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Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI

Brazilian Journal of Allergy and Immunology (BJAI)

Número Atual:  Janeiro- 2020 - Volume 4  - Número 1


CARTA AO EDITOR

Recomendações para pacientes com Angioedema Hereditário durante a pandemia COVID-19

Recommendations for patients with Hereditary Angioedema during the COVID-19 pandemic

Solange O. R. Valle; Eli Mansour; Eliana Toledo; Faradiba S. Serpa; Herberto José Chong-Neto; L. Karla Arruda; Pedro Giavina-Bianchi; Régis A. Campos; Anete S. Grumach


DOI: 10.5935/2526-5393.20200015

GEBRAEH (Grupo de Estudos Brasileiro em Angioedema hereditário)


Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação desta carta.




As pessoas que têm doenças raras, apresentam em geral, quadros que as colocam em grupos de risco, como o dos idosos, com maior vulnerabilidade física e psicossocial. Há aproximadamente 7000 a 8000 doenças raras, com as mais diversas etiologias, sinais e sintomas. Os tratamentos são específicos e devem ser abordados segundo cada defeito descrito.

O angioedema hereditário (AEH) é uma doença genética que se caracteriza por crises de edema recorrentes que acometem os tecidos subcutâneo e submucoso. Há situações como no edema de glote que podem evoluir para um quadro fatal. Vários são os gatilhos que desencadeiam as crises de angioedema. Dentre estes, os processos infecciosos podem precipitar um ataque.

No atual cenário mundial, a infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), responsável pela COVID-19, é um desafio para todos. O conhecimento sobre a pandemia está em curso e há novos estudos sendo publicados a cada momento. Assim, não há conhecimento suficiente para determinarmos como a infecção pelo coronavírus se comportará. A falta de regulação do sistema complemento e a ativação exacerbada do sistema de contato, poderão aumentar a reação e inflamação causada pelo vírus? Será que a exemplo da discussão devido ao uso dos inibidores da ECA, devemos ter este aumento da bradicinina como um alerta? Não sabemos!

Entretanto é importante orientar nossos pacientes sobre o fato de que não há nenhuma evidência de que eles sejam mais propensos à infecção COVID-19, ou de ter pior evolução da doença. Desta forma, os pacientes devem seguir as orientações dadas a outros indivíduos de grupos de risco, conforme descrito a seguir.

a) Redobrar a atenção com os cuidados para evitar a contaminação por coronavírus e desenvolver a COVID-19.

b) Não interromper o tratamento sem orientação médica.

c) Evitar idas desnecessárias aos serviços de saúde. Se possível, tirar dúvidas com a equipe por telefone ou outros canais.

d) Em caso de infecção por coronavírus, ficar atento aos sinais e sintomas. Em caso de dificuldade para respirar, procure um serviço médico de urgência.

e) Os pacientes e seus contatos domiciliares devem receber a vacina contra gripe, a qual estará disponível pelo SUS segundo cronograma a ser anunciado. Poderão receber a vacina nos CRIEs também.

As orientações em relação ao novo coronavírus (COVID-19) não substituem a avaliação individualizada de cada paciente e as condutas recomendadas pelos profissionais e familiares responsáveis pelo paciente. Chamamos atenção para o fato de que as pessoas que fazem tratamentos e utilizam medicamentos de uso contínuo não devem interromper nenhum tratamento sem autorização dos profissionais responsáveis.

Sugerimos que todos acompanhem as informações e as recomendações do Ministério da Saúde e demais autoridades, pois, assim como outras doenças, os cenários são dinâmicos, diferenciados e requerem permanente avaliação sobre condutas e procedimentos.

São Paulo, 19 de março de 2020.

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