Logo ASBAI

Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI

Brazilian Journal of Allergy and Immunology (BJAI)

Número Atual:  Abril-Junho 2019 - Volume 3  - Número 2


ARTIGO ESPECIAL

Professor Júlio Croce - uma vida, um legado

Professor Júlio Croce - a life, a legacy

Miguel Croce; Eliúde Costa-Manso


DOI: 10.5935/2318-5015.20190020

Faculdade de Medicina da Universidade do Vale do Sapucaí (UNIVÁS), Serviço de Alergologia e Imunologia Clínica do Hospital das Clínicas "Samuel Libânio" - Pouso Alegre, MG, Brasil


Endereço para correspondência:

Miguel Croce
E-mail: miguelcroce@gmail.com


Submetido em: 07/03/2019
Aceito em: 29/03/2019

Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo.

RESUMO

O médico e professor Júlio Croce foi um dos principais alergistas brasileiros. Formado em 1947 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), foi um dos pioneiros da especialidade de Alergia e Imunopatologia no Brasil. Foi professor da Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia da FMUSP e Diretor do Serviço de Alergia e Imunologia do Hospital das Clínicas da USP (HC-FMUSP). Posteriormente, permaneceu como Professor de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Alergia e Imunopatologia na mesma Universidade. Como Diretor do Serviço de Alergia e Imunologia do HC-FMUSP teve grande influência na formação de alergistas que mais tarde se tornaram expoentes da especialidade, não só no Brasil, como em toda América Latina. Tendo formação como clínico e um grande entrosamento com as áreas básicas, dedicou parte de sua vida à pesquisa de alérgenos encontrados no Brasil, marcando a originalidade do seu trabalho. Pesquisou e publicou artigos sobre alérgenos regionais tão variados como ácaros, fungos, insetos, plantas e alimentos. Também se interessou pela relação das alergias com a poluição. Homem de mente aberta e simplicidade no trato, era um verdadeiro diplomata da Alergia. Agregou especialistas do Brasil e do mundo, tendo sido membro fundador de diversas sociedades médicas. Ao acolher residentes e estagiários vindos de todas as partes do Brasil e da América Latina, contribuiu enormemente para a divulgação e o ensino da especialidade de Alergia. Foi homenageado pelas principais sociedades de Alergologia na América Latina, Estados Unidos e Europa. Como testemunhas de uma parte de sua vida, nosso objetivo, ao relembrar sua trajetória, é a de utilizar a pedagogia do exemplo. Prof. Júlio Croce, um exemplo de alergista a ser lembrado e seguido.

Palavras-chave: História da Medicina, alergia e imunologia, ácaros, fungos, poluição ambiental, himenópteros.




INTRODUÇÃO

Raros são os que ficam indiferentes à descrição de uma biografia original como é o caso do Professor Júlio Croce.

 

PRIMEIROS ANOS

Júlio Croce nasceu na cidade de Tietê/SP no dia 9 de agosto de 1918, descendente de imigrantes italianos, filho de Luigi Croce e Rosa Luchesi. Era o segundo filho de cinco irmãos: Oswaldo (1910), Júlio (1918), Plínio (1921), Luiz (1922) e Maria Terezinha (1928).

Segundo o relato de seu filho Júlio Eduardo, o avô Sr. Luigi Croce, italiano de nascimento, chegou ao Brasil em 1910 com 28 anos de idade, tendo como profissão farmacêutico. Trabalhou por pouco tempo na cidade de São Paulo, e depois se instalou em Tietê, onde abriu uma farmácia1.

Júlio Croce realizou seus estudos primários no Grupo Escolar de Tietê. Em 1930 a família mudou-se para a cidade de São Paulo, passando a morar perto do Largo do Arouche, e depois na Rua Conselheiro Crispiniano. O já adolescente Júlio inicia o secundário no Liceu Nacional Rio Branco, obtendo o diploma secundário em 19332.

Em 1936 entrou no Colégio Universitário - Pré-Médico anexo à Faculdade de Medicina da USP, provavelmente inspirado no exemplo do irmão mais velho, Oswaldo, que se graduara médico no Rio de Janeiro/RJ. Em 1938, após exame de habilitação, matriculou-se na Faculdade de Medicina da USP (Figura 1)3-4.

 


Figura 1 Anuário estatístico, 1936-1937, Universidade de São Paulo

 

OS ANOS UNIVERSITÁRIOS

Como estudante, Júlio Croce foi lembrado como um aluno tranquilo, discreto, de boas maneiras, pontual e atento às atividades escolares.

Praticou esportes ativamente, integrando os times de vôlei e natação. Embora magro e de baixa estatura, era forte e ágil. Na natação fez grande amizade com o treinador da Faculdade, Sr. Kanichi Sato, amizade que manteve por longos anos5.

Júlio Croce colou grau como médico no dia 11 de dezembro de 1943, aos 25 anos de idade. Seu CRM de São Paulo foi 509 (Figura 2). E, desde 1945, foi Tenente de Reserva de Aeronáutica (Figura 3).

 


Figura 2 Júlio Croce, graduando em Medicina, em 1943

 

 


Figura 3 Júlio Croce, Tenente de Reserva de Aeronáutica, em 1945

 

Depois de formado, trabalhou na Enfermaria de Medicina de homens da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, sob a direção do Prof. Almeida Prado. Em 1945, com o início do funcionamento do Hospital das Clínicas, passou a frequentar o serviço de medicina interna da 1ª Clínica Médica, sob orientação do mesmo catedrático. Em 1946, passou a trabalhar na 2ª Clínica Médica, chefiada pelo Prof. Octavio Augusto Rodovalho. Neste período Júlio Croce interessou-se pela gastroenterologia, tendo publicado alguns trabalhos6-7. Em 1950, a chefia passou para o Prof. Luiz Venére Décourt.

Júlio Croce esteve um breve período no Uruguai, entre fevereiro e março de 1949, com uma bolsa de estudos. Frequentou o Departamento de Bacteriologia do "Instituto de Higiene de Montevideo", sob a direção do Prof. Esténio Hormaeche. Neste período realizou estudos sobre os agentes bacterianos responsáveis por gastroenteropatias.

O primeiro serviço de Alergia e Imunologia Clínica em São Paulo foi criado em 1955 pelo Prof. Ernesto Mendes, no Hospital das Clínicas da FMUSP, e teve caráter multidisciplinar desde seu início. O Dr. Júlio, que na época era gastroenterologista, se integrou a este grupo que foi formado pelo Prof. Mendes (que era clínico), Prof. Carlos da Silva Lacaz (microbiologista), Dr. João Ferreira de Melo (otorrinolaringologista), Dra. Annelise Strauss (pneumopediatra) e pela Dra. Luíza Levi (dermatologista). Foi a partir da integração a este grupo que o Dr. Júlio passa a dedicar-se ao estudo da Alergia e Imunopatologia.

Naquela época, os fundamentos científicos da Alergia ainda eram escassos, muitos conceitos e tratamentos eram empíricos. O Prof. Ernesto Mendes sempre estimulou as pesquisas com base e princípios científicos, e foi esta conduta que adotou o Prof. Júlio na sua vida profissional.

Em 1957, Júlio Croce foi contemplado com uma bolsa de estudos na Alemanha, aproveitando a política do chanceler Konrad Adenauer, que, com o objetivo de integrar a Alemanha no mundo pós-guerra, criou um programa de bolsas de estudo para pesquisadores estrangeiros através do Serviço de Intercâmbio Acadêmico Alemão (Deutscher Akademischer Austauschdienst - DAAD).

Na Alemanha, Dr. Júlio permaneceu de setembro de 1957 a dezembro de 1958. Neste programa fez seus treinamentos em laboratórios de pesquisa voltados para patologias de origem imunológica. Estagiou no serviço do Prof. Klaus Rother, no Hospital Universitário da Universidade de Friburgo. O Prof. Klaus Rother e sua esposa, Dra. Úrsula (também professora de Imunologia), tinham como linha de pesquisa as inflamações renais (glomerulonefrite experimental), doenças imunológicas e o Sistema do Complemento.

No ano de 1958, Júlio Croce se traslada a Bad Lippspringe, onde continua seu treinamento em doenças alérgicas e asma bronquial no "Allergie-Forschungs Institut und Asthma Klinik", sob a orientação do Prof. Alberto Oehling. Neste serviço entra em contato com os professores W. Gronemeyer, Erich Fuchs e E.Letterer. Também fez um breve estágio na cidade de Bonn, com o Prof. K. O. Vorlaender.

Quando retorna a São Paulo, em 1959, Júlio Croce passa a integrar a equipe da 1ª Clínica Médica sob a chefia do Prof. Antônio Barros de Ulhôa Cintra. Nesta época, o Prof. Cintra tinha acabado de voltar dos Estados Unidos, onde estagiou com o Prof. Fuller Albright, pai da moderna Endocrinologia. Influenciado por este pesquisador, o Prof. Antônio Cintra montou no Hospital das Clínicas o Serviço de Moléstias da Nutrição e o Laboratório Metabólico, fundou os Laboratórios de Investigação Médica (LIM), e foi um dos principais responsáveis pela criação da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Segundo o Prof. Geraldo Medeiros-Neto, Cintra foi o pioneiro do conceito inovador de que "o médico deve, a partir do conhecimento clínico e teórico da doença, ter grande familiaridade com o laboratório clínico ou de pesquisa"8.

Este ambiente fértil da Faculdade de Medicina, do Hospital das Clínicas e dos Laboratórios, estimulou o jovem Dr. Júlio a fazer pesquisa e publicar trabalhos9.

Dr. Júlio retornou diversas vezes à Europa para aprimoramento. Em 1962 fez um estágio, através do governo inglês, no Instituto de Bioquímica do "The Middlesex Hospital Medical School" em Londres sob orientação dos professores Ivan Roitt e Deborah Doniach (descobridores dos autoanticorpos antitireoglobulina, o mecanismo autoimune de varias doenças). No mesmo ano, vai à Alemanha para estagiar no Laboratório de Imunologia do Instituto de Higiene da Universidade de Freiburg-Breslau.

Em 1965, retorna à Alemanha a convite do DAAD para reciclagem de conhecimentos em Pinneberg, na "Kreiskrankenhaus Pinneberg Klinik", com o Prof. M. Werner, em Bad Lippspringe, no "Asthma und Forschungs Institud", sob a direção do Dr. Gronemeyer, e em Bonn, na "Medizinische Universitaets Klinik", sob a orientação do Prof. Vorlaender.

 

A CARREIRA ACADÊMICA

Júlio Croce foi nomeado Médico Assistente do HC-FMUSP no dia 1° de março de 1965. Sua carreira acompanhou o crescente espaço que a Imunologia e a Alergia passaram a ocupar na graduação e pós-graduação da FMUSP. Concomitante ao atendimento assistencial, iniciou-se o ensino desta nova modalidade médica em nível de graduação e, mais tarde, sob a forma de estágio de especialização, residência médica e curso de pós-graduação10.

Em 1966, conquista o título de Doutor em Medicina, com a dissertação da tese "Estudo da antigenicidade do pâncreas pela técnica da dupla difusão em gel de ágar", sendo o seu orientador o Prof. Ernesto Mendes11. Logo passou a trabalhar no Serviço de Microbiologia e Imunologia do Prof. Carlos da Silva Lacaz12.

Em 1974, Júlio Croce presta concurso para Livre Docência em Clínica Médica com o trabalho "Contribuição e etiopatogenia do Prurigo de Hebra. Valor da imunoglobulina E e dos complexos imunes"13.

A partir de 1976, organiza e coordena o Curso de Pós-Graduação na Área de Alergia e Imunopatologia, com 15 disciplinas na Área de Concentração, das quais quatro ficaram sob a sua orientação: Mecanismos em Alergia, Alergia Clínica, Alergia a drogas e Alergia Tropical.

Em 1978, passou a ser Professor Adjunto da Disciplina de Alergia e Imunopatologia da FMUSP. No ano seguinte, em 1979, com a aposentadoria do Prof. Ernesto Mendes, se torna chefe da Disciplina e do Serviço de Imunologia Clínica e Alergia do HC-FMUSP.

O ânimo para transmitir conhecimentos e a titulação na área levam o Prof. Júlio a aceitar o convite para dar aulas em Campinas e Santos. Em Campinas, como Professor de Doenças Alérgicas, Reumáticas e Imunológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-UNICAMP). Em Santos, atuou como Professor de Patologia e Clínica das Doenças Imunológicas na Faculdade de Ciências Médicas de Santos (FCM-UNILUS).

 

A PRODUÇÃO CIENTÍFICA

Sua formação como médico e pesquisador, unindo a clínica à pesquisa básica, fez com que Prof. Júlio buscasse parcerias com pesquisadores de outras especialidades dentro do HC (dentre elas a Dermatologia, Gastrenterologia, Pneumologia, Otorrinolaringologia, Hematologia, Reumatologia e Patologia), e na Faculdade de Medicina através dos LIM (Micologia, Gastrenterologia, Imunologia) e do Instituto do Coração (Incor).

Além da Faculdade de Medicina, procurou e teve colaboração de pesquisadores do Campus Butantã da USP em diversas áreas básicas - no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP) nas áreas de Micologia e Acarologia, no Instituto de Biociências (IB-USP), e na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF-USP). Desenvolveu trabalhos com pesquisadores de outras instituições como o Instituto Biológico de São Paulo (IB-SP), a Fundação Parque Zoológico de São Paulo, Instituto de Botânica do Jardim Botânico de SP, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e o Instituto de Biociências da Universidade Estadual de São Paulo (IB-UNESP), em Rio Claro.

Estudou e explorou temas variados como a imunidade14,15, as imunodeficiências16,17, a alergia cutânea18, a alergia respiratória19,20, a poluição21, os alérgenos e as reações alérgicas aos insetos locais e regionais22-24, plantas25, os ácaros da poeira doméstica26, fungos contaminantes19,27-28, fungos patogênicos29,30, fungos anemófilos31-35, alimentos35, drogas36-38, medicamentos39-42 e alergia ocupacional43.

Júlio Croce busca e encontra "alérgenos brasileiros". Neste sentido podemos destacar sua compreensão da interação entre os elementos ambientais (clima, geografia, fauna e flora e interferência humana) com as manifestações de alergia.

Um exemplo deste traço foi a parceria com o jovem pesquisador Mario Sergio Palma, do IB-UNESP de Rio Claro, biólogo especialista em insetos sociais. Juntos realizaram uma série de trabalhos sobre reações alérgicas a insetos himenópteros, destacando as espécies existentes no Brasil (formigas, abelhas e vespas)23,44-46.

Outra grande linha de pesquisa desenvolvida pelo Prof. Júlio foi a alergia aos ácaros da poeira doméstica. Na época em que o Prof. Júlio esteve na Alemanha, foi publicado um trabalho demostrando que a principal fonte de alérgenos da poeira domiciliar eram os ácaros, principalmente o Dermatophagoides pteronyssinus. O trabalho foi escrito por Reindert Voorhorst (de Leipzig, Alemanha), e pelo casal de biólogos Spieksma-Boezemanin (Leiden, Holanda)47. Este aracnídeo minúsculo tinha sido descrito 100 anos antes (em 1864) por Bogdanov, na poeira de casa48.

No Brasil, estudos pioneiros por Ademilson Edson Rosa e Carlos Holger Wenzel Flechtmann haviam demonstrado a presença da espécie Blomia tropicalis na poeira domiciliar49-51. O Prof. Júlio decide investigar se esta espécie poderia causar alergias. Em 1970 envia amostras de poeira domiciliar das residências de indivíduos asmáticos e riníticos da cidade de São Paulo ao Prof. Voorhorst, na Holanda. Os resultados confirmaram a presença de Blomia tropicalis, Blomia kulagini e outras espécies, além do Dermathophagoides na poeira brasileira.

Foi na pessoa do Prof. Domingos Baggio, do Departamento de Parasitologia do ICB-USP, que o Prof. Júlio encontrou um "parceiro" para o estudo dos ácaros. Juntos, descreveram a fauna acarológica da poeira domiciliar brasileira pesquisando diferentes cidades, incluindo cidades da Amazônia52-64. Demonstraram que os ácaros, além de provocar alergias respiratórias pela inalação de suas partículas, podiam provocar alergias de contato na pele. Chegaram a documentar mais de 900 casos65-68 de lesões cutâneas causadas pelo contato com o ácaro.

Os estudos sobre a fauna acarológica foram estendidos para outras cidades do continente sulamericano (Lima, Assunção, Guayaquil, Panamá e Santa Cruz de la Sierra), aproveitando a presença de estagiários provenientes destas cidades no Serviço de Alergia do HC-FMUSP69.

Júlio Croce também se interessou pelos fungos. Considerou que nosso clima quente e úmido é favorável ao seu desenvolvimento e que a inalação de suas partículas, notadamente dos fungos anemófilos, poderia ser causa de alergia respiratória. Mais uma vez o Prof. Júlio buscou e encontrou grandes parceiros no Laboratório de Micologia do ICB-USP, nos professores Valderez Gambale, Ademar Purchio e Claudette Rodrigues de Paula Granda. Juntos pesquisaram e publicaram trabalhos sobre a flora micótica em várias regiões e biomas do Brasil, relacionando-os com alergias respiratórias e cutâneas. Os trabalhos mais tarde se ampliaram para pesquisas em lavouras de soja, de laranja, de café, de cana de açúcar e em ambientes de trabalho específicos como, por exemplo, nas bibliotecas. Pesquisaram também a colonização fúngica da árvore brônquica de pacientes asmáticos graves, trabalho feito em colaboração com o Laboratório Fleury, de São Paulo. O Prof. Júlio suspeitava que o processo inflamatório exacerbado na árvore brônquica se devia à presença de fungos. Junto com o Prof. Walderez Gambale, produziram mais de 27 trabalhos científicos nesta área27-30,32-33,70-91. O conjunto da obra foi uma grande contribuição para o entendimento de doenças alérgicas de etiologia micótica.

 

ALERGIA E POLUIÇÃO

Nos anos 1980, um dos problemas ambientais brasileiros mais urgentes foi a poluição do ar da região de Cubatão/SP. Como o Prof. Júlio já era um pesquisador conhecido na área de alergias respiratórias, foi convidado pessoalmente pelo então governador de São Paulo, Franco Montoro, do qual era médico, para integrar a equipe do Programa de Descontaminação do Município.

Cubatão era considerada pela ONU a cidade mais poluída do mundo. Sofrera um processo de industrialização crescente e desordenado a partir da década de 1950. A instalação da Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) e da Cia. Siderúrgica Paulista (COSIPA) na cidade agravou enormemente o problema da poluição. Assim, no fim dos anos 1970, Cubatão era o maior polo industrial da América Latina (energia-aço-petróleo), mas lamentavelmente também a região mais poluída do planeta. Nos anos 1980, a cidade foi chamada de "Vale da morte" pela intensidade da poluição.

Estes fatos motivaram a instalação de um Plano de melhoramento da qualidade do ar, chamado de "Projeto Respiração", visando várias ações de despoluição no município.

O Prof. Júlio participou ativamente nesta iniciativa. O Projeto incluía instalação de filtros nas chaminés das indústrias, tratamento de resíduos, tratamentos na rede de drenagem, controle ambiental de partículas emitidas e ações para reflorestar a Mata Atlântica.

Foram feitos controles antes das medidas de saneamento implantadas em 1982, e depois da aplicação das mesmas, em 198821,92. No início a emissão de material particulado chegava a 363 mil toneladas/ano, e foi reduzida em mais de 98%. Os hidrocarbonetos foram reduzidos em mais de 95%, a emissão de fluoretos caiu em mais de 99%. Os óxidos de enxofre e a amônia (causadores da chuva ácida) foram reduzidos em 72% e 99%, respectivamente. Cabe mencionar que Cubatão ainda tem índices de poluição acima dos valores recomendados pela OMS, porém nunca mais voltou a atingir os mesmos níveis dos anos de 1980.

 

ORIENTADOR DE TESES E MEMBRO DE BANCAS EXAMINADORAS

O Prof. Júlio orientou várias teses de mestrado93-97 e doutorado98-100. Participou de bancas examinadoras de dissertações de mestrado e doutorado em outras faculdades, como Farmacologia e Saúde Pública101,102.

 

OS PRÊMIOS

Desde o início de sua vida profissional, o Prof. Júlio começou a ser reconhecido e premiado. Entre os mais importantes:

- em 1942, "Prêmio Emilio Ribas", com o trabalho "Inspeção Sanitária da Cidade de Florianópolis", outorgado pela Faculdade de Higiene da USP;

-em 1952, "Prêmio Arnaldo Vieira de Carvalho", com o trabalho "Contribuição ao Conhecimento da Estrongiloidiase Humana em São Paulo";

- em 1964, "Prêmio José Pinto Alves", com o trabalho "Biópsias retais para o diagnóstico de Esquistossomose Mansônica", pela Associação Paulista de Medicina;

- em 1985, "Prêmio Roberto Salgado", com o trabalho "O Declínio da Imunidade Celular na Senectude", pela Sociedade de Geriatria Brasileira;

- em 1996, "Prêmio Oswaldo Seabra", da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (SBAI)103.

 

AS SOCIEDADES MÉDICAS

Outra característica marcante do Prof. Júlio foi a de ser um homem agregador. Com seu caráter tranquilo e verdadeiro interesse na ciência, sem distinção política ou ideológica, juntava pessoas de diferentes formações. Foi membro fundador de algumas das mais importantes sociedades médicas de Alergia e Imunologia no Brasil e no mundo.

O Prof. Júlio foi membro fundador da Sociedade de Investigação em Alergia e Imunologia fundada em São Paulo no dia 25 de abril de 1960, sendo seu primeiro presidente o Professor Carlos da Silva Lacaz. Nesta Sociedade, o Prof. Júlio ocupou diversos cargos: foi tesoureiro (1960-1962), secretário-geral (1964-1966, 1966-1968 e 1968-1970) e presidente (1970-1972).

Em sua gestão como presidente da Sociedade paulista trabalhou ativamente para a sua fusão com a Sociedade Brasileira de Alergia, órgão fundado no Rio de Janeiro em 3 de dezembro de 1946. A união das duas sociedades deu origem à Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (SBAI), fundada em 18 de novembro de 1971, e atual ASBAI.

 

PARTICIPAÇÕES DESTACADAS

Membro fundador, junto com o Prof. Damos Moar, da Sociedade Luso-Brasileira de Alergia e Imunologia (SLBAIC).

Membro fundador da World Allergy Organization (WAO) em 1989 (nova denominação da "International Association of Allergology and Clinical Immunology -IAACI"), fundada em 1951104.

Presidente do Capítulo Latino-americano da "International Association of Asthmology" (INTERASMA), por três gestões consecutivas (1979-1987).

Membro distinguido da "American College of Asthma, Allergy and Immunology (ACAAI)", homenageado em 1994.

Presidente da Sociedade Latino-Americana de Alergia e Imunopatologia, gestão 1974-1977.

Dr. Júlio Croce foi membro de várias sociedades médicas:

- Associação Médica Brasileira (AMB);

- Associação Paulista de Medicina (APM);

- Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição de São Paulo;

- Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (SBAI);

- Sociedade Médica Ítalo-Latinoamericana de Alergia e Pneumologia;

- Sociedade Médica Ítalo-Brasileira;

- Academia de Medicina de São Paulo, admitido em 7 de março de 1985;

- American Academy of Allergy;

- Deustsche Geselshaft fuer Allergie forshung (Sociedade Alemã para Pesquisa em Alergia);

- Sociedade Brasileira de Investigação Clínica.

 

REVISTAS CIENTÍFICAS

Foi membro da Comissão de Redação das seguintes revistas:

- Allergologia et Immunopathologia (Espanha), ISSN: 0301-0546;

-Clinica Europeia - publicada em Roma (Itália), sob a direção do Prof. Lisio Businco;

- Alergia e Imunopatologia - Rio de Janeiro;

- Alergia - Revista Ibero-americana de Alergologia (México), ISSN: 0002-5151;

- Revista Argentina de Asma, Alergia e Imunologia (Buenos Aires, Argentina).

 

CAPÍTULOS DE LIVROS

Terapêutica clínica - Prof. Wilson Cosermelli. Capítulo de "Fisioterapia no tratamento das Doenças Respiratórias". Júlio Croce e Maria Antonieta Gentil Croce, capítulo de "Alergia a Drogas" e capítulo de "Alergia Alimentar". Editora Guanabara Koogan, 1979.

Manual Latino-americano de Alergia e Inmunologia - Medina, M.S. e De la Veja, W.S. Editora Guadalupe (1987). Capítulo "Evaluación Clínica e Laboratorial del Sistema Inmune". Croce, J. e Barros, M.A.M.T., Bogotá, 1987.

Farmacologia Integrada - Luiz Biella Souza Valle, Roberto de Lucia, Seizi Oga, Ricardo Martins Oliveira Filho. Editora Atheneu, 1988.

 

DISTINÇÕES

"Huesped Distinguido", pela Prefeitura da Cidade de Monterrey (México), em 1983.

"Hóspede Oficial" da Cidade de Marília/SP, em 1985.

"Filho Ilustre" da Cidade de Tietê, em 1975.

 

O MÉDICO

No ambulatório do HC, quando era apresentado um caso ao Prof. Júlio, ele ouvia atentamente e pedia detalhes. Tinha por base um pensamento racional, muito imunológico, sempre buscando a "causa" da alergia. Era aberto a opiniões, escutando os argumentos de assistentes e residentes.

Além da assistência no ambulatório de Alergia do HC-FMUSP, atendia em sua clínica particular localizada na Av. Heitor Penteado, em São Paulo (atual Clínica Croce).Trabalhamos com ele na Clínica (1989-1991 e 1993-1996) e somos testemunhas de sua prática clínica. Agenda sempre cheia devido à muita procura pelos pacientes e às constantes via-gens que realizava. No atendimento dos pacientes, se concentrava nas queixas, buscando detalhes e anotando tudo. Na primeira consulta fazia questão de anotar o histórico completo. Quando o tempo se esgotava e ainda não havia solucionado o diagnóstico, marcava outra consulta e ganhava tempo para estudar. O Prof. Júlio estudava os casos! Assinava revistas importantes e procurava estar sempre atualizado. Era muito exigente no controle ambiental dos alérgenos, econômico nas medicações e transmitia suas orientações com serenidade.

O Prof. Júlio sempre dava crédito à história do paciente, e por isto algumas vezes fez diagnósticos inusitados. Como exemplo, certa vez atendeu uma paciente com a queixa de ter muita coceira e ardor quando manipulava notas de um real. Não as notas de dois, cinco ou dez reais. Tinha consultado outros especialistas e os diagnósticos foram variados relacionando a queixa a um problema emocional, mania, delusão, delírio, fixação ou até loucura. O Prof. Júlio fez um teste de contato: fixou uma nota de um real nas costas da paciente e pediu voltar 2 dias depois. No retorno, a área de contato com a nota estava inflamada, destacando-se algumas figuras. A paciente tinha alergia de contato ao corante verde do papel moeda105.

Sua esposa, Dona Dieta, instalou um atendimento de fisioterapia respiratória na própria Clínica, aplicando técnicas que aprendera na Europa. Foi uma grande novidade para o tratamento da asma na época. Prof. Júlio reconhecia os benefícios da "ginástica respiratória" e também indicava atividade física para asmáticos, principalmente natação.

 

HÁBITOS

Prof. Júlio tinha a rotina de ir ao HC pela manhã, e na sua clínica da Av. Heitor Penteado à tarde. Fazia as refeições em casa e a sesta após o almoço. Lia o jornal diariamente, mas raramente literatura ou romances. Não tinha interesse em filmes, novelas, pintura, política, esportes ou religião. Seu passatempo era a "Medicina", e especificamente a alergologia ou coisas relacionadas com a alergia. Isto era o que realmente chamava a sua atenção.

 

OS ÚLTIMOS ANOS

O Prof. Júlio se aposentou em 1989 da Faculdade de Medicina, e permaneceu como Professor de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Alergia e Imunopatologia na USP.

Deixar de frequentar a enfermaria e o ambulatório do Hospital das Clínicas foi para ele um motivo de tristeza. Ele apreciava o contato com os jovens médicos, a participação em discussões clínicas, a discussão dos projetos de pesquisa e o contato com os pacientes e assistentes.

Já aposentado, continuou atendendo em sua Clínica particular, mas aos poucos a sua atividade foi diminuindo.

Em 2001, por decisão dos filhos, o Prof. Júlio e Dona Dieta mudam-se para Botucatu para estar mais próximos dos familiares.

Mesmo aposentado em Botucatu, o Prof. Júlio orientou a tese de Doutorado da Dra. Elaine Gagete Miranda da Silva com o título "Fungos anemófilos na cidade de Botucatu e sua correlação com sensibilização em portadores de doenças alérgicas respiratórias"99.

Faleceu em 29 de setembro de 2014 em Botucatu, aos 96 anos.

O legado do Professor Júlio continua vivo através dos seus trabalhos e dos seus discípulos espalhados na América Latina.

O Prof. Júlio e Dona Dieta deixaram 3 filhos (Marcos, Júlio Eduardo e Ciro Guilherme) e 9 netos.

 

EPÍLOGO

Foram muitos os médicos (alergistas e de outras especialidades), pesquisadores e pacientes que tiveram a sua vida influenciada pelo Prof. Júlio Croce. Durante sua vida profissional atuou em três frentes simultâneas: a clínica, a formação de especialistas e a pesquisa básica. Seu trabalho pioneiro voltado para o estudo de alérgenos tropicais contribuiu enormemente para o conhecimento de alergias próprias do Brasil.

Sua atuação pacífica, aliada ao seu caráter agregador, juntou pessoas de vários países e regiões do Brasil, juntou pesquisadores básicos e clínicos, serviços e sociedades médicas de todo mundo em torno da especialidade da Alergia, dando a esta grande impulso e visibilidade.

 

NOTA DOS AUTORES

Chegamos ao Serviço de Alergia e Imunologia do HC-FMUSP em 1987 para fazer a Residência Médica. No primeiro ano de residência nosso contato com o Prof. Júlio Croce foi apenas durante as visitas na enfermaria e reuniões para discussão de casos. No segundo ano da residência, quando fomos para o ambulatório, nosso convívio se tornou mais próximo. Nesta época, o Prof. Júlio nos convidou para participar da pesquisa de fungos anemófilos nas bibliotecas da USP76. Foi por este trabalho que conhecemos o ICB e os pesquisadores da Micologia, bem como todas as bibliotecas da USP e seus funcionários. Participar deste trabalho ampliou nossos horizontes e conhecimentos da Alergia.

Mais tarde, trabalhamos com ele em sua Clínica no atendimento de pacientes. Este contato diário com a sua pessoa e seu modo de atender, seu raciocínio clínico e suas indicações de tratamento foi de um valor inestimável para nossa formação. Mais tarde, quando manifestamos nossa vontade de fazer um estágio no exterior, foi através do Prof. Júlio que conseguimos um período de treinamento em Pamplona (Espanha), na Clinica Universitária da Universidade de Navarra, sob a chefia do Prof. Alberto Oehling. Em nosso retorno ao Brasil, Prof. Júlio nos animou a fazer o mestrado, que concluímos em 199695,106.

 


Figura 4 Professor Júlio Croce

 

Este artigo pretende ser também uma homenagem ao Prof. Júlio, este médico tão singular, nosso mestre e mentor, nosso amigo e conselheiro, nosso exemplo até hoje. Obrigado, Prof. Júlio!

 

REFERÊNCIAS

1. História da Imigração no Brasil - as famílias. 8ª ed. São Paulo: Serviço Nacional de Divulgação Cultural Brasileiro; 1990.

2. Demartini ZBF. Liceus paulistanos: elementos para a História da Educação. Anais do II Congresso Brasileiro de História da Educação; 2002, Natal, RN. Natal; 2002. p. 163-4.

3. Nicioli Junior RB, Mattos C. História e memória do ensino de Física no Brasil: a Faculdade de Medicina de São Paulo (1913-1943). Ciência & Educação. 2012;18(4):851-73.

4. Anuário estatístico, 1936-1937. Universidade de São Paulo. Biblioteca Digital de Obras Raras, Especiais e Documentação Histórica da USP. Disponível em: http://200.144.190.234/F?func=find-b&find_code=SYS&request=000670493.

5. Cenni R. Kan-ichi Sato - Vida na água. São Paulo: Ed. Pioneira; 1993.

6. Croce J. Diarreia, vômito e náusea de causa desconhecida. Revista de Medicina.1946;30(146)119-20.

7. Croce J. A curabilidade do câncer do intestino grosso. Revista de Medicina.1946;30(148):236-7.

8. Medeiros-Neto G. Ulhôa Cintra, um pioneiro da moderna Endocrinologia. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia.1999;43(2):146-7.

9. Coutinho J, Croce J, Campos R, Amato Neto V, Fonseca LC. Contribuição para o conhecimento da Estrongiloidiase humana em São Paulo. São Paulo: FMUSP; 1954.

10. Barros MT. Formação e capacitação do especialista em Alergia e Imunologia Clínica [editorial]. Rev bras alerg imunopatol. 2011;34:1-2.

11. Croce J. Estudo da antigenicidade do pâncreas pela técnica da dupla difusão em gel de ágar [tese]. São Paulo: USP;1966.

12. Lacaz CS. Temas de Medicina. Biografia, Doenças e Problemas Sociais. São Paulo: Lemos Editorial;1997.

13. Croce J. Contribuição para o conhecimento da patogenia do prurigo de Hebra. Papel dos Complexos Imunes e da Imunoglobulina E [tese docência livre]. São Paulo: Faculdade de Medicina da USP;1974.

14. Carvalho Filho ET, Papaléo Netto M, Pasini U, Bueno C, Okumura Y, Carvalho MRC, et al. Avaliação de imunidade celular e humoral em indivíduos idosos. Rev Hosp Clin Fac Med Sao Paulo.1987;42(5):213-7.

15. Pasini U, Carvalho Filho ET, Papaléo Netto M, Jacob Filho W, Oliveira RM, Bueno C, et al. Aspectos da imunidade celular e humoral em idosos portadores de bronquite crônica e complicações da aterosclerose. Rev Hosp Clin Fac Med Sao Paulo.1988;43(2):104-9.

16. Duarte AJS, Vasconcelos DM, Sato MN, Sales JMF, Yamaguchi NH, Brígido LFM, et al. Imunodeficiência comum variável (hipogamaglobulinemia de início tardio ou hipogamoglobulinemia adquirida): seguimento inicial de 11 casos. Rev Hosp Clin Fac Med Sao Paulo.1990;45(3):95-104.

17. Castro M, Beltran AP, Croce J, Diogo CL, Jacob CMA, Pastorino, AC, et al. Angioedema hereditario: aspectos clínico-laboratoriais de sete casos. Rev Hosp Clin Fac Med Sao Paulo.1998;53(1):21-5.

18. Croce J, Semeghini-Siqueira I, Castro FFM. Urticária & angioedema - abordagem interativa para diagnóstico e tratamento. São Paulo: Vivaldi;1999.

19 Castro FFM, Mori JC, Cruz Filho AA, Melo Jr JF, Baiocchi Jr G, Reis EAPR, et al. Rinite e alérgenos intra e extra-domiciliares. Rev Bras Alerg Imunopatol.1995;18:178-84.

20. Croce J. Ecossistema dos grupos ambientais e sua relação com doenças respiratórias. Encontro Nacional dos Laboratórios de Saúde Pública. Revista do Instituto Adolfo Lutz. 2001;60:24.

21. Croce J, et al. Projeto Respiração. Estudo epidemiológico da asma brônquica, rinite e bronquite crônica na cidade de Cubatão em dois períodos - 1982 e 1988. Faculdade de Ciências de Santos. Disciplina de Imunologia Clínica, Santos;1990.

22 Almeida FA, Croce J. Contribuição ao estudo de aspectos imunológicos no prurigo de Hebra. An Bras Dermatol.1988;63(3):295-7.

23. Esher SHG, Castro APBM, Croce J, Palma MS, Malaspina O, Palma MFM, et al. Estudo dos métodos laboratoriais utilizados no diagnóstico de alergia a Hymenoptera: análise crítica. Rev bras alergia imunopatol. 2001;24(2):46-53.

24. Maia AAM, Croce J, Guimarães JH, Lopez Manuel. Sensibilização alérgica à Blatella germanica (Insecta: Dyctyoptera) em pacientes com asma e rinite na cidade de São Paulo, Brasil. Rev bras alergia imunopatol. 1996;19(2):47-50.

25. Pinto RJC, Croce J, Kalil Jorge, Cardoso MR. Poeira de soja inalada e alergia respiratória no Brasil. Rev bras alergia imunopatol. 2007;30(5):198-203.

26. Croce J, Baggio D, Riva G, Centanni G. An immunological study on the mite Blomia kulagini in Brazilian patients. Rev bras alerg imunopatol.1988;11: A111.

27. Pinto RJC, Croce J, Kalil J, Giannini MJM, Costa PI, Gambale W. Fungos em péletes de laranja e alergia respiratória em trabalhadores da indústria citrícola. Rev bras alergia imunopatol. 2003;26(4):152-8

28. Portocarrero MC, Manso ERC, Gambale W, Takayama L, Andrade CEO, Pinto JHP, et al. Sensitization to the fungus Hemileia vastatrix (coffee leaf rust). Allergy. 2001;56(7):684-7.

29. Fava Netto C, Gambale W, Croce J, Paula CR, Fava SC. Candidin: comparison of two antigens for cutaneous delayed hypersensitivity testing. Rev Inst Med Trop Sao Paulo. 1996;38(6):397-9.

30. Croce M, Gambale W, Croce J. Asma intrínseca e fungos oportunistas. Rev bras alergia imunopatol. 1998;21:122.

31. Croce J. Fungos ambientais e alergias respiratórias. Anais do Seminário Sobre Preservação de Bens Culturais. Sistema Integrado de Bibliotecas. São Paulo: Universidade de São Paulo; 1989.

32. Croce M, Manso ERC, Gambale W, Castro FFM, Pasquali E, Pinto, JHP, et al. Análise bioquímica, antigênica e alergênica de extratos de Hemileia vastatrix (ferrugem do café). Rev bras alergia imunopatol. 1997;20:10-8.

33. Gambale W, Mohovic J, Croce J, Paula CR, Corrêa B, Purchio A. Alergias e fungos anemófilos em São Paulo - comparação entre
extratos polivalentes totais combinados e individuais em testes intradérmicos de triagem. Anais do Congresso Brasileiro de Microbiologia. Viçosa; 1987.

34. Croce J, Silva EGM, Furtado EL, Queluz THAT. Estudo dos fungos anemófilos da cidade de Botucatu e sua correlação com sensibilização em pacientes com doenças alérgicas respiratórias, Rev bras alergia imunopatol. 2003;26(3):95-109.

35. Manso EC, Croce M, Mendes MJM, Croce J. Anafilaxia induzida por exercício dependente de um alimento específico: relato de um caso. Rev bras alergia imunopatol. 1995;18(1):33-6.

36. Croce J, Toledo M. Revisão de reações adversas a drogas. Rev bras alergia imunopatol. 1987;10(2):38-40.

37. Toledo M, Croce J. Drogas como substâncias imunogênicas. Rev bras alergia imunopatol. 1987;10(2):41-3.

38. Croce J, Malaman MF. Reações adversas a drogas. In: Moraes IN. Tratado de Clínica Cirúrgica. São Paulo: Roca; 2005.

39. Croce J. Alergia à penicilina. Revista de Medicina. 1981;63(1-2):12-5.

40. Croce J, Castro FFM. Estudo duplo-cego comparativo entre astemizol e hidroxizina no tratamento da urticária crônica. Folha Med. 1986;92(3):189-96.

41. Croce J. Cromoglicato dissódico. Rev bras alergia imunopatol. 1988;11(3):89-91.

42. Croce J, Negreiros EB, Mazzei JA, Isturiz G. A double-blind, placebocontrolled comparison of sodium cromoglycate and ketotifen in the treatment of childhood asthma. Allergy. 1995;50:524-7.

43. Castro FF, Antila MA, Croce J. Occupational allergy caused by urticating hair of Brazilian spider. J Allerg Clin Immunol. 1995;95:1282-5.

44. Esher SHG, Castro FF, Kalil Filho JE, Castro APB, Croce J, Palma MS, et al. Study of laboratorial methods for hymenoptera allergy diagnosis a critical analysis. J Allerg Clin Immunol. 2001;107:113.

45. Manso EC, Morato-Castro F, Palma MS, Croce J. Honeybee Venom Specific IgG Subclass Antibodies in Brazilian beekepers and in patients allergic to bee stings. Journal of Investigational Allergology & Clinical Immunology. 1998;8:46-51.

46. Manso EC, Morato-Castro F, Palma MS, Croce J. Acquired immunity to africanized honeybee (Apis Mellifera) venom in brazilian beekepers. Journal of Investigational Allergology & Clinical Immunology. 1997;7:583-7.

47. Voorhorst R, Spieksma-Boezeman MI, Spieksma FT. Is a mite (Dermatophagoides spp.) the producer of the house dust mite allergen? Allerg Asthma (Leipz). 1964;10:329-34.

48. Fain A. Le genre Dermatophagoides bogdanov 1864 son importance dans les allergies respiratoires et cutanées chez l'homme (Psoroptidae: Sarcoptiformes). Acarologia. 1967;9:179-225.

49. Ademilson ER. Estudo sobre a fauna acarina em poeira doméstica no Brasil [dissertação]. São Paulo: USP;1978.

50. Flechtmann CHW. Ácaros da poeira domiciliar associados a alergias respiratórias no Brasil. In: Anais da Academia Brasileira de Ciências. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Ciências. 1980;52:644-5.

51. Rosa AE, Flechtmann CHW. Mites in house dust from Brazil. Intl J Acar. 1979;5:195-8.

52. Jorge Neto J, Croce J, Baggio D. Ácaros da poeira domiciliar na cidade de São Paulo. Rev bras alergia imunopatol. 1980;2:140.

53. Croce J, Baggio D, Jorge Neto J. Seasonal changes of the house dust species in the city of São Paulo, Brasil. Allergy Proc. 1988;9:342.

54. Antilla MA, Baggio D, Croce J. Estudo comparativo de qualificação de ácaros de poeira domiciliar em casas com e sem carpete e a relação deste tipo de piso com alergias respiratórias no homem. Anais do Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia. Rio de Janeiro; 1987.

55. Antila M, Nali M, Abdala N, Baggio D, Croce J. Ácaros do pó domiciliar de Mogi das Cruzes, SP. Rev bras alergia imunopatol. 1988;11:A119.

56. Baggio D, Croce J, Castro FM. Ácaros do pó domiciliar de Cubatão, SP. Rev bras alergia imunopatol. 1988;11:A118.

57. Baggio D, Machado JLC, Croce J. Variação sazonal de ácaros do pó em Cascavel. Rev bras alergia imunopatol. 1988;11:A121.

58. Baggio D, Croce J, Cruz-Jovane M, Jordan MAP. Contribuição para o conhecimento da fauna acarológica de poeira domiciliar da cidade de São Paulo. Resumos do XII Congresso Brasileiro de Zoologia; 1985. Campinas, SP. p. A82.

59. Baggio D, Croce J, Zuppi L, Mello W. Ácaros do pó domiciliar em Luiz Antônio, SP. Rev bras alergia imunopatol. 1988;11:A120.
60. Bonini E, Croce J, Baggio D. Ácaros do pó domiciliar de Araraquara, SP. Rev bras alergia imunopatol. 1988;11:A107.

61. Garcia LRF, Baggio D, Croce J, Espírito Santo MNA. Ácaros do pó domiciliar em Macapá (AP). Rev Bras Alerg Imunopatol. 1988;11:A108.

62. Croce M, Costa Manso ER, Sales JM, Baggio D, Croce J, Diniz M, et al. Ácaros do pó de bibliotecas da universidade de São Paulo. Rev bras alergia imunopatol. 1988;11(5):178.

63. Mello JF, Baggio D, Zuppi L, Bellesi N, Croce J. Ácaros do pó domiciliar de Belém, Icoraracy e Castanhal, no Pará. Rev bras alergia imunopatol. 1988;11:A125.

64. Croce J, Baggio D, Garcia LRF. The epidemiology of bronchial asthma in the Brazilian Amazonia. V Congresso Luso-Brasileiro de Alergia e Imunopatologia. Lisboa; 1987.

65. Baggio D, Croce J. Ácaros encontrados associados a dermatites atópicas no homem. Resumos do 1° Seminário sobre Vetores Urbanos e Animais Sinantrópicos. São Paulo, SP; 1986.

66. Baggio D, Croce J. Encontro de ácaros associados a dermatites. Rev bras alergia imunopatol. 1988;11:A116.

67. Croce J, Baggio D, Zuppi LJ, Alario MCT. Presença de ácaros em pacientes com dermatoses. Rev bras alergia imunopatol. 1980;2:192-3.

68. Oliveira LH. Quando surge a alergia? Revista Superinteressante; 31 julho 1989.

69. Croce M, Costa-Manso E, Baggio D, Croce J. House dust mites in the city of Lima, Peru. Invest Allergol Clin Immunol. 2000;10:286-8.

70. Gambale W, Purchio A, Croce J. Flora fúngica anemófila da Grande São Paulo. Revista de Microbiologia, São Paulo, Brasil. 1977;8:7-9.

71. Gambale W, Purchio A, Croce J, Aguilar JC. Isolamento de fungos do gênero Alternaria na área da Grande São Paulo. In: Anais V Congresso Brasileiro de Microbiologia. Rio de Janeiro; 1974.

72. Gambale V, Paula CR, Menezes EA, Croce J, Chavasco JK, Portocarrero MC; Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; Universidade Estadual de Campinas. Caracterização, fracionamento e padronização de alérgenos de fungos [projeto iniciado em conjunto com várias unidades da USP e de outras instituições, visando um estudo sistemático dos principais fungos alergênicos no Brasi].

73. Croce J, Gambale W. Asma e rinite por fungos da na cidade de Matão-SP. XXIII Congresso Brasileiro de Alergia e Imunopatologia; 1992.

74. Mohovic JZ, Gambale W, Croce J, Castro FFM, Cunha Neto E. Obtenção e caracterização parcial de extrato alergênico de Saccharomyces cerevisiae. Rev bras alergia imunopatol. 1988;23(5):183-200.

75. Barbieri RT, Croce J, Gandra RF, Gagete E, Paula CR, Gambale W. Allergenic extracts from Metarhizium anisopliae: obtainment and characterization. J Invest Allergol Clin Immunol. 2005;15(2):131-9.

76. Gambale W, Croce J, Manso ERC, Croce M, Sales JM. Library fungi at University of São Paulo and their relationship with respiratory allergies. Journal of Investigative Allergology and Clinical Immunology. 1993;3:45-50.

77. Gambale W, Mohovic J, Croce J. lntradermal testings with allergenic extracts of 42 fungus genera isolated from the air in São Paulo, Brazil. Revista ibérica de Micologia. 1988;5:53.

78. Menezes E, Gambale W, Macedo M, Abdalla D, Paula C, Croce J. Biochemical, antigenic and allergenic characterization of crude extracts of Drechslera (Helminthosporium) monóceras. Mycopathologia. 1995;131(2):75-81.

79. Menezes E A, Gambale W, Macedo M, Castro FFM, Paula CR,
Croce J. Characterization of allergenic fractions from Dreschlera monoceras. J Investig Allergol Clin Immunol. 1998;8(4):214-8.

80. Croce J, Gambale W, Paula CR, Zuppi LJ. Provocation of asthma by non-sporulating molds. In: Kobayashi S, Bellanti JA. Advances in Asthmologia. Amsterdam: Excerta Médica; 1990, p. 401-4.

81. Barbieri RT, Croce J, Gandra RF, Gagete E, Paula CR, Gambale W. Allergenic extracts from Metarhizium anisopliae: obtainement and characterization. J Investig Allergol Clin Immunol. 2005;15(2):131-9.

82. Gandra RF, Melo TA, Matsumoto F, Pires MFC, Croce J, Gambale W, et al. Allergenic evaluation of Malassezia furfur crude extracts. Mycopathologia. 2002;155:183-9.

83. Chavasco JK, Gambale W, Siqueira AM, Fiorini J E, Portocarrero MC, Mendes Jr LG, et al. Evaluation of the allergenicity of spore and mycelia extracts of Pisolithus tinctorius. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo. 1997;39:245-52.

84. Croce Miguel, Manso ERC, Gambale W, Castro FFM, Pasquali E, Pinto JHP, et al. Análise bioquímica, antigênica e alergênica de extratos de Hemileia vastatrix (ferrugem do café). Rev bras alergia imunopatol. 1997;20:10-8.

85. Fava Netto C, Gambale W, Croce J, Paula CR, Fava SC. Candidin: comparison of two antigens for cutaneous delayed hypersensitivity testing. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo. 1996;38;397-9.

86. Menezes EA, Gambale W, Macedo M, Abdalla D, Paula CR, Croce J. Biochemical, antigenical and allergenical characterization of crude extracts of Dreschlera Monoceras. Mycopathologia. 1995;131:75-81.

87. Mohovic J, Gambale W, Croce J. Cutaneous positivity in patients with respiratory allergias to 42 allergenic extracs of airborne fungi. Allergologia et Imunopathologia. 1988;16(6):397-402.

88. Gambale W, Purchio A, Croce J. Flora fúngica anemófila da Grande São Paulo. Revista de Microbiologia. 1977;8:74-9.

89. Gambale W, Purchio A, Croce J. Sistematic isolation of the genus alternaria in the atmosphere of the Great Sao Paulo Area (Brazil). Allergologia et Immunopathologia. 1976;2:139-44.

90. Croce J, Gambale W. Rinites alérgicas. In: Fomin A, Fomin D, Cintra PP, Pinto JA (org.). Atualização em rinite, sinusite e cirurgia endoscópica nasal. 1ª ed. São Paulo: Frontis Editoria; 1999. p. 1-50.

91. Croce J, Gambale W, Paula CR, Zuppi LJ. Provocation of asthma by non sporulating molds. In: Kobayashi S, Bellanti JA (orgs.). Advances in asthmology 1990. Netherlands: Elsevier Science Publishers; 1991. p. 401-7.

92. Croce M, Vasconcelos DM, Costa-Manso E, Duarte AJS. Poluição ambiental e alergia respiratória. Medicina (Ribeirao Preto. Online) [Internet]. 30mar.1998. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/7646

93. Alário MCT. Teste de transformação linfoblástica e reações adversas ao ácido acetil salicílico [dissertação]. São Paulo: Faculdade de Medicina da USP; 1986.

94. Andrade CEO. Reações de hipersensibilidade induzidas por animais de laboratório em funcionários do instituto de ciências biomédicas da Universidade de São Paulo [tese]. São Paulo: USP; 1993.

95. Croce M. Análise bioquímica, antigênica e alergênica de extratos de Hemileia vastatrix [dissertação]. São Paulo: Universidade de São Paulo, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo;1995.

96. Pinto RJC. Fungos em péletes de laranja e alergia respiratória em trabalhadores da indústria citrícola [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2002.

97. Castro FFM. Estudo do mecanismo de hipersensibilidade nas reações adversas provocadas por pelos urticantes de aranhas caranguejeiras [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2002.

98. Lazzarini S. Dermatite de contato por sensibilização aos corticosteroides, seus preservativos e veículos [tese]. Campinas: Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas; 1976.

99. Silva EGM. Fungos anemófilos na cidade de Botucatu e sua correlação com sensibilização em portadores de doenças alérgicas respiratórias [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2004.

100. Pinto RJC. Poeira de soja inalada e seu impacto epidemiológico no desencadeamento de alergia respiratória [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2006.

101. Novato ALS. Perfil de prescrição de medicamentos e interações medicamentosas em pacientes acima de 60 anos atendidos em hospital universitário: uma contribuição à farmacovigilância [tese]. São Paulo: Faculdade de Ciências Farmacêutica, USP; 2005.

102. Westphal MF. Participação da mãe no cuidado da criança com asma brônquica [tese]. Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo; 1982.

103. Análise bioquímica, entigênica do extrato de Hemileia vastatrix (ferrugem do café). Prêmio Oswaldo Seabra do XXV Congresso Brasileiro de Alergia e Imunopatologia; 19-23 de outubro 1996. Rio de Janeiro; 1996.

104. Kaplan AP. History of the World Allergy Organization: 1989 to 2006, the XVIII World Allergy Congress, Journal Development, Reorganization, and New Programs. World Allergy Organ J. 2011;4(8):135-7.

105. Croce J. Reação anafilactoide ao real. Resumos do XXVI Congresso Brasileiro de Alergia e Imunopatologia. Rev bras alergia imunopatol. 1998; 21.

106. Costa-Manso E. Determinação das subclasses de IgG específicas ao veneno de abelha (Apis melifera) em pacientes alérgicos à ferroada de abelha e em apicultores [dissertação]. São Paulo: Universidade de São Paulo, (CAPES);1996.

2019 Associação Brasileira de Alergia e Imunologia

Av. Prof. Ascendino Reis, 455, Vila Clementino, CEP 04027-000, SÃO PAULO, SP, Fone: (11) 5575-6888

GN1 - Sistemas e Publicações