizado no complexo Hospital de Clínicas em Curitiba, Paraná. Foram incluídas no estudo 104 crianças com idade entre 6 e 15 anos, com diagnóstico de asma e/ou rinite e/ou dermatite atópica e teste cutâneo alérgico positivo para Dermatophagoides pteronyssinus. Foram realizados testes com agulha hipodérmica descartável BD Precision Glide® 13 x 0,3 e com dispositivo Multi-test II® com histamina 10 mg/mL e 1 mg/ mL, Dermatophagoides pteronyssinus 5000 PNU/mL e 10000 PNU/mL e solução salina. Avaliação da dor foi obtida após cada teste pela escala de faces de dor de Wong-Baker.
RESULTADOS: A sensibilidade do teste cutâneo alérgico para os dois dispositivos foi 100% nas concentrações de histamina 10 mg/mL. Com histamina 1 mg/mL o Multi-test II® apresentou maior valor de sensibilidade (S = 86,5%) que a agulha (S = 56,7%). Alto nível de concordância entre os dois dispositivos foi observada com extrato de Dermatophagoides pteronyssinus na concentração de 10000 PNU/mL. Com a concentração de 5000 PNU/mL, o nível de concordância entre os testes foi 69,1% (Kappa = 0,2). A dor foi relatada por 65 (62,5%) crianças com Multi-Test II®, e 48 (46,2%) com agulha (p = 0,01).
CONCLUSÃO: Houve alta sensibilidade para os dispositivos utilizados.Houve diferenças entre os tamanhos das pápulas nos testes cutâneos alérgicos com os dois dispositivos, porém resultados falso-positivos foram pouco observados. Ambos os dispositivos foram bem tolerados pelas crianças.

Palavras-chave: Criança, testes cutâneos, medição da dor.

11 - Diagnóstico e tratamento da DREA: realidades da prática clínica

Diagnosis and treatment of AERD: clinical practice reality

Gabriella Melo Fontes Silva Dias; João Paulo de Assis; Mayra Coutinho Andrade; Marcelo Vivolo Aun; Jorge Kalil; Pedro Giavina-Bianchi; Rosana Câmara Agondi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):123-129

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INTRODUÇÃO: A doença respiratória exacerbada por aspirina (DREA), caracterizada por asma, rinossinusite, polipose nasal e hipersensibilidade à aspirina, pode ser sugerida pela história, porém, o teste de provocação oral com a aspirina é o padrão ouro para o diagnóstico, e a dessensibilização com aspirina, uma boa opção terapêutica. O objetivo do trabalho foi avaliar as características clínicas e os resultados dos procedimentos de provocação e/ou de dessensibilização com aspirina nos pacientes com suspeita de DREA, bem como observar se houve correlação com a literatura.
MÉTODOS: Neste estudo retrospectivo, foram avaliados prontuários de pacientes adultos com suspeita de DREA, em acompanhamento em um hospital terciário e que foram submetidos à provocação e/ ou dessensibilização com aspirina. Dois protocolos foram utilizados para o teste de provocação: (a) cetorolaco nasal/aspirina oral, e (b) apenas aspirina oral. Foram avaliados: características clínicas, a positividade do teste e da dessensibilização e a comparação deste resultado com a história prévia.
RESULTADOS: Participaram do estudo 24 pacientes, com média de idade de 50,8 anos, sendo 54,2% do sexo feminino. Treze pacientes (54,2%) tinham asma grave, e seis (25%), asma alérgica. Média do volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) foi de 81,5% do valor predito. Dezenove pacientes (79,2%) referiam broncoespasmo e/ou urticária com anti-inflamatórios não esteroidais. Cinco pacientes não faziam associação com essas medicações. Independente do protocolo usado, onze pacientes (45,8%) apresentaram teste positivo, confirmando a DREA, sendo que seis pacientes (25%) foram submetidos à dessensibilização com aspirina. Oito pacientes (33,3%) apresentaram provocação negativa, e cinco (20,8%) não conseguiram completar a investigação devido à presença de urticária.
CONCLUSÕES: Pacientes com suspeita de DREA deveriam ser submetidos à provocação com aspirina para confirmar o diagnóstico. Um quarto dos pacientes foi submetido à dessensibilização, entretanto, para a maioria dos pacientes não foi possível confirmar o diagnóstico ou o teste foi negativo.

Palavras-chave: Doença respiratória exacerbada por aspirina, provocação com AAS, dessensibilização com AAS.

12 - Reações respiratórias agudas desencadeadas por AINEs nos pacientes com urticária crônica espontânea exacerbada por AINEs

Acute respiratory reactions triggered by NSAIDs in patients with NSAID-exacerbated chronic spontaneous urticaria

Mariele Morandin Lopes; Pamella Diogo Salles; Jorge Kalil; Antonio Abilio Motta; Rosana Câmara Agondi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):130-135

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INTRODUÇÃO: Até 30% dos pacientes com urticária crônica espontânea (UCE) exacerbam com anti-inflamatório não esteroidal (AINE). Estas são reações de hipersensibilidade não imunológicas atribuídas a propriedades farmacológicas destes medicamentos. A hipersensibilidade aos AINEs pode estar associada a uma urticária mais grave ou mais prolongada. Aproximadamente 10% dos pacientes com UCE exacerbada por AINEs também apresentam sintomas respiratórios após a exposição aos AINEs (chamadas de reações mistas).
OBJETIVO: Avaliar a presença de manifestações respiratórias após o uso de AINE nos pacientes com UCE exacerbada por AINEs.
MÉTODOS: Neste estudo retrospectivo, os prontuários eletrônicos de pacientes com UCE exacerbada por AINEs atendidos em um hospital terciário foram revisados. Os pacientes sem história de exacerbação ou que não sabiam referir o uso ou a piora dos sintomas com AINEs foram excluídos. Foram avaliados sintomas respiratórios agudos desencadeados pelos AINEs e sintomas respiratórios crônicos, concomitante a UCE.
RESULTADOS: Foram avaliados 92 pacientes, sendo 90% do sexo feminino, média de idade de 52 anos e tempo de doença de 12,9 anos. Os AINEs mais comuns foram a dipirona (65,2%) e o diclofenaco (33,7%). A história de sintomas respiratórios agudos associados ao quadro cutâneo, após a exposição ao AINE, estava presente em 13% dos pacientes. Quarenta pacientes (43,5%) apresentavam rinite crônica e, destes, 13 pacientes (32,5%) possuíam também diagnóstico de asma, e 2 (5%) apresentavam pólipos nasais. Os sintomas respiratórios agudos foram mais frequentes nos pacientes com rinite crônica (22,5%) quando comparados com os pacientes sem doença respiratória crônica (5,8%).
CONCLUSÕES: O presente estudo mostrou que 13% dos pacientes com UCE exacerbada por AINEs também apresentavam sintomas respiratórios agudos após o uso de AINEs, sendo denominados pacientes com reações de hipersensibilidade mista ou "blended reactions". Destes, 75% apresentavam doença respiratória crônica de base.

Palavras-chave: Asma induzida por aspirina, urticária, angioedema.

13 - Conhecimento de farmacêuticos sobre rinite alérgica e seu impacto na asma (guia ARIA para farmacêuticos): um estudo piloto comparativo entre Brasil e Paraguai

Knowledge of allergic rhinitis and its impact on asthma among pharmacists (ARIA guidelines for pharmacists): a comparative pilot study in Brazil and Paraguay

Marilyn Urrutia-Pereira; Raqueli Bittencourt; Carolina Fernandez; Alvaro A. Cruz; Laura Simon; Pietro Rianelli; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):136-143

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INTRODUÇÃO: Os farmacêuticos, geralmente, são os primeiros profissionais a atenderem pacientes com rinite alérgica (RA). A guia ARIA (Rinite Alérgica e seu Impacto na Asma) estabelece padrões de melhores práticas para o manejo de pacientes com RA.
OBJETIVO: Avaliar o nível de conhecimento sobre RA e a guia ARIA entre farmacêuticos do Brasil (BR) e Paraguai (PY).
MÉTODO: 205 farmacêuticos (BR = 78, PY = 127) responderam ao questionário onlineautoaplicável (ARIA One Airways) sobre dados pessoais, profissionais e conhecimento sobre RA e guia ARIA, empregando o Google Forms.
RESULTADOS: A mediana de idade foi 32 anos, 35% BR e 52% PY referiam terem tido mais de quatro anos de treinamento. Embora reconheçam os principais sintomas de RA, 26% BR e 100% PY nunca perguntaram se o paciente tinha diagnóstico médico de RA; 20,5% BR e 100,0% PY se os sintomas ocorreram quando perto de animais ou alérgenos; 55% BR e 76% PY se o paciente tinha diagnóstico médico de asma; 59% BR e 70% PY se a rinite piora os sintomas de asma. Anti-histamínicos sedantes foram recomendados por 34,6% BR e 26,8% PY, e corticosteroides intranasais por 59% BR e 52% PY. Embora 85% BR e 100% PY desconheçam as diretrizes ARIA, 94,9% BR e 60,6% PY encaminhariam o paciente a um especialista.
CONCLUSÃO: Embora os farmacêuticos sejam os primeiros profissionais procurados pelo paciente com RA para alívio de sintomas, o seu nível de conhecimento sobre RA e a guia ARIA é baixo. O seu treinamento para atingir melhor abordagem clínica é primordial.

Palavras-chave: Rinite alérgica, farmacêuticos, conhecimento, tratamento farmacológico, asma.

Comunicações Clínicas e Experimentais

14 - Alta concomitância de doenças autoimunes em um paciente com síndrome de Down

High concomitance of autoimmune diseases in a patient with Down syndrome

Fernanda Sgarbi; Nanci Palmieri de Oliveira; Susana Giraldi; Renato Nisihara

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):144-147

Resumo PDF Português

OBJETIVO: Pacientes com síndrome de Down (SD) apresentam maior prevalência de doenças autoimunes (DAI). No caso apresentado, chama atenção a elevada concomitância de DAI, a apresentação clínica das mesmas e a influência na saúde mental do paciente.
DESCRIÇÃO DO CASO: Relatamos o caso de paciente masculino, 25 anos, cariótipo 47,XY+21, acompanhado pelo ambulatório de SD do HC/UFPR desde o nascimento, que até o presente momento apresentou cinco DAI associadas: vitiligo generalizado, alopecia areata, doença de Hashimoto, doença celíaca e psoríase. Nesse paciente, chama atenção as cinco doenças autoimunes concomitantes e a gravidade das doenças de pele. Foi realizada a fenotipagem da sua população linfocitária, obtendose numericamente: contagem normal de linfócitos T (CD3+) e de linfócitos T (CD8+); e contagem diminuída de linfócitos T (CD4+), células natural killer e linfócitos B.Foi realizada a sua tipagem HLA e observou-se a presença de alelos HLA-DQ2 e HLA-DR3 que, de acordo com a literatura, estão associados com o aparecimento de DAI. Aos 14 anos o paciente começou a apresentar sintomas da síndrome do pânico e episódios de transtorno obsessivo compulsivo.
COMENTÁRIOS: A associação de fatores imunológicos e genéticos faz com que pacientes com SD possam ter concomitância de DAI. Profissionais de saúde que atendem pacientes Down devem estar atentos para tais doenças.

Palavras-chave: Síndrome de Down, doenças autoimunes, imunologia.

15 - Endomiocardite de Loeffler - manifestação cardíaca da síndrome hipereosinofílica: relato de caso

Loeffler's endomyocarditis - cardiac manifestation of hypereosinophilic syndrome: case report

João Paulo de Assis; Raísa Borges de Castro; Carolina T. Alcantara; Jorge Kalil; Clóvis E. S. Galvão

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):148-152

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: A síndrome hipereosinofílica é caracterizada por uma produção aumentada e contínua de eosinófilos e pode levar a lesões teciduais em múltiplos órgãos, como consequência da infiltração eosinofílica. Os pacientes apresentam eosinofilia absoluta no sangue periférico (> 1.500 eosinófilos/mm3) sem uma causa primária de eosinofilia. A manifestação cardíaca desta síndrome geralmente se apresenta como endomiocardite de Loeffler, que constitui uma miocardiopatia restritiva primária resultante da infiltração de eosinófilos no tecido cardíaco.
DESCRIÇÃO DO CASO: Relatamos o caso raro de uma paciente de 64 anos com eosinofilia a esclarecer e comprometimento cardíaco, que teve o diagnóstico estabelecido a partir de exames de imagem.
COMENTÁRIOS: Enfatizamos os aspectos clínicos e evolutivos, ressaltando as dificuldades diagnósticas e a importância da investigação de eosinofilias persistentes sem causa aparente, uma vez que o diagnóstico e tratamento precoce podem proporcionar melhores taxas de sobrevida e prognóstico nestes pacientes.

Palavras-chave: Síndrome hipereosinofílica, endocardite, diagnóstico.

CARTA AO EDITOR

16 - Síndrome de alergia pólen-alimento no Brasil

Pollen-food allergy syndrome in Brazil

Francisco M. Vieira; Arnaldo C. Porto Neto; Ernesto N. Ferreira; Melissa Tumelero; Nelson A. Rosário Filho

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):153-154

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Imagens em Alergia e Imunologia

17 - Dermatite de contato por cloreto de benzalcônio

Contact dermatitis from benzalkonium chloride

Amanda Rocha Firmino Pereira; Jorge Kalil; Octavi o Grecco

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(1):155-157

Resumo PDF Português

O cloreto de benzalcônio é um conservante encontrado em produtos de higiene pessoal e preparações farmacêuticas há mais de seis décadas. Antes tido como irritante; porém, evidências crescentes apontam que ele possa induzir alergia de contato em uma taxa mais elevada do que o previsto. Os autores apresentam um caso de um adulto de 71 anos, com reação alérgica ao cloreto de benzalcônio contido em solução tópica oftalmológica.Pretende-se, com este caso, alertar sobre as possíveis hipersensibilidades aos conservantes de medicamentos e cosméticos.

Palavras-chave: Dermatite de contato, compostos de benzalcônio, alérgenos.

Junho 2018 - Volume 2  - Número 2

Editoriais

1 - Doença respiratória exacerbada por aspirina

Aspirin-exacerbated respiratory disease

Rosana Câmara Agondi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):159-160

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2 - Alimentos industrializados e gravidade da dermatite atópica: o alérgico é reflexo do que come?

Processed foods and severity of atopic dermatitis: are allergic patients a reflection of what they eat?

Herberto José Chong Neto

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):161-162

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ARTIGO ESPECIAL

3 - Diretrizes da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Sociedade Brasileira de Pediatria para sibilância e asma no pré-escolar

Guidelines of the Brazilian Association of Allergy and Immunology and the Brazilian Society of Pediatrics for wheezing and asthma in preschool children

Herberto J. Chong Neto; Dirceu Solé; Paulo Camargos; Nelson A. Rosário; Emanuel C. Sarinho; Débora Carla Chong-Silva; Bernardo Kiertsman; Antônio C. Pastorino; Flávio Sano; Marilyn Urrutia-Pereira; Gustavo F. Wandalsen; Ana Caroline Dela Bianca de Melo; Bruno A. Paes Barreto; Fábio C Kuschnir; Joel Cunha; Luciana R. Silva; Mariane Cordeiro A. Franco; Maria Luisa O. Alonso; Murilo Britto; Neusa F. Wandalsen; Norma M. P. Rubini; Sidnei Ferreira

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):163-208

Resumo PDF Português

A asma é uma das doenças crônicas de maior frequência na infância. Parcela significativa de crianças com asma desenvolve sintomas nos primeiros anos de vida, mas nem sempre a sua confirmação diagnóstica é fácil. Outras causas de sibilância que podem gerar confusão diagnóstica, além da complexidade para a obtenção de medidas objetivas, tais como a realização de provas de função pulmonar nessa faixa etária, são justificativas para esse fato. Especialistas na abordagem desses pacientes, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria, após revisão extensa da literatura pertinente elaboraram esse documento, onde são comentados os possíveis agentes etiológicos, prevalência, diagnóstico diferencial, assim como tratamento e prevenção da sibilância e asma em pré-escolares.

Palavras-chave: Asma, pré-escolares, alergia, vírus, tratamento.

Artigos de Revisão

4 - Ferramentas para avaliação e acompanhamento da urticária crônica

Patient-reported outcomes for the evaluation and follow-up of chronic urticaria

Solange Oliveira Rodrigues Valle; Sérgio Duarte Dortas-Junior; Gabriela Andrade Coelho Dias; Antônio Abílio Motta; Claudia Soïdo Falcão do-Amaral; Emmanuel Antonio P. Reis Martins; Luis Felipe Chiaverini Ensina; Márcia Carvalho Mallozi; Maria das Graças de Melo Teixeira Spengler; Maria Fernanda Ferraro; Mário Cezar Pires; Maurício Martins; Nelson Guilherme Bastos Cordeiro; Regis de Albuquerque Campos; Rosana Câmara Agondi Leite; Alfeu Tavares França

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):209-224

Resumo PDF Português

Urticária é uma doença pruriginosa da pele na qual ocorrem urticas e/ou angioedema. A urticária é definida como crônica quando persiste por 6 semanas ou mais. A urticária crônica tem um grande impacto na vida diária do paciente. Atualmente, não há biomarcadores confiáveis para identificar e medir a atividade da doença na urticária crônica espontânea. Consequentemente, o uso de ferramentas conhecidas por patient-reported outcomes (PROs) é crucial ao avaliar e monitorar diferentes aspectos da urticária crônica, como atividade/gravidade da doença, controle da doença e qualidade de vida. Apresentamos uma visão geral de cinco PROs usados na avaliação da urticária crônica, e destacamos suas vantagens, limitações e uso na prática clínica e pesquisa.

Palavras-chave: Urticária, angioedema, qualidade de vida.

5 - Rinite em pré-escolares

Rhinitis in preschool children

Fausto Yoshio Matsumoto; Maria Candida Varanda Rizzo; Fabio Chigres Kuschnir; Giovanni Marcelo Siqueira di-Gesu; João Ferreira Mello-Jr.; Maria Leticia Freitas Silva Chavarria; Priscila Megumi Takejima

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):225-228

Resumo PDF Português

A rinite no pré-escolar configura um grande desafio diagnóstico e terapêutico, tanto para pediatras, como para especialistas. Os poucos dados existentes nesta faixa etária, além da sobreposição dos sintomas também comuns às doenças respiratórias virais, tornam o diagnóstico de rinite extremamente raro e/ou frequentemente ignorado. A melhor compreensão e identificação da rinite nos pré-escolares pode ajudar a melhorar a qualidade de vida destes pacientes, através da instituição do diagnóstico e tratamento corretos. Além disso, o diagnóstico mais precoce, possivelmente possibilitará caracterizar melhor a história natural da rinite, comorbidades, fatores de risco e o acompanhamento do desenvolvimento dos diferentes fenótipos da rinite ao longo da vida.

Palavras-chave: Rinite, pré-escolar, classificação.

6 - Asma e DPOC: está na hora de mudar conceitos e o foco do tratamento

Asthma and COPD: it is time to change concepts and treatment targets

Hisbello S. Campos; Celso E. Ungier

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):229-237

Resumo PDF Português

A asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) compõem um grupo de doenças respiratórias obstrutivas crônicas nas quais as disfunções refletem múltiplos processos inflamatórios do trato respiratório. Os mecanismos patogenéticos envolvidos em ambas são influenciados por uma interação entre redes genéticas contendo genes alterados (polimorfismos), estímulos ambientais, biológicos ou físicos, e a população de microrganismos que habita nosso corpo (microbioma). Aparentemente, parte dos polimorfismos genéticos envolvidos são comuns a ambas, justificando algumas semelhanças observadas entre elas. Atualmente, os esquemas medicamentosos usados no tratamento de ambas são compostos, basicamente, por broncodilatadores e corticosteroides inalatórios. Estas classes farmacológicas são efetivas apenas sobre parte dos processos patogênicos envolvidos, o que pode justificar as taxas inadequadas de sucesso terapêutico. O progresso na compreensão dos fatores envolvidos na gênese das alterações no comportamento celular do trato respiratório vem apontando novos alvos terapêuticos, o que vem impulsionando estudos visando o desenvolvimento de fármacos potencialmente mais efetivos.

Palavras-chave: Asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, bases genéticas, microbioma, biomarcadores.

7 - Papel do microbioma na resposta imune e na asma

Role of microbiome in immunity and asthma

Hisbello S. Campos

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):238-246

Resumo PDF Português

Nos últimos vinte anos, passamos a reconhecer que o corpo humano hospeda, em condições normais, uma quantidade de microrganismos que supera o número de células do nosso organismo. A interação desses micróbios, seus genomas e seus metabolitos com nosso organismo desempenha papel relevante no desenvolvimento e funcionamento dos nossos órgãos e sistemas, como o imune e o neurológico, por exemplo. A reviravolta nos conceitos de patogenicidade dos microrganismos revogou a crença sobre "assepsia" de muitos de nossos órgãos, como o pulmão. Atualmente, sabe-se que o aparelho respiratório, em condições saudáveis, é colonizado por diversas comunidades de microrganismos. Há indícios de que desequilíbrios nas proporções das diferentes espécies (disbioses) que convivem nas vias respiratórias desempenham papel relevante na patogênese de diversas doenças pulmonares, incluindo a asma. Por essa razão, o desenvolvimento de compostos microbiológicos que corrijam disbioses vem sendo alvo de inúmeros estudos. Possivelmente, tais compostos farão parte da abordagem terapêutica da asma e de diversas outras doenças respiratórias.

Palavras-chave: Microbioma, microbiota, sistema imune, asma.

Artigos Originais

8 - Análise imunológica da reatividade cruzada alergênica entre Cheyletus malaccensis e Dermatophagoides farinae, Dermatophagoides pteronyssinus e Blomia tropicalis

Immunological analysis of allergenic cross-reactivity between Cheyletus malaccensis and Dermatophagoides farinae, Dermatophagoides pteronyssinus and Blomia tropicalis

Francisca Mihos; Victor Paiva; Patrícia Pereira; Anderson Matos; Maria Cruz

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):247-252

Resumo PDF Inglês

OBJETIVO: O ácaro Cheyletus malaccensis é referido na literatura como um predador de outras espécies de ácaro. Pouco se sabe sobre sua composição proteica, e poucos estudos avaliaram sua habilidade de desencadear reações alérgicas respiratórias atópicas. O objetivo do presente estudo é investigar a impressão digital do perfil proteico presente em um extrato de Cheyletus malaccensis e avaliar sua reatividade imunológica na presença de imunoglobulinas (IgE) específicas do soro de indivíduos diagnosticados com alergia aos ácaros Dermatophagoides farinae, Dermatophagoides pteronyssinus e Blomia tropicalis. Essas três espécies carregam proteínas responsáveis pela maioria dos casos de alergias respiratórias atópicas, o que justifica o interesse em compará-las ao Cheyletus malaccensis.
MÉTODOS: Amostras de poeira aspirada contendo Cheyletus malaccensis foram coletadas de domicílios na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. A partir da massa coletada desse ácaro, extratos foram preparados para análise. As proteínas presentes nos extratos foram identificadas por eletroforese sob condições desnaturantes.
RESULTADOS: Proteínas com massa molecular de 24 kDa, 26 kDa, 12 kDa, 45 kDa e 70 kDa foram visualizadas. O ensaio imunoenzimático mostrou reatividade cruzada positiva para proteínas de massa molecular variando de 20 kDa a 45 kDa. Esses resultados indicam que ligações específicas foram estabelecidas entre a IgE presente no soro de indivíduos alérgicos ao ácaro usado como comparador e proteínas de Cheyletus malaccensis.
CONCLUSÕES: Os achados são relevantes por seu potencial clínico e aplicações imunoterapêuticas, bem como sua base de informações para futuros estudos.

Palavras-chave: Ácaros, Cheyletus malaccensis, caracterização de proteínas, alérgenos, reatividade cruzada.

9 - Avaliação do fenótipo atópico nos pacientes com DREA

Evaluation of atopic phenotype in patients with DREA

Mayra Coutinho Andrade; Rosilane dos Reis Pacheco; Mila Almeida; Priscila Takejima; Marcelo Vivolo Aun; Jorge Kalil; Pedro Giavina-Bianchi; Rosana Câmara Agondi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):253-257

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: A doença respiratória exacerbada por anti-inflamatórios (DREA) é uma síndrome bem caracterizada, composta por asma, polipose nasal e intolerância a aspirina e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Apesar de já bem definida, há uma heterogeneidade entre a população de pacientes com diagnóstico de DREA. O objetivo desse trabalho foi avaliar o fenótipo atópico nos pacientes com DREA.
MÉTODOS: Foi realizado um estudo retrospectivo com pacientes com DREA acompanhados em um serviço terciário. Esses pacientes foram classificados em dois grupos: atópicos e não atópicos. Foram avaliados também dados como gravidade da asma, AINEs envolvidos na reação, e IgE sérica total.
RESULTADOS: Foram analisados 70 pacientes, destes 55 (78,6%) eram mulheres. A média de idade era de 54 anos. Do total de pacientes, 32 (45,7%) eram atópicos. Os pacientes atópicos apresentavam média de início de asma mais precoce (22 anos) e maior tempo de doença (31 anos) do que os não atópicos. A média de IgE sérica total era maior nos atópicos (742,1 UI/mL). No grupo dos pacientes com DREA e atopia, a pesquisa de IgE sérica específica mostrou-se positiva para os ácaros em 90,6% dos pacientes. A maioria dos pacientes atópicos (71%) relatava reação a múltiplos AINEs. Os principais medicamentos relacionados às exacerbações respiratórias nos pacientes com DREA foram: AAS em 72,1% dos casos; dipirona em 61,8%; diclofenaco em 45,6%; e cetoprofeno e ibuprofeno em 27,9% dos casos cada um.
CONCLUSÕES: Existem diferenças entre os pacientes com DREA conforme a presença ou não de atopia. Os atópicos apresentam início de sintomas mais precoce, maior tempo de duração de asma, necessitam de mais medicação para controle e apresentam hipersensibilidade a um número maior de AINEs, sendo que o principal medicamento causador de sintomas também varia entre os dois grupos.

Palavras-chave: Asma, aspirina, asma induzida por aspirina, antiinflamatórios não esteroides.

TEMAS LIVRES

9 - Dermatite atópica e de contato

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):S38-S41

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Artigos Originais

10 - Correlação entre a dieta alimentar e a gravidade da dermatite atópica

Correlation between dietary patterns and severity of atopic dermatitis

Bruno Acatauassu Paes Barreto; Fernanda Araújo Santos; Mayara Castello Branco de Mello Dias

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):258-263

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: A dermatite atópica tornou-se importante problema de saúde pública, visto que sua incidência triplicou nas últimas três décadas, e que compromete significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A hipótese de que a ingestão alimentar pode ser importante para modular a expressão da doença vem sendo cada vez mais evidenciada.
OBJETIVO: Correlacionar a dieta alimentar com a gravidade da dermatite atópica em crianças e adolescentes atendidos no Ambulatório de Dermatologia da Universidade do Estado do Pará.
MÉTODO: Foi realizado um estudo transversal e observacional, cuja amostra foi composta por 53 pacientes, nos quais foram aplicados o Questionário de Frequência de Consumo Alimentar (QFCA) e o Scoring of Atopic Dermatitis - SCORAD para avaliar a gravidade da doença. Para identificar essa correlação foi aplicado o teste de D'Agostino-Pearson para variáveis quantitativas, e a correlação Linear de Pearson para variáveis qualitativas, tendo sido previamente fixado o nível de significância alfa = 0,05 para rejeição da hipótese de nulidade.
RESULTADOS: Os pacientes estudados foram em sua maioria do sexo feminino, na faixa etária entre 4-10 anos, e com IMC adequado para a idade. Cerca de 50% teve história familiar de atopia, 60% fez uso de fórmulas lácteas ao longo da vida, e 60% recebeu aleitamento materno exclusivo. A gravidade da dermatite atópica teve correlação direta apenas com o consumo habitual de alimentos industrializados (coeficiente de correlação: 0,3355).
CONCLUSÃO: São necessários estudos longitudinais prospectivos e de longo prazo para determinar como modificações na ingestão dietética podem oferecer benefícios à população atópica.

Palavras-chave: Dermatite atópica, dieta, alimentos industrializados.

11 - Fungos anemófilos isolados de diferentes ambientes de uma escola primária na cidade de Manaus, Amazonas, Brasil

Airborne fungi isolated from different environments of a primary school in the city of Manaus, Amazonas, Brazil

Michael Rubem Miranda Tiago; José Augusto Almendros de Oliveira; Ana Cláudia Alves Cortez; João Vicente Braga de Souza

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):264-269

Resumo PDF Inglês

INTRODUÇÃO: Os fungos presentes no ar, denominados anemófilos, possuem uma ampla diversidade em locais de clima tropical e são causadores de micoses pulmonares e outras doenças do aparelho respiratório. O objetivo do estudo foi isolar e identificar os fungos do ar de uma escola de ensino fundamental de tempo integral, a partir de ambientes externos e internos, e verificar se a sazonalidade influencia a incidência desses microrganismos.
MÉTODOS: Para coleta dos fungos do ar, placas de Petri contendo Sabouraud foram expostas nos ambientes externos e internos da escola.
RESULTADOS: Foram isoladas 2.386 colônias de fungos, sendo 1.041 na estação chuvosa e 1.345 na estação seca. Foram identificados 1.858 fungos, que puderam ser distribuídos em 34 gêneros. Os gêneros mais frequentes foram Cladosporium sp. (22,6%), Aspergillus sp. (17,14%), Penicillium sp. (8,55%), Curvularia sp. (6,83%) e Drechslera sp. (5,7%). Durante o período seco, o gênero mais frequente foi o Aspergillus (19,21%), e no período chuvoso, o gênero Cladosporium (34,8%).
CONCLUSÃO: A sazonalidade influenciou principalmente o gênero Cladosporium, que obteve aumento significativo na estação chuvosa, constituindo um biomarcador dessa estação.

Palavras-chave: Fungos, meio ambiente e saúde pública, biodiversidade.

TEMAS LIVRES

11 - Imunodeficiências

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):S49-S55

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Comunicações Clínicas e Experimentais

12 - Vasculite urticariforme e exantema: uma reação de hipersensibilidade tardia mista a dimenidrinato - relato de caso

Urticarial vasculitis and rash: a mixed delayed hypersensitivity reaction to dimenhydrinate - case report

Larissa Prando Cau; Danilo Gois Gonçalves; Rosana Camara Agondi; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):270-274

Resumo PDF Português

Dimenidrinato é um anti-histamínico H1 do grupo das etanolaminas, com importantes propriedades anticolinérgicas, antisserotoninérgicas e sedativas. Relatamos um caso de uma mulher que após 14 dias de ter usado dimenidrinato, iniciou quadro de exantema e vasculite urticariforme, além de sintomas constitucionais. Avaliação laboratorial sem alterações. Biopsia de pele evidenciou dermatite de interface do tipo vacuolar e púrpura com leucocitoclasia e derrame pigmentar. Imunofluorescência positiva para IgG, com presença de fluorescência dos núcleos dos queratinócitos da epiderme. Tratada com corticoide oral por 2 meses até remissão completa do quadro, e posterior realização de teste intradérmico, que foi positivo na leitura de 48h. A reação de hipersensibilidade tardia observada foi relacionada a mecanismo misto de Gell e Coombs (III e IV), com positividade no teste cutâneo intradérmico de leitura tardia em 48h (reação tipo IV) e biópsia compatível com vasculite cutânea (reação tipo III); lesões exantemáticas (reação tipo IV) e urticária vasculítica (reação tipo III). O teste cutâneo com dimenidrinato positivo reforça o diagnóstico de reação de hipersensibilidade.

Palavras-chave: Vasculite, reação de hipersensibilidade tardia, dimenidrinato.

13 - Síndrome de Chediak-Higashi em fase acelerada: um relato de caso

Accelerated Chediak-Higashi syndrome: case report

Aline Mendes; Constantino Giovanni Braga Cartaxo

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):275-278

Resumo PDF Português

A síndrome de Chediak-Higashi (CHS) é um distúrbio genético autossômico recessivo decorrente de uma mutação no gene regulador do transporte lisossomal (LYST ou CHS1). Os sintomas da síndrome são resultado de alterações funcionais de melanócitos, plaquetas, neutrófilos e células natural killer, e incluem albinismo parcial, fotossensibilidade, infecções recorrentes, principalmente bacterianas, linfocitose hemofagocítica, sangramentos e manifestações neurológicas, como neuropatia central e periférica, perda de sensibilidade, fraqueza muscular, ataxia cerebelar e déficit cognitivo. Aproximadamente 85% dos casos se apresentam como a forma avançada, caracterizada por pancitopenia, hemofagocitose e infiltrado linfocítico em todos os órgãos, determinando falência múltipla dos órgãos. Nesse estudo é relatado o caso de uma paciente diagnosticada com a síndrome aos 8 anos de idade, apresentando a doença já em fase avançada, além de uma rápida revisão bibliográfica sobre a doença em questão.

Palavras-chave: Chediak-Higashi, linfohistiocitose hemofagocítica, relato de caso.

14 - Uso de leite processado em altas temperaturas por paciente com alergia ao leite de vaca - relato de caso

Use of milk processed at high temperatures by a patient with cow's milk allergy: case report

Renata Magalhães Boaventura; Raquel Bicudo Mendonça; Roseani da Silva Andrade; Elaine Cristina de Almeida Kotchetkoff; Roseli Oselka Saccardo Sarni

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):279-282

Resumo PDF Português

OBJETIVO: Relatar a evolução clínica de um escolar com alergia ao leite de vaca (ALV) que fez uso de leite de vaca processado em altas temperaturas (LVPAT).
DESCRIÇÃO: H.B.M., sexo masculino, 7 anos, com ALV IgE mediada diagnosticada com 1 ano e 3 meses. Aos 2 anos foi submetido a teste de provocação oral (TPO) aberto para leite de vaca (LV) in natura, evoluindo com urticária, congestão nasal e vômito após a primeira dose (1 mL). Mãe relatou alguns episódios de exposição acidental ao LV acompanhados de sintomas. As Imunoglobulinas E para LV e frações mantiveram-se elevadas (IgE leite total: 4,69 KU/L) até os 6 anos, quando a criança realizou TPO com LVPAT, sob a forma de bolo, evoluindo sem intercorrências. Passou a consumir diariamente uma porção do bolo contendo leite processado durante 6 meses. Aos 7 anos e com IgEs específicas mais baixas (IgE específica leite total: 2,2 KU/L), realizou TPO com LV in natura sem sintomas, sendo liberado na dieta.
COMENTÁRIOS: O uso do leite de vaca processado em altas temperaturas em pacientes com ALV IgE mediada é uma estratégia promissora com impacto na tolerância futura ao alimento, tendo resultados favoráveis com ênfase na qualidade de vida e inclusão social. No entanto, vale ressaltar a importância da avaliação individualizada dos pacientes e a segurança da equipe na aplicação desses protocolos, além de levar em consideração que a alergia pode ser transitória, mesmo sem o uso do leite processado.

Palavras-chave: Hipersensibilidade a leite, hipersensibilidade alimentar, diagnóstico.

15 - Anafilaxia a morfina e tramadol: relato de caso

Anaphylactic reaction to morphine and tramadol: case report

Amanda Rocha Firmino Pereira; Rebeca Mussi Brugnolli; Jorge Kalil; Antonio Abílio Motta; Marcelo Vivolo Aun; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):283-287

Resumo PDF Português

A investigação diagnóstica de reações anafiláticas durante a anestesia é difícil, uma vez que vários medicamentos são administrados. O diagnóstico é necessário para evitar uma reexposição ao medicamento potencialmente ofensivo. Os opioides raramente causam anafilaxia. A incidência total de reação de hipersensibilidade imediata aos opiáceos é desconhecida, e as incidências diferenciais de reações alérgicas e não alérgicas aos opiáceos também. Os dados sobre a sensibilidade cruzada entre as classes de medicamentos são limitados pela ocorrência rara destas alergias, e qualquer uso de opioide em um paciente com alergia relatada deve ser feito com cautela. O valor dos testes cutâneos de leitura imediata nos indivíduos sensíveis aos opiáceos é incerto, por poderem causar desgranulação direta dos mastócitos, e o teste de IgE sérico para opiáceos não está disponível comercialmente. O objetivo dos autores é relatar um caso de anafilaxia perioperatória, tendo como agente causal um opioide e discorrer sobre a investigação e implicações decorrentes do uso destes medicamentos. Estudos bem desenhados e adequadamente controlados sobre o assunto ainda são necessários para melhor entendimento das reações e maior segurança para o uso destes medicamentos.

Palavras-chave: Anafilaxia, morfina, tramadol.

CARTA AO EDITOR

16 - A epidemiologia da anafilaxia no Brasil: enquanto o CID 11 não chega

Gustavo Silveira Graudenz; Helena Landim Cristóvão

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):288-289

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Imagens em Alergia e Imunologia

17 - Trombose de seio cavernoso e aneurisma micótico como complicações de rinossinusite aguda

Cavernous sinus thrombosis and mycotic aneurysm as complications of acute rhinosinusitis

Luana Pereira Maia; Rita Garcia; Lukas Ogorodnik; Silvia Macedo

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):290-294

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Setembro 2018 - Volume 2  - Número 3

Editorial

1 - Alergia alimentar: uma visão brasileira

Food allergy: a Brazilian perspective

Renata Rodrigues Cocco

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):295-296

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Artigos de Revisão

2 - Alergia inalatória a insetos

Inhalant allergy to insects

Laura Maria Lacerda Araujo; Nelson Augusto Rosário-Filho

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):297-301

Resumo PDF Português

Asma e rinoconjuntivite alérgicas são doenças que apresentam alta prevalência mundial. Os aeroalérgenos estão entre os principais fatores desencadeantes de sintomas em indivíduos sensibilizados. Há centenas de alérgenos inalantes envolvidos neste processo; porém, os provenientes de insetos, embora frequentes, têm sido pouco valorizados na prática clínica. Esta revisão busca demonstrar, a partir de estudos relevantes, a importância deste tema.

Palavras-chave: Alérgenos, insetos, asma, rinite alérgica.

3 - Asma e DPOC: duas faces de um mesmo dado?

Asthma and COPD: two faces sides of the same dice?

Hisbello S. Campos

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):302-308

Resumo PDF Português

Os imbricados processos patogênicos da asma e da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) têm mecanismos comuns que envolvem redes genéticas, subclasses de linfócitos, diversas citocinas e quimiocinas, gerando comportamento alterado de todas as células estruturais e funcionais do trato respiratório. Uma parte das centenas de genes que vêm sendo implicados na patogenia da asma e da DPOC é comum às duas. Aparentemente, eles formam uma grande rede, e sua ação conjunta está associada às alterações presentes nas duas disfunções respiratórias. Dado que parte da base genética e muitos processos inflamatórios são comuns às duas doenças, pode-se supor que elas componham uma única entidade, que pode se apresentar de diversas formas.

Palavras-chave: Asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, genética da asma e DPOC.

4 - Cigarros eletrônicos: esses ilustres desconhecidos

Electronic cigarettes: these illustrious unknowns

Marilyn Urrutia-Pereira; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):309-314

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Uma nova ameaça à saúde de crianças e adolescentes surgiu: os cigarros eletrônicos (e-cigarettes), ou sistemas eletrônicos de entrega de nicotina. Esta revisão visou avaliar os diferentes tipos de cigarros eletrônicos, os efeitos tóxicos à saúde e o impacto do marketing e da legislação vigente no uso desses dispositivos por adolescentes. Nesta revisão não sistemática sobre o uso de novos dispositivos liberadores de tabaco, foram pesquisados artigos nas bases de dados PubMed, BIREME/LILACS e SciELO, nos últimos 10 anos (2008 a 2018). Foram utilizados os seguintes descritores, palavras e combinações para a busca de artigos: vaping, electronic nicotine delivery systems, electronic cigarettes, tobacco products, e-cigarette. Mesmo que os e-cigarettes possam ser considerados uma estratégia promissora de redução de danos, existem os problemas potenciais relacionados à exposição a substâncias tóxicas. É urgente e necessário que decisões políticas e regulatórias impeçam o acesso dos jovens aos e-cigarettes, e as leis existentes não podem continuar sendo ignoradas, ou não aplicadas, na maioria dos países.

Palavras-chave: Sistemas eletrônicos de liberação de nicotina, adolescente, tabagismo, poluição por fumaça de tabaco.

5 - Biomarcadores nas doenças respiratórias obstrutivas crônicas: a próxima página

Biomarkers for chronic obstructive respiratory diseases: the next page

Hisbello S. Campos

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):315-323

Resumo PDF Português

Nas últimas décadas, consensos e diretrizes vêm orientando padronizações terapêuticas que, mesmo baseadas em evidências, partem do princípio de que o mesmo medicamento é bom para todos que têm a mesma doença. Essa conduta vai de encontro aos conhecimentos atuais sobre os mecanismos envolvidos na patogenia da maior parte das disfunções clínicas. Doenças são produto da conjunção de fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Polimorfismos genéticos, microbioma, exposições ambientais e agentes etiológicos se conjugam, determinando processos etiopatogênicos complexos que fundamentam a expressão clínica. Propor padronizações terapêuticas que não levem em consideração as diferenças potenciais que tornam única cada pessoa doente, atenta contra o bom senso. Hoje se reconhece a necessidade de uma abordagem personalizada, que considere a premissa de que, em cada indivíduo, a doença pode ter diferentes alvos terapêuticos, e que cada pessoa pode responder diferentemente à mesma abordagem terapêutica. Nessa nova perspectiva, biomarcadores capazes de identificar o mecanismo patogênico responsável pela disfunção em cada indivíduo e o alvo terapêutico são instrumentos fundamentais. A identificação desses biomarcadores é uma etapa importante na transição do modelo atual da prática médica para a medicina de precisão, na qual a abordagem preventiva e terapêutica levará em consideração a variabilidade genética, o ambiente e o estilo de vida de cada pessoa. Possivelmente, essa nova prática médica permitirá aumentar as taxas de sucesso terapêutico na asma e na doença pulmonar obstrutiva crônica, problemas respiratórios crônicos de prevalência elevada com uma gama ampla e variada de apresentações clínicas e respostas às terapias atuais.

Palavras-chave: Medicina de precisão, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, biomarcadores.

6 - Corticoterapia

Corticotherapy

Hisbello S. Campos

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):324-334

Resumo PDF Português

Glicocorticosteroides são fármacos efetivos no tratamento de doenças inflamatórias e imunes. Agem em praticamente todas as células do corpo, antagonizando os efeitos patogênicos de inúmeras doenças. A maior parte de seus efeitos parece ser produto de sua ligação a receptores específicos armazenados no interior das células. Suas ações moduladoras da transcrição genética iniciam-se com a ligação ao seu receptor e posterior conexão aos genes alvo, num processo que conta com a participação de outros fatores e envolve múltiplos mecanismos (ação genômica). Os genes alvo incluem aqueles responsáveis por mediadores inflamatórios, como quimiocinas, citocinas, fatores de crescimento e seus receptores. Além de seus efeitos sobre o DNA, estimulando a produção de produtos anti-inflamatórios ou inibindo a transcrição de genes pró-inflamatórios, via acetilação ou deacetilação das histonas, respectivamente, os glicocorticosteroides possuem outros mecanismos de ação que não envolvem regulação genética (ação não genômica). Aparentemente, por mecanismos ainda não esclarecidos, os efeitos da corticoterapia são produto da associação das ações genômicas com as não genômicas. Os glicocorticosteroides representam o grande pilar terapêutico da asma, com efeitos sobre as células estruturais e funcionais do trato respiratório. Nessa situação particular, na qual costumam ser empregados continuadamente por períodos prolongados, com risco potencial de efeitos indesejáveis relevantes, é fundamental desvendar os processos envolvidos em seus mecanismos de ação para tentar desenvolver meios de reduzir os riscos associados e potencializar os efeitos desejados.

Palavras-chave: Glicocorticosteroides, efeito genômico e não genômico, mecanismos de ação.

Artigos Originais

7 - A especialidade de Alergia e Imunologia Clínica nos diferentes níveis de atenção à saúde no Brasil

Allergy and Clinical Immunology specialty in the different levels of health care in Brazil

Faradiba S. Serpa; Marilyn Urrutia-Pereira; Eduardo Costa; Regina W. DiGesu; Marta de Fátima R. C. Guidacci; Alvaro S. Cruz; Antonio Condino Neto; Jackeline Motta Franco; Janaína Mello; Norma M. Rubini; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):335-343

Resumo PDF Português

OBJETIVOS: Avaliar a atuação de alergistas/imunologistas no serviço público e identificar prioridades, carências e demandas na assistência aos pacientes com doenças alérgicas e imunodeficiências.
MÉTODOS: Foi desenvolvido um questionário on-line autoaplicável por meio do Google Forms, composto por 17 questões de múltipla escolha sobre dados demográficos, área de atuação, local de desempenho das atividades profissionais e acesso a exames laboratoriais.
RESULTADOS: Responderam ao questionário on-line 367 associados. A média de idade foi de 45,3 anos (desvio padrão, DP = 11,7), e 255 dos participantes eram mulheres (69,5%). Atuavam também como pediatras 52,9% dos alergistas, e apenas 37,6% atendiam pacientes com imunodeficiências primárias no Sistema Único de Saúde (SUS). Os recursos para abordagem desses pacientes eram escassos e não distribuídos de maneira uniforme.
CONCLUSÕES: Os especialistas em Alergia e Imunologia Clínica estão concentrados nos grandes centros, e os que atuam no serviço público não têm acesso a recursos adequados para o diagnóstico e tratamento das doenças alérgicas e imunodeficiências primárias. Ações estratégicas em várias instâncias do SUS são necessárias para melhorar a atenção aos pacientes com doenças imunoalérgicas no Brasil.

Palavras-chave: Alergia e Imunologia, síndromes de imunodeficiência, assistência integral à saúde, Sistema Único de Saúde.

8 - Achados epidemiológicos de alergia alimentar em crianças brasileiras: análise de 234 testes de provocação duplo-cego placebo-controlado (TPDCPCs)

Epidemiological findings in food allergic Brazilian children: an analysis of 234 double-blind placebo-controlled food challenge (DBPCFC) tests

Simone Nabuco de Senna; Mariana Faria Scalco; Sílvia Paschoalini Azalim; Lídia Lacerda Guimarães; Wilson Rocha Filho

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):344-350

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: Os dados sobre prevalência de alergia alimentar são escassos e limitados no Brasil. Este trabalho objetiva descrever as características clínicas de crianças brasileiras com alergia alimentar diagnosticada através de teste de provocação duplo-cego placebo-controlado (TPDCPC).
MÉTODOS: Dos pacientes avaliados, foram selecionadas, de forma prospectiva, no Ambulatório de Alergia e Pneumologia Pediátrica, 234 crianças com suspeita clínica de alergia alimentar e teste alérgico positivo para alimento, no período de 1993 a 2005. Para confirmar o diagnóstico de alergia alimentar, foram realizados TPDCPCs com o alimento suspeito.
RESULTADOS: Dos 234 TPDCPCs realizados, 30 foram positivos (12,8%), sendo mais frequentes em crianças abaixo de dois anos e do sexo masculino. Dos testes positivos, 26 (86,6%) foram positivos para ovo ou leite de vaca. Pacientes com diagnóstico inicial de dermatite atópica ou alergia gastrointestinal apresentaram TPDCPC positivo mais frequentemente do que pacientes com sintomas respiratórios. Entre os sintomas apresentados durante o TPDCPC, prevaleceram os sintomas cutâneos (60%) e respiratórios (56,67%).
CONCLUSÃO: A incidência de alergia alimentar na população com suspeita clínica foi de 12,8%. Leite de vaca e ovo são os principais alimentos responsáveis pela alergia alimentar em nosso meio, que é mais frequente em crianças abaixo de dois anos. O teste alérgico positivo é um fraco preditor de alergia alimentar (VPP = 13,5%), mas o teste alérgico negativo praticamente afasta o diagnóstico, pois o seu valor preditivo negativo na população estudada foi próximo de 100%.

Palavras-chave: Criança, hipersensibilidade alimentar, estudos epidemiológicos, diagnóstico.

9 - Tradução e adaptação transcultural para o idioma português (Brasil) do instrumento "Angioedema Activity Score"

Translation and cross-cultural adaptation to the Portuguese language (Brazil) of the instrument "Angioedema Activity Score"

Bárbara Martins de-Aquino; Alex Eustáquio Lacerda; Fernanda Casares Marcelino; Bárbara Gonçalves da-Silva; Inês Cristina Camelo Nunes; Dirceu Solé; Karsten Weller; Luís Felipe Chiaverini Ensina

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):351-356

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: Tradução e adaptação transcultural do instrumento Escore de Atividade do Angioedema (Angioedema Activity Score - AAS) para o idioma português do Brasil.
MÉTODOS: O documento original em alemão foi traduzido para o português (cultura brasileira) e posteriormente retrovertido para a língua alemã. As traduções foram analisadas pelos pesquisadores brasileiros e alemães para definição da versão final em português. A versão final foi respondida por 10 pacientes com angioedema recorrente, com o intuito de identificar possíveis dificuldades na compreensão e nos termos utilizados.
RESULTADOS: Todos os pacientes compreenderam as perguntas, embora apenas a metade tenha preenchido adequadamente o questionário.
CONCLUSÕES: O documento do Escore de Atividade do Angioedema adaptado para a cultura brasileira se mostrou um instrumento fidedigno à versão alemã original.

Palavras-chave: Angioedema, urticária, histamina, bradicinina.

10 - Fatores associados a alergias oculares em crianças atendidas em serviço especializado

Factors associated with ocular allergies in children treated at a specialized service

Anna Carolina Zamperlini Ferreira; Jéssica Junqueira; Fábio Zanini; Myrna Serapião da-Silva; Denise Freitas; Marcia C. Mallozi; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):357-363

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: A conjuntivite alérgica (CA) é uma doença inflamatória da conjuntiva ocular causada principalmente por mecanismo IgE-mediado. É o tipo mais comum de alergia ocular. O presente estudo teve por objetivo identificar fatores associados à CA de diferentes intensidades em pacientes acompanhados em ambulatório pediátrico especializado em doenças alérgicas, visando, assim, facilitar o diagnóstico, a terapêutica e a profilaxia dessa morbidade.
MÉTODOS: Este estudo retrospectivo analisou prontuários de pacientes (n = 120) com diagnóstico clínico de CA acompanhados em ambulatório especializado por pelo menos um ano. O diagnóstico de CA foi realizado por oftalmologista, e, segundo os medicamentos utilizados, os pacientes foram classificados em CA grave (corticosteroide oral, imunossupressor tópico ou sistêmico e/ou com lesão corneana) ou não grave. Todos foram submetidos a testes cutâneos de leitura imediata com bateria padronizada de aeroalérgenos. Quinze pacientes foram escolhidos aleatoriamente e submetidos à pesquisa de IgE sérica específica (ImmunoCap-ISAC; Thermo Scientific).
RESULTADOS: Formas graves de CA ocorreram em 36/120 pacientes, com predomínio de sexo masculino (86,1%), presença de história familiar de CA e uso de lubrificantes e de imunossupressores tópicos. Não houve diferenças quanto à sensibilização a aeroalérgenos, mas entre as formas graves predominou a polissensibilização. Houve predomínio de sensibilização aos ácaros da poeira domiciliar.
CONCLUSÃO: Nosso estudo-piloto mostrou que formas graves de CA foram associadas ao sexo masculino, ter história familiar de conjuntivite alérgica, e ser sensibilizado a ácaros da poeira domiciliar. Estudos adicionais são necessários para melhor caracterizar os possíveis fatores de risco associados à maior gravidade da CA.

Palavras-chave: Conjuntivite alérgica, ceratoconjuntivite, criança, adolescente.

11 - Tradução para o português (cultura brasileira) e adaptação cultural de questionários para avaliação da qualidade de vida de crianças com alergia alimentar e de seus pais

Portuguese translation (Brazilian culture) and cultural adaptation of questionnaires to evaluate the quality of life of children with food allergy and their parents

Raquel Bicudo Mendonça; Roseli Oselka Saccardo Sarni; Claudio Len; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):364-372

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: A avaliação da qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) é importante tanto do ponto de vista científico, quanto clínico. Instrumentos específicos para avaliar a QVRS de crianças com alergia alimentar e de seus familiares foram desenvolvidos, mas até o momento nenhum deles foi adaptado para ser usado com a população brasileira. O objetivo do presente estudo foi traduzir e fazer a adaptação transcultural de dois questionários, um que avalia a QVRS de crianças com alergia alimentar, e outro de seus pais.
MÉTODOS: Foram seguidas as orientações da Organização Mundial da Saúde para tradução e adaptação de instrumentos. O processo incluiu as etapas de tradução, retrotradução, pré-testes e entrevistas cognitivas.
RESULTADOS: Participaram do estudo oito pais de crianças com alergia alimentar. Seus comentários e sugestões foram registrados e acatados. As escalas de respostas dos questionários foram padronizadas em relação ao seu conteúdo e apresentação gráfica para facilitar o preenchimento quando ambos os questionários fossem empregados em uma mesma pesquisa.
CONCLUSÕES: Os questionários foram satisfatoriamente traduzidos para o português do Brasil e culturalmente adaptados, ficando prontos para o processo de avaliação de suas propriedades psicométricas, etapa necessária para a validação dos instrumentos.

Palavras-chave: Qualidade de vida, inquéritos e questionários, tradução, hipersensibilidade alimentar, criança.

Comunicações Clínicas e Experimentais

12 - Efetividade das técnicas de restauração de barreira cutânea "Wet Wraps" e "Soak and Smear" na dermatite atópica grave: relato de caso e revisão da literatura

Effectiveness of skin barrier repair techniques "Wet Wraps" and "Soak and Smear" in severe atopic dermatitis: a case report and literature review

Ana Laura Mendes Becker-Andrade; Ariana Campos Yang

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):372-378

Resumo PDF Português

A restauração da barreira cutânea é o primeiro passo para o controle da dermatite atópica (DA) em todas as suas formas. O tratamento da DA grave ou refratária em crianças apresenta alguns desafios, devido principalmente aos efeitos colaterais das drogas imunossupressoras. Como alternativa, as técnicas "Wet Wraps" e "Soak and Smear" são intervenções seguras e eficazes em casos em que a xerose é fator determinante de agravamento da doença. Relata-se o caso de um menino de 5 anos com DA grave (SCORAD = 54) não controlada, com prurido intenso e distúrbio do sono. Houve tratamento prévio com corticoide tópico e sistêmico, diversos emolientes, uso repetido de antibióticos tópicos e sistêmicos, e restrição de leite de vaca, sem resultado. As comorbidades incluíam rinite alérgica (sensibilizado para ovo, leite, epitélio de cão e ácaros) e transtorno do espectro autista. Foi realizado tratamento tópico com ácido fusídico e corticoide de média potência, além de otimização das técnicas de restauração de barreira cutânea. Após um mês, o paciente retornou com melhora quase completa das lesões, SCORAD de 17 (leve), referindo intensa melhora na qualidade de vida, com resolução do distúrbio do sono. Este caso demonstrou a efetividade das técnicas "Wet Wraps" e "Soak and Smear" em criança com DA grave. A boa adesão e a correta execução são fundamentais para o resultado, ressaltando a importância da atenção médica quanto à educação da equipe e dos pais sobre o tratamento. Essas técnicas são bem estudadas e podem ser realizadas como resgaste na DA grave, mesmo em crianças com alterações comportamentais, e, se adequadamente utilizadas, podem evitar a prescrição de imunossupressores.

Palavras-chave: Dermatite atópica, absorção cutânea, criança.

13 - Teste de provocação com glicerol 5%: efeito rápido e fugaz na mucosa nasal

Provocation test with 5% glycerol has fast and fleeting effects on the nasal mucosa

Francisco de Assis Machado Vieira

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):379-381

Resumo PDF Inglês

Os efeitos observados com glicerol a 5% na provocação nasal foram associados unicamente a irritação e sensação de prurido nos primeiros minutos, cedendo espontaneamente e desaparecendo rapidamente. O uso de glicerol a 5% não influenciou a prevalência de obstrução nasal, rinorreia, espirros e prurido nasal e ocular obtidos na soma dos sintomas, quando avaliado em diferentes testes de provocação nasal específica, após 15-20 minutos. Tomada em conjunto, essa diluição com glicerol a 5% não altera a pontuação final dos sintomas durante a provocação nasal.

Palavras-chave: Alergia e imunologia, aprovação de teste para diagnóstico, técnicas e procedimentos diagnósticos.

CARTAS AO EDITOR

14 - Vacinação contra o sarampo e pacientes alérgicos

Ana Karolina Barreto Berselli Marinho

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):382-383

PDF Português

15 - A Internet e o Alergista - 18 anos depois, e ainda não atingimos a maioridade

Fabio Ferreira de Carvalho Junior

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):383-384

PDF Português

16 - O uso de anti-histamínicos de primeira geração em idosos e a necessidade de mudança de hábitos

Gustavo Silveira Graudenz; Maria Elisa Gonzalez Manso

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(3):385

PDF Português

Dezembro 2018 - Volume 2  - Número 4

Editorial

1 - Gestão 2017-2018: ações e reflexões

2017-2018 Term of Office: actions and reflections

Norma Rubini; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):387-389

PDF Português

ARTIGO ESPECIAL

2 - Testes in vivo nas reações de hipersensibilidade a medicamentos - Parte I: testes cutâneos

In vivo tests in hypersensitivity drug reactions - Part I: skin tests

Marcelo Vivolo Aun; Maria Fernanda Malaman; Mara Morelo Rocha Felix; Ullissis Pádua Menezes; Gladys Reis e Silva de Queiroz; Adriana Teixeira Rodrigues; Carolina Sanchez Aranda; Inês Cristina Camelo-Nunes; Dirceu Solé; Norma de Paula M. Rubini

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):390-298

Resumo PDF Português

As reações de hipersensibilidade a medicamentos são frequentes na prática clínica e são consideradas problema de saúde pública. O diagnóstico inclui, após detalhada história clínica, a realização de testes in vivo: cutâneos ou de provocação. Recentemente, estes testes foram aprovados pela Câmara Técnica da Associação Médica Brasileira para inclusão tanto no SUS, como na Saúde Suplementar, o que facilitará o acesso dos pacientes a estas ferramentas. Nesta revisão, abordaremos com mais detalhes as indicações, técnica e impacto da utilização dos testes cutâneos com fármacos na prática clínica.

Palavras-chave: Alergia a medicamentos, hipersensibilidade, diagnóstico, testes cutâneos.

Artigos de Revisão

3 - Testes laboratoriais de triagem para doenças alérgicas: ainda têm espaço na prática clínica?

Laboratory screening tests for allergic diseases: do they still have a role in clinical practice?

Felipe Faria Pierotti; Carolina Sanchez Aranda; Renata Rodrigues Cocco; Márcia Carvalho Mallozi; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):399-404

Resumo PDF Português

Nas últimas décadas tem se observado aumento da prevalência das doenças alérgicas em todo o mundo. Embora a história clínica seja considerada de grande importância na suspeita de uma doença alérgica, resultados falso-positivos podem ser observados quando se utiliza apenas dados da anamnese. Com isso, indicadores mensuráveis utilizados para examinar quaisquer aspectos da doença tornam-se essenciais. A dosagem de imunoglobulina E total (TIgE), assim como painéis que contemplam alérgenos de maior prevalência na população estudada, podem funcionar como testes de triagem e facilitar o futuro diagnóstico de uma doença alérgica, ou na exclusão deste. Nesta revisão, são abordados os diferentes testes de triagem para doenças alérgicas (PhadiatopEuropa®, PhadiatopInfant ®, PhadiatopUSA®) na avaliação de crianças e adolescentes com história médica de alergia. Os testes de triagem não diagnosticam doenças alérgicas. Uma vez positivo, o encaminhamento ao especialista deve ser realizado.

Palavras-chave: Criança, hipersensibilidade, imunoglobulina E, alérgenos.

4 - Biomarcadores e imunobiológicos na asma

Biomarkers and immunobiological agents in asthma

Ataualpa Pereira dos Reis; Jose Augusto Nogueira Machado

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):405-415

Resumo PDF Português

A maioria dos asmáticos é bem controlada com o uso de corticosteroides inalados e beta-agonistas de ação prolongada; contudo, uma proporção de pacientes não responde a esta terapia, e mantém controle limitado da doença. Este grupo experimenta exacerbações frequentes, e requer admissão hospitalar. O desenvolvimento de novos agentes biológicos e biomarcadores da doença abre novas avenidas para o tratamento. Nós revisamos as últimas informações pertinentes aos biomarcadores e agentes biológicos, e demonstramos como os pacientes podem ser identificados e se beneficiar destes tratamentos. As fontes de dados incluíram artigos originais, revisões e publicações indexados nos bancos de dados PubMed, MEDLINE, LILACS, SciELO e publicações on-line, nos últimos 15 anos. As informações mais recentes da medicina personalizada com análise genética e biomarcadores da inflamação Th2 permitiram identificar fenótipos de asma que incluem um fenótipo T2 alto. Estudos recentes dirigidos para IgE, IL-5, IL-13, IL-17 e para os receptores de cadeias alfa de IL-4 mostraram alguma eficácia em alguns pacientes fenotipados. Para aqueles sem evidência de inflamação Th2, nenhuma terapia específica foi identificada. A disponibilidade de biomarcadores e agentes bioterapêuticos que são dirigidos para IgE, interleucinas IL-5, IL-4, IL-13 e IL-17, são uma excitante modalidade de medicina molecular. Contudo, estes agentes bioterapêuticos somente são efetivos quando dirigidos para pacientes com fenótipos de asma específicos.

Palavras-chave: Medicina de precisão, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, biomarcadores.

5 - O tratamento da asma hoje e amanhã

Asthma treatment, today and tomorrow

Hisbello S. Campos

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):416-422

Resumo PDF Português

A incorporação progressiva de novos conhecimentos na etiopatogenia da asma vem sendo útil para compreender os fundamentos da grande diversidade observada nas apresentações clínicas e desfechos terapêuticos. A compreensão crescente dos diferentes mecanismos envolvidos na alteração do comportamento celular no trato respiratório deixa claro que a abordagem atual, com padronização diagnóstica e terapêutica, é inadequada. Os complexos e imbricados mecanismos genéticos e ambientais envolvidos fazem de cada asmático um paciente único. Gradativamente, o modelo clássico de atenção médica vem sendo substituído pela Medicina de Precisão, na qual dados genéticos, ambientais e de estilo de vida são empregados no diagnóstico e definição terapêutica. No campo da asma, possivelmente, essa transição significará a incorporação de novos elementos diagnósticos capazes de diferenciar o endotipo vigente e o(s) alvo(s) terapêutico(s) necessário(s) em cada momento, assim como permitirá colocar o agente terapêutico diretamente sobre seu alvo. As Ciências Ômicas serão fundamentais na identificação dos biomarcadores efetivos. Possivelmente, usaremos biomarcadores que identifiquem a variação genética, o mecanismo determinante e o alvo terapêutico. No tratamento, usaremos biológicos, antagonizando ações moleculares prejudiciais, microRNAs para reverter a disfunção celular presente, e suplementos alimentares que corrijam a disbiose corresponsável pela disfunção presente. Com a ajuda da teranóstica, desenvolveremos microvesículas capazes de inserir o agente terapêutico diretamente no seu alvo. Aí, então, poderemos ser capazes de curar a asma.

Palavras-chave: Asma, genética, biológicos, microRNA, ciências ômicas, microbioma.

6 - Receptor MrgprX2 nas anafilaxias não alérgicas

MRGPRX2 receptor in non-allergic anaphylaxis

Danilo Gois Gonçalves; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):423-426

Resumo PDF Português

A identificação e descrição das propriedades do receptor MrgprX2 possibilitou maior compreensão das funções dos mastócitos nas reações de hipersensibilidade não alérgicas, assim como em processos inflamatórios e infecciosos. Neste artigo revisamos brevemente as principais funções deste receptor, enfatizando seu papel nas reações de hipersensibilidade a medicamentos, promovendo a desgranulação direta de mastócitos.

Palavras-chave: Receptor MrgprX2, anafilaxias não alérgicas, reações de hipersensibilidade a medicamentos.

7 - Poluição atmosférica: o cigarro nosso de todo o dia

Air pollution: our daily cigarette

Marilyn Urrutia-Pereira; Laura Simon; Pietro Rinelli; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):427-433

Resumo PDF Português

O objetivo deste artigo foi avaliar a relação entre poluição atmosférica e a saúde das crianças. Foi realizada pesquisa na base de dados do MEDLINE, nos últimos 10 anos, empregando os seguintes termos: "air pollution", ou "household air pollution" ou "primary traffic pollutants" ou "environmental burden" AND "child health" ou "lung function" ou "acute respiratory infections" ou "pregnancy". Os artigos identificados foram selecionados após leitura dos títulos, e os considerados de importância foram lidos na íntegra e incluídos nessa revisão. Além desses, referências por eles citadas e dados de agências oficiais, considerados de relevância, também foram incluídos. Estudos documentam associação positiva entre exposição de crianças à poluição do ar e maior morbimortalidade de afecções respiratórias, incluindo a asma. Quanto mais precoce for essa exposição, maiores serão os seus efeitos.

Palavras-chave: Poluição ambiental, material particulado, testes de função respiratória, pneumonia, saúde da criança.

Artigos Originais

8 - Características clínicas e autoimunidade nos pacientes com urticária dermográfica

Clinical features and autoimmunity in patients with dermographic urticaria

Rafaella Amorim Gaia Duarte; Raisa Borges de Castro; Franciane Bruschi Almonfrey; Jorge Kalil; Antônio Abilio Motta; Rosana Câmara Agondi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):434-440

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: A urticária dermográfica (UD) é a forma de urticária induzida mais comum, com uma prevalência geral de até 5%. Na urticária demográfica, o estímulo físico é decorrente de trauma ou fricção, seja ela por roupa, ou arranhões. A urtica pruriginosa aparece cerca de 10 minutos após o estímulo, e desaparece em 1 a 2 horas. Os anti-histamínicos (AH1) são a primeira opção de tratamento para controle da doença, e não se conhece a etiologia dessa entidade clínica.
OBJETIVO: Avaliar as características clínicas de pacientes com urticária dermográfica ou dermografismo sintomático.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo de prontuário eletrônico de pacientes com UD, atendidos em um hospital terciário. Foram avaliados o tempo de doença, associação com urticária crônica espontânea (UCE), o tipo de tratamento, e a frequência de doença autoimune e/ou autoanticorpos.
RESULTADOS: Foram avaliados 161 pacientes com UD em seguimento há mais de seis meses. Cento e trinta e nove pacientes (85,7%) eram do sexo feminino, com média de idade de 48,6 anos e tempo de doença de 10,1 anos. A maioria respondeu ao AH1. Ao longo do seguimento, o AH1 de segunda geração foi utilizado em 73,5% dos pacientes, e o de primeira geração adicionado ao de segunda geração ou isolado em 50% dos pacientes. Quinze pacientes (9,3%) haviam feito uso de corticoide oral para controle dos sintomas. A associação com UCE estava presente em 44,1% dos pacientes. Alguma doença autoimune estava presente em 6,3% dos pacientes com UD associados à UCE, e em 14,5% naqueles com diagnóstico isolado de UD. Autoanticorpos estavam presentes em 34,9% dos pacientes com UD associada à UCE, e em 32,7% naqueles com UD isolada.
CONCLUSÕES: A prevalência de autoimunidade e/ou autoanticorpos foi elevada, independentemente da associação da UD com UCE.

Palavras-chave: Urticária, autoanticorpos, autoimunidade, doenças da glândula tireoide.

9 - Dieta de restrição à proteína do leite de vaca: aderência e rotulagem dos alérgenos

Cow's milk protein elimination diet: adherence and allergen labeling

Alyne Doriguello Brisotti; Cynthia Mafra Fonseca de Lima; Giovanna Hernandes y Hernandes; Lene Garcia Barbosa; Maria Cecília Cury Chaddad; Ariana Campos Yang

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):441-446

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: Alergia alimentar é uma grande preocupação de saúde pública, pois afeta 3-5% dos adultos e 8% das crianças mundialmente. Alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é a alergia alimentar mais comum em crianças. Reações alérgicas graves e fatais podem ocorrer em qualquer idade, e o tratamento consiste em remover o leite de vaca e seus derivados da dieta. A rotulagem adequada dos alimentos fornece informações sobre os ingredientes alergênicos.
OBJETIVOS: Avaliar a eficácia da dieta de eliminação em pacientes com APLV IgE-mediada e características dos sintomas após exposição acidental.
MÉTODO: Estudo prospectivo com portadores de APLV IgE-mediada atendidos no Serviço de Imunologia Clínica e Alergia do HC-FMUSP, sob dieta de restrição à proteína do leite de vaca. Os pacientes foram avaliados inicialmente através de entrevista oral e por contato telefônico, após 6 meses. Este estudo foi realizado antes que os atuais regulamentos brasileiros de rotulagem de alimentos entrassem em vigor.
RESULTADOS: Foram incluídos 23 pacientes. A idade média foi de 10,1 anos, e 14 (60,8%) eram do sexo masculino. Após 6 meses, 7 apresentaram reação alérgica após exposição acidental. Destes, 2 apresentaram reações graves após contato com baixos níveis de proteínas do leite. Os cuidadores de todos os pacientes confirmaram fazer leitura regular dos rótulos. No primeiro contato, 14 pacientes estavam sob restrição de alimentos com a informação "pode conter traços de leite" nos rótulos. Após 6 meses, apenas 7 ainda estavam mantendo esta restrição.
CONCLUSÃO: Um grupo de pacientes permaneceu com dieta de restrição, inclusive a traços de leite, reiterando a importância da padronização e transparência em relação aos ingredientes alergênicos nos rótulos. Algumas reações ocorreram após a ingestão de alimentos derivados do leite, enfatizando a necessidade de reforço periódico da adesão à dieta de restrição e da prevenção em situações de risco, como festas e escola.

Palavras-chave: Hipersensibilidade alimentar, rotulagem de alimentos, hipersensibilidade a leite.

10 - Alergia alimentar e a ácaros em crianças com dermatite atópica

Food and dust mite allergy in children with atopic dermatitis

Simone Nabuco Senna; Livia Isabela Oliveira; Luiza Delfim; Marlecy Will; Wilson Rocha Filho

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):447-451

Resumo PDF Português

OBJETIVO: Avaliar a incidência de alergia alimentar e a ácaros em crianças com dermatite atópica acompanhadas no ambulatório de alergia alimentar, em um hospital público de Belo Horizonte.
MÉTODOS: Foram selecionadas, prospectivamente, crianças com dermatite atópica acompanhadas no nosso serviço e que preenchiam os critérios diagnósticos de Hanifin e Lobtiz, independente da sua gravidade. Pacientes foram submetidos a teste alérgico por punctura para alimentos, D. farinae, D. pteronyssinus e B. tropicalis. Crianças com teste alérgico positivo para um ou mais alimentos foram submetidas a teste de provocação duplo-cego placebo controlado para o alimento suspeito, seguindo critérios previamente estabelecidos pela American Academy of Allergy, Asthma and Immunology (AAAAI).
RESULTADOS: Um total de 56 crianças foram avaliadas com idade média de 5 anos; 27 (48,2%) do sexo masculino, e 29 (51,8%) do sexo feminino. Teste alérgico para alimentos foi positivo em 33 pacientes (58,9%), e, destes, 8 (24,2%) tiveram o teste de provocação duplo-cego placebo controlado positivo para o alimento suspeito. A incidência de alergia alimentar na população estudada foi de 14,3%. Teste alérgico positivo para ácaros ocorreu em 30 pacientes, que corresponde a 53,6% da população estudada.
CONCLUSÃO: Segundo o nosso estudo, a incidência de alergia alimentar nas crianças com dermatite atópica foi de 14,3%. Leite e ovo foram os únicos alimentos relacionados com dermatite atópica neste estudo. Teste alérgico para inalantes foi positivo para Dermatofagoide em 53,6% destes pacientes.

Palavras-chave: Dermatite atópica, hipersensibilidade alimentar, ácaros, pediatria.

11 - Soluções salinas em diferentes temperaturas e concentrações melhoram o pico de fluxo inspiratório nasal em escolares?

Do saline solutions at different temperatures and concentrations improve peak nasal inspiratory flow in students?

Jaime Olbrich-Neto; Sandra Regina Leite Rosa Olbrich; Natalia Leite Rosa Mori; José Eduardo Corrente

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):452-457

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: A higiene nasal com solução salina mostrou aliviar a congestão, manter a cavidade nasal limpa e úmida e reduzir o espessamento do muco. Evidências que apoiam solução salina aquecida ou solução salina à temperatura ambiente, em diferentes concentrações, são controversas.
OBJETIVO: Avaliar se soluções salinas aquecidas, em diferentes concentrações, são melhores que soluções salinas em temperatura ambiente para aumentar o fluxo inspiratório nasal em crianças saudáveis.
MÉTODOS: Estudantes entre 8 e 12 anos de idade foram submetidos a quatro procedimentos com soluções salinas em diferentes concentrações e temperaturas. O pico de fluxo inspiratório nasal foi medido antes e 30 minutos após cada procedimento. A análise estatística foi realizada por meio do teste t de Student, considerando p < 0,05.
RESULTADOS: Avaliamos 46 crianças em todas as etapas, cada criança foi controle de si mesma. Solução salina a 3% apresentou melhores resultados, mas não houve diferença significativa no pico de fluxo inspiratório nasal quando comparadas solução salina a 0,9% e solução salina a 3%, aquecida ou em temperatura ambiente. Quando perguntado, as crianças prefeririam solução salina a 0,9% e aquecida.
CONCLUSÃO: A solução salina a 3% apresentou maiores médias de pico de fluxo inspiratório nasal, mas não foi significativamente superior à solução salina a 0,9%. A solução salina aquecida não foi superior à solução salina em temperatura ambiente. É importante oferecer várias opções aos pacientes.

Palavras-chave: Estudantes, lavagem nasal, solução salina hipertônica.

Comunicações Clínicas e Experimentais

12 - Utilidade do teste de provocação oral aberto no diagnóstico de alergia alimentar

Usefulness of open oral food challenge in food allergy diagnosis

Lorena Bonotto Horvatich; Débora Carla Chong-Silva; Carlos Antônio Riedi; Herberto José Chong-Neto; Nelson Augusto Rosário

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):458-462

Resumo PDF Português

O objetivo do estudo foi verificar a utilidade do teste de provocação oral (TPO) aberto para alimentos. Foi realizado estudo transversal, com coleta de dados de pacientes com história sugestiva de alergia alimentar que foram avaliados para diagnóstico, ou para verificar a presença de tolerância de alergia alimentar, no período de julho de 2017 a maio de 2018. Os procedimentos foram realizados em ambiente hospitalar. O TPO foi considerado positivo quando os pacientes apresentavam sinais e sintomas de reações alérgicas, e ou quando reproduzia os sinais e sintomas referidos em consulta. Participaram crianças até 5 anos, com suspeita de alergia alimentar que realizaram teste cutâneo alérgico (TCA). Crianças com história de anafilaxia ao alimento e teste cutâneo positivo não participaram. Cinquenta crianças com história de alergia alimentar (AA) foram envolvidas, 36 (72%) meninos, mediana de idade 3,5 anos; 21 não realizaram TPO por terem história de anafilaxia. Os alimentos mais frequentes foram leite de vaca 33 (66%), e ovo 14 (28%). Vinte e nove pacientes foram submetidos a TPO, dos quais 5 TPO foram positivos (TCA positivo em 4 pacientes), e TPO foram negativos em 24 crianças, 9 (37,5%) destas com TCA positivo aos respectivos alimentos (p = 0,09). Não houve maior positividade do TCA nos pacientes com TPO positivo comparados a pacientes com TPO negativo, o que reforça a necessidade da provocação oral para o diagnóstico ou verificação da tolerância em pacientes com alergia alimentar. TPO aberto é útil em identificar alérgicos e tolerantes aos alimentos.

Palavras-chave: Hipersensibilidade alimentar, criança, tolerância imunológica.

13 - Anafilaxia por polietilenoglicol em dieta parenteral

Anaphylaxis to polyethylene glycol in a parenteral diet

Amanda Rocha Firmino Pereira; Mayra Coutinho Andrade; Marcelo Vivolo Aun; Antonio Abílio Motta; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):463-466

Resumo PDF Português

Os casos de reações de hipersensibilidade à dieta parenteral são muito raros. Determinar o agente etiológico nestes casos não é uma tarefa fácil, pois são muitos os componentes que podem causar a reação, e também por não haver padronização adequada dos testes. Outro problema enfrentado é a dificuldade ao acesso aos elementos da dieta para os testes. Descrevemos um caso clínico e toda a investigação diagnóstica detalhada de anafilaxia por dieta parenteral em um paciente adulto, tendo como principal agente suspeito o polietilenoglicol (PEG). Os polietilenoglicóis, ou macrogóis, compreendem uma família de polímeros hidrofílicos amplamente utilizados em produtos industrializados farmacêuticos, alimentares e cosméticos. Nenhum estudo até agora examinou a prevalência da hipersensibilidade ao PEG, e a ocorrência é provavelmente subestimada. A suspeita de alergia ao PEG deve ser considerada em: pacientes com reações de hipersensibilidade do tipo imediata (RHI) para produtos contendo PEG, nos quais a sensibilização aos ingredientes ativos foi excluída; pacientes com RHI repetidas com medicamentos e produtos não relacionados; e em pacientes com RHI para apenas certas marcas ou doses do mesmo medicamento. RHI aos medicamentos PEGuilados estão bem estabelecidas, porém IgE específica contra o PEG ainda não foi identificada. Este relato mostra que os produtos normalmente considerados como inócuos não devem estar acima de suspeitas durante a investigação alergológica.

Palavras-chave: Anafilaxia, polietilenoglicol, reações de hipersensibilidade à dieta parenteral.

14 - PET-CT como biomarcador da mastocitose sistêmica agressiva

PET-CT as a biomarker of the aggressive systemic mastocytosis

Henrikki Gomes Antila; Laís Souza Gomes; Grazielly de Fatima Pereira; Iandra Leite Perez; Danilo Gois Gonçalves; Rafael Bonamichi-Santos; Jorge Kalil; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):467-471

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Relato de caso ilustrando como a tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET-CT) pode ser um biomarcador dos casos agressivos de mastocitose.

Palavras-chave: Tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET-CT), mastociose sistêmica agressiva, biomarcadores.

15 - Efetividade e segurança do dupilumabe na dermatite atópica

Efficacy and safety of dupilumab in atopic dermatitis

Andressa Zanandréa; Cláudia Castilho Mouco; Mara Giavina-Bianchi; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(4):472-473

Resumo PDF Português

Relato de caso que ilustra a eficácia e a segurança do uso do dupilumabe na dermatite atópica. O uso de anticorpos monoclonais também possibilita o maior conhecimento sobre a fisiopatogenia da doença.

Palavras-chave: Dupilumabe, anticorpos monoclonais, dermatite atópica.

2019 Associação Brasileira de Alergia e Imunologia

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