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Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI

Brazilian Journal of Allergy and Immunology (BJAI)

Número Atual:  Julho-Setembro 2017 - Volume 1  - Número 3


Editorial

Imunoterapia alérgeno-específica

Allergen-specific immunotherapy

Clóvis E. S. Galvão


DOI: 10.5935/2526-5393.20170034

Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia da FMUSP, São Paulo, SP




O aumento da incidência das doenças alérgicas nas últimas décadas e a busca pelo seu controle têm estimulado o desenvolvimento cada vez maior de novas moléculas terapêuticas. Desta forma, nos últimos anos novos corticoides inaláveis, novos broncodilatadores e imunobiológicos têm estado disponíveis, aumentando o arsenal terapêutico para o controle clínico das alergias. Contudo, a imunoterapia alérgeno específica segue sendo o único tratamento capaz de alterar a evolução natural das doenças alérgicas. Apesar de transcorridos mais de 100 anos após a sua introdução na prática clínica, novos conhecimentos sobre a imunoterapia alérgenoespecífica têm sido constantemente adquiridos, colaborando para melhor eficácia e segurança do método, desenvolvimento de diferentes vias de administração e melhor entendimento dos mecanismos de ação envolvidos.

Este número dos AAAI traz uma revisão sucinta e objetiva dos conhecimentos atuais sobre os mecanismos de ação da imunoterapia com alérgenos, mostrando que mais do que promover um desvio da resposta imune do padrão Th1 para Th2, a imunoterapia promove um aumento da resposta Treg, induzindo uma tolerância periférica ao alérgeno1. Esta edição traz, ainda, um artigo original com um levantamento das reações adversas da imunoterapia subcutânea com aeroalérgenos, usando a classificação das reações propostas pela Organização Mundial de Alergia (WAO - World Allergy Organization), que mostra que, embora raras, as reações sistêmicas podem ocorrer, de forma que a imunoterapia deve ser indicada e supervisionada por um médico especialista treinado para tratar eventuais reações graves2.

Apesar do crescente avanço no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, a imunoterapia alérgeno-específica, mesmo sendo um método secular, continua cada vez mais atual, mantendo um lugar de destaque no tratamento das doenças alérgicas. Cabe, portanto, ao especialista em Alergia e Imunologia a atualização constante sobre esta importante ferramenta terapêutica, que quando bem indicada e realizada, só traz benefícios ao paciente.

 

REFERÊNCIAS

1. Pereira VAR, Aun WCT, Mello JF. Mecanismos da imunoterapia alérgeno-específica. Arq Asma Alerg Imunol. 2017;1(3):257-62.

2. Lima CMF, Silva AM, Hernandes y Hernandes G, Rodrigues AT, Kalil J, Galvão CE. Reações adversas locais e sistêmicas à imunoterapia alérgeno-específica para ácaros em pacientes de ambulatório especializado de Hospital Universitário em São Paulo. Arq Asma Alerg Imunol. 2017;1(3):287-92.

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