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Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI
Revista oficial da Sociedad Latinoamericana de Alergia, Asma e Inmunología SLaai

Brazilian Journal of Allergy and Immunology (BJAI)

Número Atual:  Julho-Setembro 2021 - Volume 5  - Número 3


Artigo de Revisão

Anafilaxia no primeiro ano de vida: como diagnosticar

Anaphylaxis in the first year of life: how to diagnose

Isabella Burla Manhães1; Carolina Sanchez Aranda2; Lucila de Camargo Oliveira2; Márcia Carvalho Mallozi2,3; Gustavo Falbo Wandalsen2; Dirceu Solé2


DOI: 10.5935/2526-5393.20210041

1. Disciplina de Puericultura e Pediatria Social, Departamento de Pediatria, Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) - São Paulo, SP, Brasil
2. Disciplina de Alergia, Imunologia Clínica e Reumatologia, Departamento de Pediatria, EPM-UNIFESP - São Paulo, SP, Brasil
3. Departamento Materno Infantil da Fundação Faculdade de Medicina do ABC - Santo André, SP, Brasil


Endereço para correspondência:

Dirceu Solé
E-mail: dirceu.sole@unifesp.br


Submetido em: 02/07/2021
Aceito em: 15/07/2021

Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação deste artigo

RESUMO

A anafilaxia é uma reação alérgica mais grave e potencialmente fatal. Apresenta-se quase sempre com manifestações cutâneas, acompanhadas por acometimento dos sistemas respiratório, gastrointestinal, nervoso e cardiovascular. Indivíduos de todas as faixas etárias podem manifestar anafilaxia, e seu diagnóstico no primeiro ano de vida é difícil por ser o lactente incapaz de expressar de modo claro as sensações vividas durante o episódio agudo. Nessa faixa etária os alimentos são os agentes desencadeantes mais envolvidos, embora medicamentos e veneno de himenópteros também o sejam. Em pacientes submetidos a várias cirurgias e procedimentos médicos a alergia ao látex pode ocorrer. A adrenalina intramuscular é a primeira linha de tratamento da anafilaxia na fase inicial, mas continua sendo subutilizada. Além disso, medidas de suporte, tais como decúbito supino, reposição de fluidos, vias aéreas pérvias e oxigenação, devem ser instituídas. Após a alta, o paciente deve ser encaminhado à avaliação e seguimento por especialista visando à identificação do agente desencadeante, assim como educar responsáveis/cuidadores destes pacientes sobre a prevenção de novos episódios. É importante que esse paciente tenha consigo algum tipo de identificação que o aponte como tendo tido episódio de anafilaxia, sobretudo se tiver sido recorrente. A oferta de um plano escrito de como proceder diante de um novo episódio é fundamental.

Descritores: Anafilaxia, alimentos, medicamentos, veneno de insetos, epinefrina.




INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas várias definições foram propostas para a anafilaxia, umas simples1,2 e outras mais detalhadas que abordam mecanismos fisiopatológicos3 e/ou manifestações clínicas4-6. Assim, a anafilaxia é definida como uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave com risco de vida, caracterizada por início rápido, e com potenciais problemas de vias aéreas, respiratórios ou circulatórios e geralmente, embora nem sempre, associada a alterações cutâneas e em mucosas5.

De modo geral, a anafilaxia em menores de um ano é de difícil diagnóstico, tendo-se em consideração as características do paciente (não verbal), e que várias situações clínicas podem mimetizar sinais e sintomas que podem estar presentes no lactente. Foram objetivos deste estudo revisar a literatura com relação ao comportamento da anafilaxia no primeiro ano de vida, destacando-se os agentes etiológicos, manifestações clínicas, tratamento e evolução e seguimento de longo prazo.

 

FONTE DE DADOS

Revisão não sistemática da literatura, com busca de artigos desde 2005 no PubMed, Google Scholar e SciELO usando os termos "anaphylaxis" ou "severe allergic reaction" ou "severe food-induced allergic reaction" ou "epinephrine" e "infants" ou "toddlers", nos idiomas inglês, francês, espanhol e português.

 

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

Embora os critérios clínicos diagnósticos para anafilaxia tenham sido estabelecidos inicialmente em 20064, reforçados por outros grupos6,7 e venham sendo utilizados, o diagnóstico de anafilaxia ainda não é tarefa fácil, sobretudo em lactentes nos primeiros dois anos de vida. Recentemente, o Comitê de Anafilaxia da World Allergy Organization (WAO) atualizou e resumiu os critérios diagnósticos de anafilaxia8,9. A comparação entre os critérios iniciais e os da WAO são apresentados na Tabela 1.

 

 

EPIDEMIOLOGIA

A falta de um código internacional de doença (CID) específico para rotular as reações anafiláticas até o CID-10 em muito contribuiu para que os episódios de anafilaxia recebessem codificações variadas, na dependência das manifestações clínicas apresentadas, dificultando assim a obtenção de dados epidemiológicos mais consistentes em estudos retrospectivos e baseados em banco de dados10. Além disso, a homogeneidade dos estudos com relação às populações estudadas (população geral, pacientes hospitalizados, idas à unidade de urgência, entre outros), o emprego de definições precisas, de critérios consistentes para a identificação dos casos de anafilaxia (história clínica, testes laboratoriais), o subdiagnóstico, assim como a padronização do método estatístico para a obtenção das taxas de inicidência e de prevalência são pontos fundamentais que nos permitem obter dados passíveis de comparação e não são encontrados em grande parte dos estudos existentes11.

À semelhança do observado com as doenças alérgicas, a prevalência de anafilaxia tem aumentado nas últimas décadas. Estima-se que o mesmo ocorra entre os lactentes, embora nessa faixa etária as taxas reais ainda permaneçam desconhecidas. A frequência de anafilaxia entre lactentes atendidos em serviços de urgência tem oscilado entre 3% e 22%12-14. Os alimentos têm sido os principais agentes etiológicos responsabilizados pela anafilaxia nesses pacientes11-13. Apesar disso, há evidências de que estes episódios sejam menos graves entre os lactentes, quando comparados às crianças maiores15-18.

A Tabela 2 reúne alguns estudos sobre anafilaxia que avaliaram lactentes. Revisão sistemática avaliou a epidemiologia da anafilaxia em crianças (menores de 18 anos de idade) europeias e documentou, em 2013, ser a prevalência agrupada de anafilaxia 0,3% e que a incidência oscilou entre 1,5 e 32,0 casos por 100.000 indivíduos-ano19. Outra revisão sistemática reuniu 59 estudos em menores de 18 anos (registros de pacientes, atendimento em unidades de urgência e hospitalizações) de diferentes localidades do mundo e revelou ser a prevalência estimada de anafilaxia variável entre 0,04% e 1,8% (4 estudos) e a por alimentos entre 0,3% e 1,2% (10 estudos)11. As taxas de inicidência de anafilaxia (29 estudos) oscilaram entre 1 e 761 casos por 100.000 indivíduos/ano, e os alimentos são os principais responsáveis por esses índices (1 a 77 por 100.000 indivíduos/ano)11.

 

 

Na América Latina, os dados sobre a epidemiologia da anafilaxia são escassos, e muitas vezes limitados a grupos específicos de pacientes. O estudo OLASA (On-line Study of Anaphylaxis in Latinamerica) reuniu dados sobre pacientes atendidos por alergologistas de 14 países (América Latina e Portugal) por quadro de anafilaxia entre 2008 e 2010. Participaram da versão pediátrica 191 indivíduos menores de 18 anos, sendo que 16,3% eram menores de dois anos de idade. Nesse estudo os alimentos foram os principais desencadeantes, e 14,3% foram hospitalizados20.

Estudo realizado em hospital pediátrico na cidade de São Paulo avaliou a incidência de atendimentos em unidade de emergência de crianças e adolescentes (até 18 anos), entre 2016 e 2018, por quadro de possível anafilaxia (CID-10)21. O número total de atendimentos em 2016, 2017 e 2018 foi 108.695, 105.523 e 102.133, respectivamente. As taxas de incidência de prováveis casos nos respectivos anos foram 0,011%, 0,013% e 0,016% respectivamente e a incidência para o período foi 0,013%22. Estudo polonês revelou ser a frequência de anafilaxia 0,3% entre crianças (0 a 3 anos) hospitalizadas, e 1,9% das com suspeita de alergia alimentar23.

 

FATALIDADES

As fatalidades atribuídas à anafilaxia entre crianças são eventos raríssimos16-18,26. Segundo Tsuang e cols., até a atualidade conhece-se apenas o relato de um lactente de 5 meses de idade, alérgico ao leite de vaca e que desenvolveu anafilaxia fatal ao ingerir cereal que continha leite de vaca na sua composição15,31 .

Metanálise recente avaliou a incidência de anafilaxia fatal por alimentos em menores de 19 anos de idade e mostrou ser 1,81 por milhão de indivíduos-ano, e segundo os autores, dez vezes menor que a por acidentes fatais32. Estudo norteamericano realizou análise retrospectiva de mortes, hospitalizações e visitas à urgência por anafilaxia induzida por alimentos, entre 2000 e 2014. Foram identificados 24 pacientes que faleceram em decorrência da anafilaxia, sendo que nenhum deles era menor de 4 anos de idade30. Estudos mais recentes e focados em anafilaxia no lactente não documentaram a ocorrência de óbito por anafilaxia entre os lactentes16,17,25.

Define-se como reação anafilática bifásica aquela em que há retorno dos sintomas após a resolução do quadro inicial sem que ocorra re-exposição ao fator desencadeante. Pouco se sabe sobre as causas que determinam a sua ocorrência. A incidência de reação bifásica tem sido identificada entre 1% e 20% das reações anafiláticas, e aproximadamente a metade delas ocorre nas primeiras 6 a 12 horas9,34. Estudos pediátricos apontam que a reação bifásica ocorre em até 2% dos pacientes com anafilaxia induzida por alimento15.

 

QUADRO CLÍNICO

A anamnese extensa é ponto fundamental no estabelecimento do diagnóstico de um paciente com suspeita de anafilaxia. É importante questionar-se sobre a ingestão de alimentos não usuais na dieta, uso de medicamentos e picadas de insetos1,7,9.

Apesar de os critérios clínicos diagnósticos da anafilaxia terem sido estabelecidos (Tabela 1) e se destinarem a todos os pacientes, independentemente de idade, nos lactentes merecem cuidado especial na sua avaliação e o diagnóstico de anafilaxia ainda é desafiador. A falta de capacidade do lactente em verbalizar parte das sensações experimentadas durante o episódio de anafilaxia (Tabela 3) ajuda na falha da caracterização mais clara do quadro e na sua subnotificação.

 

 

A análise de casuísticas de lactentes aponta que as manifestações mucocutâneas (variação entre 79% e 100%) seguidas das gastrointestinais (variação entre 26% e 89%), respiratórias (variação entre 7% e 83%), neurológicas (variação entre 12% e 26%) e menos frequentemente cardiovasculares (variação entre 0,9% e 21%) são as descritas na anafilaxia do lactente (Tabela 2). Urticária (generalizada, rubor, angioedema), vômitos (persistente), tosse, sibilância, estridor, alterações de comportamento, assim como hipotensão e taquicardia são altamente sugestivos de anafilaxia no lactente12. Todavia, é importante reforçar a necessidade de acometimento de pelo menos dois sistemas do organismo para caracterizar o episódio de anafilaxia12. A Tabela 3 reúne os principais obstáculos (sinais e sintomas) para o diagnóstico clínico de anafilaxia no lactente.

A triptase é um mediador liberado por mastócitos e a sua quantificação sérica é útil quando o diagnóstico de anafilaxia é incerto. A dosagem de triptase sérica deve ser limitada ao episódio agudo, sobretudo nos momentos iniciais. A sua quantificação deve ser realizada entre 2 e 4 horas após o início dos sintomas e essa concentração deve ser interpretada com cautela, pois o lactente apresenta, normalmente, níveis mais elevados e que normalizam entre 9 e 12 meses de vida35.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Várias situações clínicas podem induzir ao diagnóstico equivocado de anafilaxia no lactente (Tabela 4). Como mencionado anteriormente, é essencial o acometimento de pelo menos dois sistemas do organismo para caracterizar o episódio de anafilaxia12.

 

 

Diante de um lactente com suspeita de anafilaxia é preciso ser cuidadoso, pois infecções virais de vias aéreas podem ser acompanhadas de exantema, e de tosse e até mesmo sibilância se houver acometimento das vias aéreas inferiores, e assim mimetizar o quadro clínico de possível anafilaxia12,13. Vômitos e dores abdominais, nesta idade, também são multifatoriais e podem representar refluxo, obstipação ou outras etiologias não alérgicas12,13. A taquicardia pode ser secundária ao choro, a doença febril e ao desconforto respiratório12,13. Estes sintomas se associados à introdução de novos alimentos no início da vida, sobretudo os com alto risco de sensibilização, podem levar a diagnósticos equivocados de anafilaxia12,13.

 

AGENTES ETIOLÓGICOS

Os alimentos são os principais agentes etiológicos da anafilaxia no lactente15-18,20,24-30. Baseado nos dados apresentados na Tabela 2 verificamos que os alimentos envolvidos foram muito semelhantes nas diferentes casuísticas, havendo variações com relação à sua frequência de identificação. Destacam-se: leite de vaca (variação entre 16% e 67%), ovo de galinha (variação entre 9% e 38%), amendoim (variação entre 3% e 31%), nozes (variação entre 3% e 9%), trigo (variação entre 5% e 8%), peixe (variação entre 5% e 6%) e frutas (variação entre 3,2% e 6%)15-18,20,24-30.

Em menor frequência são apontados medicamentos (antibióticos e anti-inflamatórios não esteroidais) e venenos de himenópteros. Devemos destacar também a alergia ao látex, sobretudo em pacientes com espinha bífida ou problemas urológicos e que foram submetidos a várias cirurgias1,7,9.

 

TRATAMENTO DO EPISÓDIO AGUDO

Os vários documentos sobre anafilaxia publicados por sociedades médico-científicas, cujo objetivo é padronizar a abordagem dos pacientes com anafilaxia, não individualizam as recomendações de tratamento para a fase aguda da anafilaxia no lactente2,9,37,38. Apesar disso, Simons & Sampson13 publicaram recomendações sobre a abordagem da anafilaxia direcionada ao lactente. Eles propõem 10 passos para o tratamento inicial da anafilaxia em lactentes, como se segue:

1° ter protocolo escrito de emergência para reconhecimento e tratamento da anafilaxia;

2° sempre que possível remover a exposição ao agente desencadeante, como por exemplo, interromper a infusão de medicação intravenosa;

3° avaliar as condições circulatórias, das vias aéreas, respiratórias, pele, além de obter o peso corporal do lactente;

4° solicitar imediatamente o auxílio de equipe de reanimação ou de médicos de serviços de emergência, em ambiente hospitalar ou não;

5° colocar o lactente em decúbito dorsal ou semi-reclinado em posição confortável nos braços do cuidador;

6° injetar epinefrina (adrenalina) solução milesimal (1:1000 ou 1 mg/mL) intramuscular na face intermediária da coxa, na dose de 0,01 mg/kg (máximo 0,3 mg) ou quando disponível por autoinjetor de adrenalina pediátrico (0,15 mg);

7° se houver indicação, em qualquer tempo, iniciar a suplementação com O2 em alto fluxo (8 a 10 L) através de máscara facial bem ajustada à face do lactente;

8° estabelecer acesso venoso e iniciar infusão de fluido com solução salina 0,9% inicialmente na dose de 10 a 20 mL/kg durante 5 a 10 minutos;

9° instituir, sempre que possível, o monitoramento eletrônico de parâmetros vitais: frequência cardíaca, respiratória e da pressão sanguínea. Monitorar a oxigenação empregando-se a oximetria de pulso;

10° quando indicado, realizar ressuscitação cardiopulmonar à frequência de 100 compressões torácicas por minuto, com profundidade de 4 cm, e interrupções mínimas para realizar movimentos respiratórios na frequência de 15 a 20/minuto.

Os autores recomendam que esse protocolo para o tratamento inicial da anafilaxia seja afixado em local de grande visibilidade e ensaiado regularmente. Tão logo a anafilaxia seja diagnosticada, os 4º, 5º e 6º passos devem ser realizados prontamente e de modo simultâneo13.

Vale comentar que a epinefrina é a medicação de eleição para o tratamento inicial da anafilaxia, apesar da ausência de estudos farmacológicos em lactentes, a sua administração é reforçada por todas as guias de tratamento, mas segue sendo subutilizada1,2,7,9,13,39. No Brasil, os autoinjetores de adrenalina não estão disponíveis, apenas em importadoras de medicamentos. Em geral são apresentados em duas dosagens: crianças (0,15 mg) e adultos (0,3 mg), por conta disso o autoinjetor na apresentação pediátrica é recomendado para crianças com peso superior a 10 kg, embora haja relato de uso em lactentes com peso menor13.

Durante o tratamento inicial da anafilaxia nos lactentes, é infrequente a necessidade de mais de uma dose de epinefrina, o que reforça a sensação de que nessa população a anafilaxia é de menor gravidade. Topal e cols., ao avaliarem o tratamento de 104 crianças com anafilaxia em unidade de urgência, verificaram que nenhum lactente recebeu mais de uma dose de epinefrina, e que entre todas as crianças, 4,9% recebeu duas doses de epinefrina, foram internadas em unidade de cuidados intensivos, e todas eram maiores de 12 meses18. Outros dois estudos documentaram a necessidade de uma segunda dose de epinefrina por apenas um lactente avaliado em cada estudo16,25.

Embora anti-histamínicos e glicocorticosteroides sejam comumente administrados no tratamento de pacientes com anafilaxia, não devem ser usados como tratamento inicial ou como monoterapia, pois não revertem de modo rápido o edema de laringe, o broncoespasmo ou a hipotensão1,13. Para os pacientes que manifestam broncoespamo, a inalação de agente beta 2-agonista é importante, assim como a oferta de O2 caso a saturação periférica de O2 esteja abaixo de 95%1,7,9.

Os lactentes que não responderem de modo favorável ao tratamento inicial devem ser transferidos imediatamente a serviços pediátricos de emergência para terem atendimento especializado e melhor gerenciamento do quadro agudo13. Para os casos com boa evolução, observação mínima de seis horas no serviço de urgência é recomendada1,7,9.

A anafilaxia bifásica pode ocorrer em lactentes. As recomendações de tratamento farmacológico nessa faixa etária são extrapoladas de recomendações de tratamento para pacientes mais velhos13.

 

SEGUIMENTO DE LONGO PRAZO

Após a alta do episódio agudo de anafilaxia recomenda-se que o paciente seja acompanhado, preferencialmente, por especialista em alergia/imunologia, para identificar e confirmar o agente etiológico e prevenir futuras recorrências1,2,9,13.

A educação dos responsáveis/cuidadores quanto à identificação precoce dos sinais e sintomas da anafilaxia, assim como sua evolução e o tratamento precoce são pontos fundamentais no acompanhamento destes pacientes. Os responsáveis/cuidadores devem ser munidos de um plano emergencial por escrito em que constem sintomas e sintomas iniciais capazes de orientá-los quanto ao reconhecimento precoce da anafilaxia e a instituição de tratamento adequado1,9,13.

Havendo disponibilidade dos autoinjetores de epinefrina (AIE), os responsáveis/cuidadores devem ser orientados e treinados como usá-los. No nosso meio os autoinjetores de epinefrina são medicamentos relativamente caros e possuem validade usual de 12 meses, havendo a necessidade de reposição frequente. Entretanto, a maioria dos estudos que avaliam a capacidade de retenção desses conhecimentos e a determinação para usá-los na urgência mostram resultados frustrantes, sobretudo se os responsáveis/cuidadores não são da área da saúde. Estudo mostrou que apenas 29,9% de lactentes com anafilaxia grave foram tratados com injeções de epinefrina por seus cuidadores e têm como justificativas: não reconhecimento das reações, na disponibilidade de AIE, medo de administrar o medicamento, aguardar o aparecimento de mais sintomas e/ou não terem certeza sobre a necessidade de uso18.

 

IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE DESENCADEANTE

A investigação do agente etiológico da anafilaxia deve ter por base a história clínica. Considerando-se que no lactente predominam os alimentos como principais agentes desencadeantes, a pesquisa de IgE específica in vivo e/ou in vitro é recomendada2,7,9,13.

A avaliação in vivo é realizada pelos testes cutâneos de hipersensibilidade imediata (TCHI) e pelos intradérmicos. A escolha dos alérgenos/alimentos a serem avaliados deve ser orientada pela história clínica do último episódio, e os TCHI devem ser realizados 4 a 6 semanas após o mesmo2,7,9,13. Com relação aos fármacos, há reagentes validados para os TCHI apenas para a penicilina, e para os outros antibióticos pode-se usar concentrações não irritativas da droga em estudo9,13. Na suspeita de participação de venenos de Hymenoptera, os TCHI podem ser realizados com alérgenos padronizados de abelha e vespa, no caso de formiga o extrato é de corpo total13. Os testes intradérmicos com alimentos não devem ser realizados e os com fármacos e/ou insetos são raramente executados13. Diante de história convincente, a presença de TCHI negativo os pacientes devem ser re-testados semanas ou meses após13.

A determinação dos níveis séricos de IgE específica caracterizam a investigação in vitro. A depender dos alérgenos suspeitos, a análise dos componentes do alimento é importante no sentido de se estabelecer possível relação com gravidade da reação e a persistência de reatividade a esse alimento: por exemplo: caseína entre os alérgicos ao leite vaca, ovomucoide entre os alérgicos ao ovo de galinha, entre outros1,13. Com relação aos fármacos, poucos são os ensaios capazes de determinar a reatividade aos antibióticos, assim como aos venenos de himenópteros1,13.

Em pacientes submetidos a várias cirurgias ou procedimentos médicos, a anafilaxia pelo látex é possível. A presença de IgE específica a alérgenos da Hevea brasiliensis associada à história clínica confirmam o diagnóstico. Parte desses pacientes pode apresentar reação a determinados alimentos, tais como abacate, kiwi, banana, manga, melão, abacaxi, castanha ou avelã1,7,9.

É importante mencionar que a presença de TCHI positivo e a de IgE sérica específica a determinado agente indicam ser o paciente a ele sensibilizado, mas não são diagnósticos de anafilaxia1,2,7,9,13.

Os testes de provocação com oferta de doses crescentes de agentes sob suspeita (alimentos), quando realizados, o devem ser em ambiente hospitalar, sob supervisão médica, executado por médico e profissionais de saúde treinados e experientes na abordagem de reações alérgicas graves. São importantes para descartar reatividade clínica de alérgenos relevantes13,15,40. Aos lactentes com anafilaxia induzida por fármacos, a avaliação deve se limitar à história clínica e testes cutâneos, embora os testes de provocação oral possam ser realizados13.

 

PREVENÇÃO DE RECORRÊNCIAS

A exposição aos alérgenos desencadeantes das reações e aos quais os lactentes estão sensibilizados e são clinicamente reativos deve ser evitada de modo irrestrito, pois é ponto fundamental na prevenção da recorrência da anafilaxia1,7,9,13. Muitas vezes isso é desafiador para os cuidadores, sobretudo quando por tempo prolongado. Estudo longitudinal de pacientes (3 a 15 meses) com alergia a leite de vaca ou a ovo e acompanhados por tempo médio de 36 meses documentou que 53% dos pacientes apresentaram reações por escapes e exposição ao alimento alergênico, sejam por não leitura de rótulos, contaminação cruzada ou exposição intencional do alimento realizada por terceiros26.

A literatura é farta em afirmar que a dessensibilização natural pode ocorrer em crianças com reatividade clínica a alguns alimentos, tais como leite de vaca e ovo de galinha. A presença de níveis baixos de IgE sérica específica e menor reatividade cutânea a esses alérgenos são indicativos de que esses pacientes perpassarão pela alergia alimentar. A tolerância a quantidades pequenas do alimento, ingeridas acidentalmente, na forma extensamente assada indica que o mesmo está caminhando para a tolerância13,41.

Para os pacientes com reação a fármacos e na impossibilidade de utilizar-se uma droga alternativa, a dessensibilização pode ser realizada por profissional médico experiente13. No caso de lactentes com anafilaxia induzida por picada de himenóptero, a recorrência das reações pode ser evitada com a implantação de imunoterapia com veneno padronizado de himenóptero13,17.

A anafilaxia seguida à vacinação para prevenção de doenças infecciosas é incomum, e os lactentes que a apresentarem deverão ser avaliados por alergista/imunologista. A realização de TCHI com a vacina sob suspeita e com os excipientes nela contidos tais como ovoalbumina, gelatina e neomicina é imperativa. Diante de um teste negativo, a vacina poderá ser administrada na dose e maneira usual. Caso o mesmo seja positivo, a vacina deverá ser administrada em doses fracionadas e crescentes, até atingir-se a dose total e o lactente mantido sob observação12,13.

Os lactentes com alergia ao ovo, mas sem história de anafilaxia ao ovo, poderão receber a vacina da Influenza por via intramuscular, pois a mesma tem conteúdo muito baixo de ovoalbumina na sua composição e a criança deverá ser mantida em observação por 30 minutos. Com relação à vacina da febre amarela, algumas vacinas têm quantidade de ovoalbumina superior à tolerada por pacientes alérgicos ao ovo. Nestes pacientes, a presença de IgE sérica específica a ovomucoide é marcador para que a vacina seja administrada em doses fracionadas e crescentes até atingir-se a dose total, e o paciente mantido sob observação por pelo menos 30 minutos42.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A anafilaxia no lactente é uma realidade apesar de especular-se ocorrer em menor frequência e gravidade nesses pacientes. Embora os critérios clínicos diagnósticos da anafilaxia estejam bem estabelecidos e se destinem a todos os pacientes, independentemente de idade, nos lactentes merecem cuidado especial. A falta de capacidade do lactente em verbalizar parte das sensações experimentadas durante o episódio de anafilaxia ajuda na falha da caracterização mais clara do quadro e na sua subnotificação. Os alimentos são os agentes etiológicos mais responsabilizados pelos episódios de anafilaxia nessa faixa etária, embora medicamentos e veneno de himenópteros também sejam mais raramente implicados. A adrenalina (epinefrina) intramuscular é o tratamento de primeira linha na fase inicial da anafilaxia, mas continua sendo subutilizada. Medidas de suporte à vida como reposição de fluidos, manutenção da permeabilidade das vias aéreas e suplementação com oxigênio também devem ser instaladas. Após a alta, o paciente deverá ser encaminhado para avaliação com alergista/imunologista para educação quanto à abordagem de novos episódios, e como evitar a sua recorrência.

 

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