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Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI

Brazilian Journal of Allergy and Immunology (BJAI)

Abril-Junho 2019 - Volume 3  - Número 2

Editorial

1 - Alergia e Imunologia Clínica: uma disciplina em expansao e evoluçao

Allergy and Clinical Immunology: a growing and evolving discipline

Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :97-98

DOI: 10.5935/2318-5015.20190018

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ARTIGOS ESPECIAIS

2 - Ficou encantada, virou uma estrela!

A magical person becomes a star

Disciplina de Alergia, Imunologia Clínica e Reumatologia, ESPM-UNIFESP

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :99

DOI: 10.5935/2318-5015.20190019

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3 - Professor Júlio Croce - uma vida, um legado

Professor Júlio Croce - a life, a legacy

Miguel Croce; Eliúde Costa-Manso

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :100-110

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190020

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O médico e professor Júlio Croce foi um dos principais alergistas brasileiros. Formado em 1947 pela Faculdade de Medicina da Universidade de Sao Paulo (FMUSP), foi um dos pioneiros da especialidade de Alergia e Imunopatologia no Brasil. Foi professor da Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia da FMUSP e Diretor do Serviço de Alergia e Imunologia do Hospital das Clínicas da USP (HC-FMUSP). Posteriormente, permaneceu como Professor de Mestrado no Programa de Pós-Graduaçao em Alergia e Imunopatologia na mesma Universidade. Como Diretor do Serviço de Alergia e Imunologia do HC-FMUSP teve grande influência na formaçao de alergistas que mais tarde se tornaram expoentes da especialidade, nao só no Brasil, como em toda América Latina. Tendo formaçao como clínico e um grande entrosamento com as áreas básicas, dedicou parte de sua vida à pesquisa de alérgenos encontrados no Brasil, marcando a originalidade do seu trabalho. Pesquisou e publicou artigos sobre alérgenos regionais tao variados como ácaros, fungos, insetos, plantas e alimentos. Também se interessou pela relaçao das alergias com a poluiçao. Homem de mente aberta e simplicidade no trato, era um verdadeiro diplomata da Alergia. Agregou especialistas do Brasil e do mundo, tendo sido membro fundador de diversas sociedades médicas. Ao acolher residentes e estagiários vindos de todas as partes do Brasil e da América Latina, contribuiu enormemente para a divulgaçao e o ensino da especialidade de Alergia. Foi homenageado pelas principais sociedades de Alergologia na América Latina, Estados Unidos e Europa. Como testemunhas de uma parte de sua vida, nosso objetivo, ao relembrar sua trajetória, é a de utilizar a pedagogia do exemplo. Prof. Júlio Croce, um exemplo de alergista a ser lembrado e seguido.

Palavras-chave: História da Medicina, alergia e imunologia, ácaros, fungos, poluiçao ambiental, himenópteros.

Artigos de Revisao

4 - Deficiência de anticorpos específicos antipolissacarídeos

Specific polysaccharide antibody deficiency

Wilma Carvalho Neves Forte; Renata Yumi Lima Konichi; Fernanda Mezzacapa Sousa; Tainá Mosca; Almerinda Maria Rego; Ekaterini Simoes Goudouris

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :111-122

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190021

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A deficiência de anticorpos específicos antipolissacarídeos é um dos erros inatos da imunidade predominantemente de anticorpos, destacando-se entre os defeitos mais frequentes. É caracterizada por uma permanência de imaturidade da resposta imunológica a antígenos polissacarídeos, estando normais linfócitos B, classes e subclasses de imunoglobulinas. O paciente apresenta maior suscetibilidade a infecçoes por bactérias encapsuladas, especialmente Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. As principais manifestaçoes clínicas sao otites, sinusites, traqueobronquites e pneumonias de repetiçao; pode haver meningite pneumocócica e septicemia. A investigaçao é feita por titulaçao de anticorpos antipolissacarídeos antes e após a aplicaçao da vacina pneumocócica nao conjugada. Até dois anos, há imaturidade fisiológica desse setor da imunidade, por isso, o diagnóstico nao pode ser feito antes desta idade. O tratamento, além de antibiótico precoce em vigência de quadros infecciosos, inclui antibióticos profiláticos, aplicaçao de vacina conjugada com proteínas e/ou reposiçao de imunoglobulina humana endovenosa ou subcutânea. O diagnóstico e o tratamento precoce melhoram a qualidade de vida do paciente, diminuindo o risco de sequelas e até de óbito por infecçao, e quando nao sao precoces, é possível que haja sequelas como bronquiectasias, hipoacusia ou danos neurológicos.

Palavras-chave: Síndromes de imunodeficiência, sinais e sintomas, imunoglobulina G, vacinas pneumocócicas.

5 - Imunoterapia e imunobiológicos na dermatite atópica

Immunotherapy and immunobiologicals in atopic dermatitis

Ataualpa Pereira dos Reis; Fernando Monteiro Aarestrup

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :123-132

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190022

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Na última década, avanços consideráveis na compreensao da patogênese da dermatite atópica têm pavimentado a via de um número de novos tratamentos. A melhora da imunoterapia subcutânea com alérgenos e a introduçao da imunoterapia sublingual deram lugar à prospecçao de sua aplicaçao para adultos e crianças portadoras de dermatite atópica. Esta revisao apresenta resultados das pesquisas científicas, análises sistemáticas e metanálises que confirmam a eficácia clínica da imunoterapia com alérgenos para pacientes com dermatite atópica de curso moderado ou grave, que apresentam sensibilizaçao a aeroalérgenos. Apresentamos também novas informaçoes de como usar os bioterapêuticos que estao levando a tentativas mais eficazes de tratamento. A esperança é de que estes novos biológicos ou antagonistas de pequenas moléculas, que têm alta especificidade para as moléculas-alvo, possam diminuir os efeitos indesejáveis causados pelos agentes imunossupressivos sem um alvo específico, como os observados pelas drogas de ampla açao biológica. Com o desenvolvimento e subsequentemente com a aprovaçao dos bioterapêuticos pelas agências reguladoras, nós começamos a ver uma revoluçao clínica e terapêutica no tratamento da dermatite atópica. As fontes de dados incluíram artigos originais, revisoes e publicaçoes indexados nos bancos de dados PubMed, MEDLINE, LILACS, SciELO e publicaçoes on-line nos últimos 15 anos. Como resultado, uma nova era no tratamento de pacientes com doenças crônicas graves está em andamento na nossa especialidade. O uso de imunoterapia subcutânea, imunoterapia sublingual e bioterapêuticos para dermatite atópica prometem grande precisao e efetividade na medicina personalizada.

Palavras-chave: Imunoterapia, produtos biológicos, dermatite atópica.

6 - Imunoterapia no tratamento do câncer

Immunotherapy in cancer treatment

Juliano José Jorge

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :133-138

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190023

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O avanço no conhecimento do funcionamento do sistema imunológico e de seu comportamento frente às neoplasias nos tem levado a novas modalidades de tratamento do câncer. Terapias como inibidores de checkpoint imunológico, transferência de células adotivas, anticorpos monoclonais e vacinas preventivas têm revolucionado o enfoque terapêutico para diversos tipos de neoplasias. Este documento traz uma breve descriçao dos mecanismos de açao destas novas classes terapêuticas, com o objetivo de fornecer aos médicos alergistas e imunologistas noçoes de sua aplicaçao, ajudando-os e estimulando-os a aprofundar o conhecimento nas várias frentes de atuaçao no tratamento do câncer.

Palavras-chave: Imunoterapia, vacinas anticâncer, imunoterapia adotiva.

7 - Dermatite de contato à metilisotiazolinona - estamos atentos a essa epidemia?

Contact dermatitis due to methylisothiazolinone - are we aware of this epidemic?

Paulo Eduardo Silva Belluco; Pedro Giavina-Bianchi

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :139-142

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190024

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Metilclorotiazolinona e metilisotiazolinona (MCI/MI) sao os ingredientes ativos no Kathon CGr, um conservante de cosméticos no mercado desde os anos 80. Eles aparecem numa mistura de conservantes na proporçao de 3:1. Metilisotiazolinona (MI) isolada tinha sido aprovada como conservante desde 2005, uma vez que foi considerada menos sensibilizante comparado à porçao clorada. Entretanto, ela tem sido usada numa concentraçao muito maior para ser efetiva, e isso tem causado a atual epidemia de alergia a essa substância. O objetivo dessa revisao foi examinar o atual surto de casos de alergia de contato a metilisotiazolinona (MI) no mundo, um fenômeno que tem sido observado em vários países, inclusive no Brasil. As fontes de dados incluíram os principais artigos originais e revisoes indexadas nos bancos de dados PubMed, MEDLINE, LILACS e SciELO que foram publicadas nos últimos anos. Os resultados mostram elevado grau de positividade de testes de contato tanto à associaçao MCI/MI quanto à MI isolada, e significativo aumento da prevalência de alergia a esta substância nos últimos anos. Em conclusao, alertamos que devemos estar atentos a esse importante conservante. Salientamos que a associaçao MCI/MI nos testes pode nao diagnosticar casos de alergia à MI. Apesar dessa substância isolada nao se encontrar na bateria padrao brasileira, a pesquisa de sua sensibilidade é fundamental.

Palavras-chave: Dermatite de contato, metilclorotiazolinona, metilisotiazolinona.

Artigos Originais

8 - Segurança da vacina de febre amarela em pacientes comprovadamente alérgicos à proteína do ovo

Safety of yellow fever vaccine in egg allergic patients

Clarissa Morais Busatto Gerhardt; Gislane de Sousa Juliao Feitosa; Bruna Pultrini Aquilante; Mayra de Barros Dorna; Cristiane de Jesus Nunes dos Santos; Antonio Carlos Pastorino; Ana Paula Beltran Moschione Castro

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :143-150

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190025

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INTRODUÇAO: A vacina de febre amarela, recomendada em áreas endêmicas, é contraindicada em alérgicos à proteína do ovo (APO) por ser cultivada em ovos de galinha embrionados.
OBJETIVO: O objetivo do estudo foi mostrar a segurança da vacina de febre amarela em pacientes comprovadamente APO.
MÉTODO: Foi realizado estudo prospectivo em hospital quaternário, no período de janeiro a outubro de 2018. Foram incluídos pacientes com APO confirmada por teste de provocaçao oral (TPO), reaçao anafilática à proteína do ovo nos últimos 6 meses, ou reaçao de APO nos últimos 2 meses associada à IgE específica positiva. Todos foram submetidos ao teste de puntura com a vacina na apresentaçao pura. Se negativo, realizado teste intradérmico (ID) com a vacina na diluiçao de 1:100. Se ID negativo, vacina aplicada em dose plena. Se teste de puntura ou ID positivo, vacina aplicada fracionada segundo protocolo de dessensibilizaçao.
RESULTADOS: Dos 78 pacientes com história presumida de APO, confirmou-se o diagnóstico em 43 (30M:13F, mediana idade 2,7 a): 30 por TPO, 7 com anafilaxia em menos de 6 meses da vacina, e 6 com reaçao imediata após ingestao do ovo há menos de 2 meses e IgE específica positiva. Durante o TPO, 12 apresentaram anafilaxia, e os demais (18) apresentaram urticária e/ou angioedema ou vômitos. Todos os testes de puntura (43) foram negativos. ID foi negativo em 37 pacientes, que receberam a dose plena da vacina, sem reaçoes. Apenas 6 apresentaram ID positivo e necessitaram dessensibilizaçao para vacina. Metade desses pacientes (3/6) apresentou reaçoes de hipersensibilidade leves e foi tratada com anti-H1 e/ou corticoide oral. O ID positivo foi significativamente relacionado à reaçao à vacina (p = 0,0016).
CONCLUSAO: Concluiuse ser possível vacinar alérgicos a ovo, com um protocolo seguro, mesmo em paciente comprovadamente anafilático. É necessária uma unidade especializada para sua realizaçao, com capacidade de controlar possíveis situaçoes de risco.

Palavras-chave: Vacina contra febre amarela, hipersensibilidade a ovo, anafilaxia, dessensibilizaçao imunológica.

9 - O teste de contato (patch test ) na avaliaçao de sensibilizaçao por alimentos em pacientes com dermatite atópica - estudo piloto

Patch testing in the evaluation of food sensitization in patients with atopic dermatitis - a pilot study

Cristiane Momoi; Lucila Camargo Lopes de Oliveira; Marcia Carvalho Mallozi; Renata Rodrigues Cocco; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :151-156

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190026

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OBJETIVOS: Investigar o papel do patch test na avaliaçao da sensibilizaçao por alimentos e no diagnóstico de alergia alimentar em pacientes com dermatite atópica (DA) e comparar duas distintas apresentaçoes do teste.
MÉTODOS: Esse estudo prospectivo envolveu 20 crianças (mediana de idade de 8,4 anos) com dermatite atópica moderada ou grave que foram submetidas ao teste cutâneo de hipersensibilidade tardia (patch test) com alimentos frescos e extratos comerciais, seguidos de teste de provocaçao oral (TPO) nos casos de resultado positivo, no intuito de avaliar a correlaçao clínica.
RESULTADOS: Entre os 20 pacientes avaliados, somente 4 (20%) apresentaram resultados positivos para o patch test, com maior positividade para os extratos comerciais (3/4), em comparaçao aos alimentos in natura. Nao se observou concordância dos resultados obtidos entre as duas apresentaçoes comparadas. Do total de 7 TPO realizados, 4 foram positivos (soja e milho para um paciente e amendoim para outros dois), com piora das lesoes da DA (valor preditivo positivo de 57%). Apenas uma criança apresentou efeito adverso mais significativo.
CONCLUSOES: Embora tenha sido encontrada baixa sensibilizaçao aos alérgenos alimentares na populaçao estudada e discordância entre os resultados dos patch tests com alimentos frescos e extratos comerciais, o teste mostrou-se seguro. Para uma melhor análise estatística, recomenda-se estudo em populaçao maior.

Palavras-chave: Dermatite atópica, hipersensibilidade alimentar, diagnóstico, teste de contato.

10 - Fungos isolados em travesseiros de crianças e adolescentes com rinite e/ou asma

Isolated fungi on pillows of children and teenagers with rhinitis and/or asthma

Sandra Regina Leite Rosa Olbrich; Jaime Olbrich-Neto; Eduardo Bagagli

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :157-162

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190027

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INTRODUÇAO: Pouco se sabe sobre a distribuiçao de fungos dentro das casas e nos materiais onde ficam concentrados, como os travesseiros, objeto que passa maior tempo em contato próximo com o paciente, podendo ser um reservatório importante e facilitar a sensibilizaçao e o desencadeamento de crises alérgicas. O conhecimento da ocorrência de fungos em locais pouco pesquisados, bem como sua taxonomia, torna-se fundamental.
OBJETIVOS: Avaliar ocorrência de fungos em travesseiros de crianças alérgicas, o ambiente e os aspectos relacionados.
MÉTODOS: Pacientes com rinite e/ou asma, e teste cutâneo positivo para fungos foram selecionados. Realizado questionário ambiental no domicílio e coletado travesseiros em uso, os quais foram aspirados na área interna e externa para obtençao de amostras de fungos. Travesseiros novos, comprados em comércio local, serviram de controle.
RESULTADOS: A prevalência de sensibilizaçao dos pacientes a fungos foi de 5,46% (13 dos 238 avaliados). Nenhum ambiente revelou-se adequado para pacientes alérgicos. Todos os travesseiros, inclusive os controles, estavam contaminados, tanto na sua área externa como na interna; o número médio de unidades formadoras de colônias (UFC/m2) apresentou diferença significativa na parte externa, sendo maior naqueles com mais de 7 anos de uso. A diversidade e a quantidade de fungos encontrados nos travesseiros dos pacientes foi maior que nos controles. Das 39 espécies e/ou outro nível taxonômico identificados, 32 (82,0%) podem causar alergia do Tipo I - IgE mediada, e os mais frequentes foram Candida, Penicillium sp., Cladosporium sp., Mycelia sterilia, Fusarim sp., Aureobasidium pullulans e Aspergillus. Nenhum tipo de enchimento foi considerado ideal, e o que apresentou menor nível de contaminaçao foi o de viscoelástico.
CONCLUSAO: Travesseiros sao fontes de fungos e seus alérgenos. A maioria dos fungos isolados pode causar sensibilizaçao com resposta IgE mediada. O painel utilizado mostrou-se insuficiente para identificar sensibilizaçao aos fungos isolados.

Palavras-chave: Fungos, rinite alérgica, antígenos de fungos.

11 - Tolerância ao paracetamol em crianças com hipersensibilidade nao seletiva aos anti-inflamatórios nao esteroidais

Tolerance to paracetamol in children with non-selective hypersensitivity to non-steroidal anti-inflammatory drugs

Fernanda Sales da Cunha; Anna Paula Marques Mambriz; Chayanne Andrade de Araujo; Alex Eustáquio de Lacerda; Bárbara Martins de Aquino; Luis Felipe Chiaverini Ensina; Inês Cristina Camelo Nunes

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :163-167

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190028

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INTRODUÇAO: Os anti-inflamatórios nao esteroidais (AINEs) estao envolvidos na maior parte das reaçoes de hipersensibilidade a drogas na América Latina.
OBJETIVOS: Avaliar a tolerância ao paracetamol em crianças com história sugestiva de hipersensibilidade nao seletiva aos AINEs.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo de análise de dados de pacientes pediátricos atendidos em ambulatório especializado no período de julho de 2011 a julho de 2017. Os dados foram analisados e registrados em questionário padronizado adaptado. As reaçoes foram classificadas como seletivas ou nao seletivas. Pacientes com história clínica a um único AINE foram submetidos a teste de provocaçao oral (TPO) com o ácido acetilsalicílico para definiçao da seletividade ou nao da reaçao. TPO com paracetamol foi realizado em todos os que relataram reaçao ao mesmo.
RESULTADOS: A maior parte dos pacientes tinha hipersensibilidade nao seletiva a AINEs. A dipirona foi implicada em todos os casos, seguida do ibuprofeno (78%) e do paracetamol (51%). Todos os pacientes com história de hipersensibilidade seletiva foram provocados com outro AINE inibidor forte de COX-1, que nao aquele implicado em sua história, e todos demonstraram tolerância. Os 22 pacientes cuja história apontava envolvimento do paracetamol foram submetidos a TPO e todas as provocaçoes resultaram negativas. O etoricoxibe foi testado como droga alternativa em oito pacientes e se demonstrou ser uma opçao segura (todas as provocaçoes negativas).
CONCLUSAO: Apesar da elevada frequência de relato de reaçoes ao paracetamol, a maioria das crianças tolera o composto que é, sem dúvida alguma, alternativa segura frente à hipersensibilidade nao seletiva aos AINEs.

Palavras-chave: Acetaminofen, hipersensibilidade a drogas, antiinflamatórios nao esteroidais.

12 - Anafilaxia: dados de um registro de pacientes atendidos em um serviço especializado

Anaphylaxis: data from a patient registry in a specialized service

Patricia Guerzet Ayres Bastos; Inês Cristina Camelo-Nunes; Renata Rodrigues Cocco; Dirceu Solé; Luis Felipe Chiaverini Ensina

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :168-176

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190029

PDF Português

INTRODUÇAO: Dados relacionados à prevalência e incidência da anafilaxia sao escassos, especialmente no Brasil.
OBJETIVO: Descrever o perfil epidemiológico e características das reaçoes em pacientes com diagnóstico de anafilaxia assistidos em um ambulatório especializado de alergia.
MÉTODOS: Análise de um registro de pacientes (maio/2017 a junho/2018) com diagnóstico de anafilaxia. Informaçoes sobre idade, sexo, apresentaçao clínica, desencadeantes, conhecimento prévio do desencadeante, estudos diagnósticos realizados, antecedentes pessoais de atopia, tempo entre a exposiçao e a reaçao, ambiente onde ocorreu a reaçao, tratamento e gravidade foram analisados.
RESULTADOS: Do total de 150 pacientes (43 dias de vida a 67 anos), 52% eram homens e 66% tinham menos de 18 anos. As principais manifestaçoes clínicas referidas foram as cutâneas e as respiratórias. O tempo entre a exposiçao ao desencadeante e a reaçao foi mais comumente menor de 10 minutos. A maioria dos pacientes teve anafilaxia em ambiente nao hospitalar, porém, 78% foram tratados em ambiente hospitalar e 57% destes receberam adrenalina intramuscular (IM). Os desencadeantes foram confirmados em 78% dos casos, e os alimentos e as drogas foram os mais implicados. Os pacientes que apresentaram reaçoes desencadeadas por alimentos eram mais jovens e relatavam mais frequentemente reaçoes em menos de 10 minutos e em ambiente nao hospitalar. Estes pacientes também relatavam mais frequentemente que conheciam previamente o desencadeante, apresentam antecedente pessoal de atopia e receberam tratamento com adrenalina intramuscular (IM). Dezesseis pacientes apresentaram reaçoes graves, sendo mais frequentes nas mulheres e nos maiores de 18 anos.
CONCLUSAO: A anafilaxia por drogas ou por alimentos manifesta diferenças clínicas quanto à idade, ter antecedentes de atopia, local da reaçao e tempo para início da reaçao. A gravidade das reaçoes anafiláticas associou-se à idade dos pacientes.

Palavras-chave: Anafilaxia, hipersensibilidade a drogas, hipersensibilidade alimentar.

13 - Asma como causa de atendimentos de emergência na cidade do Rio de Janeiro

Asthma as a reason for emergency visits in Rio de Janeiro city

Hisbello da Silva Campos; Luciana da Rocha Pitta; Aline Campos Reis; Mauro Luís Melo Pinto

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :177-185

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190030

PDF Português

OBJETIVO: Estimar a proporçao de consultas motivadas pela asma na Rede de Atençao às Urgências e Emergências (RUE) da cidade do Rio de Janeiro/RJ, Brasil. A RUE é composta por Unidades de Pronto Atendimento (UPA), Coordenaçoes de Emergência Regional (CER) e hospitais de Pronto-Socorro.
MÉTODO: Foram coletados dados referentes aos atendimentos de 35 unidades (UPAs e CERs) abrangendo desde a data de início de funcionamento de cada uma até 31 de dezembro de 2015 (UPA) e 31 de dezembro de 2016 (CER), compreendendo cerca de 12 milhoes de atendimentos. Os hospitais de Pronto-Socorro nao foram incluídos já que, neles, o atendimento nao é informatizado, ao contrário das UPAs e CERs.
RESULTADOS: Cerca de 9% das consultas nao puderam ser analisadas por falhas no registro. Do total de atendimentos analisados (11 milhoes), 5% (562 mil) foram registrados como causados por asma. Vinte por cento dos atendimentos por asma envolveram a faixa etária de 0-4 anos, nao tendo sido evidenciadas diferenças significativas entre os sexos nas diferentes faixas etárias.

Palavras-chave: Asma, serviços médicos de emergência, epidemiologia descritiva.

14 - Prevalência de asma e sintomas associados em adolescentes no interior do Maranhao

Prevalence of asthma and associated symptoms in adolescents in inland Maranhao

Joao José Pacheco Neto; Raphael Coelho Figueredo; Renata Vasques Palheta Avancini

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :186-194

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190031

PDF Português

INTRODUÇAO: As alergias, além de prejudicarem consideravelmente a qualidade de vida, especialmente em crianças e adolescentes, têm crescido em todo o mundo. Assim, para traçar o perfil epidemiológico de asma, rinite e eczema, deve-se determinar primariamente a prevalência dessas manifestaçoes, que é o objetivo principal deste estudo.
MÉTODOS: O estudo é observacional e com delineamento do tipo transversal, baseado na aplicaçao do questionário escrito (QE) do International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) com os adolescentes de 13 a 14 anos de idade nas escolas de Imperatriz, Maranhao. A análise estatística utilizou o teste do qui-quadrado.
RESULTADOS: A prevalência de sintomas de asma, rinite e eczema atópico no último ano foi de 26,4% (299), 32,6% (369) e 12,7% (144), respectivamente. Houve predominância do sexo feminino para todas as manifestaçoes alérgicas, com significância em diversos pontos: crises de sibilância no último ano, sono prejudicado por chiado, tosse seca noturna na ausência de infecçao, sintomas nasais e de eczema e diagnóstico de rinite. Encontrou-se maior prevalência dos diagnósticos de rinite e eczema em adolescentes da rede privada. Foi observada também forte relaçao entre a presença de sintomas de asma e de rinite, as manifestaçoes graves dessas alergias e ao próprio diagnóstico médico de ambas as afecçoes. Sintomas ativos de eczema relacionaram-se à rinite ativa, e eczema atrapalhando o sono, à asma grave.
CONCLUSOES: Adolescentes do município de Imperatriz/MA apresentaram uma das mais elevadas taxas de prevalência e gravidade de asma e rinite para todo o Brasil, além de altos índices de subdiagnóstico. Tal cenário exige a intervençao dos gestores de saúde e a realizaçao de estudos para a identificaçao dos fatores locais implicados.

Palavras-chave: Asma, epidemiologia, adolescente, rinite, eczema.

Comunicaçoes Clínicas e Experimentais

15 - Prática de imunoterapia e candidatos biomarcadores: visita à resposta cutânea tardia e à IgG4 específica

Practice of immunotherapy and biomarker candidates: a visit to the late cutaneous response and specific IgG4

Francisco Machado Vieira

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :195-198

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190032

PDF Português

O sucesso da imunoterapia específica (ITE) com alérgenos está marcado pela diminuiçao dos sintomas quando da exposiçao aos mesmos. Significantes aumentos de IgG4 específica têm sido verificados em múltiplos estudos com pacientes recebendo ITE de manutençao por via subcutânea (30-40 vezes). Foi selecionado um grupo de 36 pacientes com idade média de 24 anos (mediana de 22 anos), sendo a maioria do sexo masculino (58%). A característica desses pacientes, com rinite e/ou rinoconjuntivite alérgica, era de estarem em uso na fase de manutençao (mais de 10 meses), ou haviam finalizado a ITE subcutânea nos últimos dois anos, após um período de três a cinco anos consecutivos. Procurou-se verificar as respostas cutâneas imediatas (20 min) e a tardia (de 6h a 8h), após injeçao intradérmica (TID) na superfície volar do antebraço de 0,02 mL de extrato alergênico contendo 1AU (unidade de alergia), associada a um grupo controle com rinoconjuntivite sem uso de ITE. Foi analisada a dimensao das pápulas na leitura imediata, observando-se uma semelhança entre os grupos de ITE e de controle (9,1± 3,3/10,8 ± 2,1 mm; p = 0,124). Na leitura tardia, nota-se uma dimensao significativamente menor no grupo de ITE (2,6 ± 2,6/6,0 ± 1,6 mm; p < 0,001) em relaçao ao de controle. Admite-se, portanto, ter havido um elevado aumento da IgG4 específica bloqueadora, influenciando na resposta cutânea do TID. A supressao da resposta cutânea tardia correlaciona-se com o aumento da IgG4, sendo considerados ambos os parâmetros candidatos biomarcadores para ITE.

Palavras-chave: Rinite, alergia e imunologia, imunoterapia, biomarcadores.

16 - Mepolizumabe na doença respiratória exacerbada por aspirina - DREA

Mepolizumab in aspirin-exacerbated respiratory disease - AERD

Mariele Morandin Lopes; Claudia Leiko Yonekura Anagusko; Fábio Fernandes Morato Castro

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :199-201

Resumo

DOI: 10.5935/2318-5015.20190033

PDF Português

Relato de caso que ilustra a eficácia e a segurança do uso do mepolizumabe na doença respiratória exacerbada por aspirina (DREA). A utilizaçao de anticorpo monoclonal no tratamento desta doença respiratória de difícil tratamento tem possibilitado o controle da inflamaçao crônica e o maior conhecimento sobre a fisiopatogenia da doença.

Palavras-chave: Anticorpos monoclonais, asma induzida por aspirina, interleucina-5.

CARTA AO EDITOR

17 - Imunoglobulina humana (Ig) e anticorpos neutralizantes

Carolina Sanchez Aranda; Ana Maria Martins; Dirceu Solé

Arq Asma Alerg Imunol 2019;3(2) :202-203

DOI: 10.5935/2318-5015.20190034

PDF Português

2019 Associação Brasileira de Alergia e Imunologia

Av. Prof. Ascendino Reis, 455, Vila Clementino, CEP 04027-000, SÃO PAULO, SP, Fone: (11) 5575-6888

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