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Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI

Brazilian Journal of Allergy and Immunology (BJAI)

Número Atual:  Abril-Junho 2017 - Volume 1  - Número 2


Artigo Original

Maio é o mês do angioedema hereditário

May: the month of hereditary angioedema

Eli Mansur1; Regis A. Campos2; Herberto J. Chong-Neto3; Pedro Giavina-Bianchi4; Eliana Toledo5; Solange O. R. Valle6; Anete S. Grumach7


1. Membro Fundador do Grupo de Estudos Brasileiro em Angioedema Hereditário (GEBRAEH). Divisão de Alergia e Imunologia Clínica, Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP
2. Membro Fundador GEBRAEH. Departamento de Medicina Interna e Apoio Diagnóstico, Faculdade de Medicina da Bahia, Salvador, BA
3. Membro Fundador GEBRAEH. Departamento de Pediatria, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR
4. Membro Fundador GEBRAEH. Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
5. Membro Fundador GEBRAEH. Divisão de Imunologia Clínica e Alergia, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, São José do Rio Preto, SP
6. Membro Fundador GEBRAEH. Divisão de Imunologia, Departamento de Medicina Interna, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ
7. Membro Fundador e Presidente do GEBRAEH. Centro de Referência em Doenças Raras, Imunologia Clínica, Faculdade de Medicina do ABC, São Paulo, SP


Não foram declarados conflitos de interesse associados à publicação desta carta.




Prezado Editor,

No dia 16 de maio comemorou-se o Dia Mundial do Angioedema Hereditário (AEH). Encontros entre médicos e pacientes com objetivos recreativos e educacionais foram realizados em diferentes centros especializados nos cuidados dos pacientes com AEH. Estes eventos contaram com o apoio e/ou participação da Associação Brasileira de Portadores de Angioedema Hereditário (ABRANGHE). Estes encontros são relevantes por envolver o paciente e sua família no manejo de sua doença, assim como para entendê-la melhor e perceber que, apesar de ser doença rara, há muitos indivíduos acometidos pela mesma condição e, assim, podem compartilhar suas experiências. Conclamamos a repetição destes encontros por todos os centros nos futuros anos. A adesão do paciente ao tratamento é um problema vivenciado em todo Mundo, e esta ação tem como principal objetivo motivar o paciente e seus familiares a buscarem um tratamento adequado.

Neste mês de maio, os associados da ASBAI receberam a nova revista Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, com a atualização das Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento do angioedema hereditário – 20171. Esta revisão fazia-se necessária, pois, as diretrizes anteriores haviam sido publicadas em 20102,3. Destaca-se que para esta atualização foram reunidos representantes de centros de referência no diagnóstico e manejo do AEH de diferentes regiões do território nacional. Desde a publicação em 2010 até o momento, o nosso conhecimento sobre a fisiopatologia do AEH evoluiu, mas no campo do tratamento tivemos uma "revolução". Tratamentos consagrados deixaram de ser recomendados e houve a introdução de novos tratamentos muito mais eficazes para as crises, assim como para a profilaxia. Além disso, há a perspectiva de novos medicamentos em estudos a serem introduzidos no mercado num futuro não muito distante. O grande obstáculo nesta área ainda é o acesso aos melhores tratamentos devido ao alto custo e a um retrocesso do PCDT (protocolo clínico de diretrizes e tratamento clínico), elaborado sem a participação de nossa Associação.

Nesse período de quase 7 anos, várias reuniões internacionais com "experts" no tema foram realizadas, atualizando-se a classificação do angioedema sem urticária, identificando dados comprovados sobre eficácia dos vários recursos terapêuticos e incorporando maior conhecimento sobre novas formas de angioedema sem urticária e com inibidor de C1 esterase normal.

Sem dúvida, o desenvolvimento de novas formas de tratamento do AEH trouxe um avanço no número de pacientes identificados com a realização de programas educativos. A ASBAI apoiou a realização do III Congresso Latinoamericano de Angioedema Hereditário que contou com a participação de convidados como o Professor Marco Cicardi (Itália), e a Profa. Inmaculada Martinez-Saguer (Alemanha), assim como representantes de 13 países da região que puderam mostrar a situação da doença em seus países. A integração de nosso Continente foi ampliada e apresentada no recente Encontro sobre Angioedema Hereditário ("10th C1-INH Deficiency Workshop"), realizado em Budapeste. Esta reunião contou com 318 inscritos de 42 países e um número recorde de representantes da América Latina. Tivemos a oportunidade de conhecer os novos esforços no sentido de realizar exames de diagnóstico mais rápidos e mais precisos; a apresentação de novos conhecimentos em relação à fisiopatologia, e os estudos mais recentes de medicamentos profiláticos por via subcutânea e oral com perfil de segurança e eficácia melhor que os disponíveis atualmente.

Desde 2014, foi estabelecido o Grupo de Estudos Brasileiro em Angioedema Hereditário (GEBRAEH) com a finalidade de integrar centros atuantes em AEH no Brasil, promovendo programas de divulgação e pesquisa na área. Participam das atividades, vários colegas de diversas regiões do país e que estão trabalhando para estabelecer propostas para protocolos únicos no país, monitoramento da terapêutica, diagnóstico laboratorial e genético adequado, entre outros. O GEBRAEH conta com página na internet (http://gebraeh.com.br) e no Facebook (https://www.facebook. com/gebraeh/) com informações úteis sendo divulgadas. Convidamos a todos os médicos com interesse em AEH para se tornarem membros deste grupo.

 

REFERÊNCIAS

1. Giavina-Bianchi P, Arruda LK, Aun MV, Campos RA, Chong-Neto HJ, Constantino-Silva RN, et al. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento do angioedema hereditário - 2017. Arq Asma Alerg Imunol. 2017;1(1)23-48.

2. Giavina-Bianchi P, França AT, Grumach AS, Motta AA, Fernandes FR, Campos RA, et al. Rev bras alerg imunopatol. 2010;33:241-52.

3. Giavina-Bianchi P, França AT, Grumach AS, Motta AA, Fernandes FR, Campos RA, et al. Brazilian guidelines for the diagnosis and treatment of hereditary angioedema. Clinics (São Paulo). 2011;66:1627-36.

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